quarta-feira, fevereiro 05, 2025

Meu aniversário



Para quem não sabe, hoje é meu aniversário. Há 1 ano eu recebi alta da segunda cirurgia e vim embora sem andar, sem bolo, mas viva, o que é mais importante!

Na primeira cirurgia, há 12 anos, eu passei mal no dia 04/02, e cancelei meu bolo direto do hospital, pois fiquei internada. 

Esse bolo lindo e gostoso da Santo Favo é só um símbolo desses bolos que eu não tive. E quem me conhece, sabe que eu adoro bolo.



REVELAÇÃO                                 
    
Desencontrei-me nos dias descompassados
perdi pelas rotas justo a parte que era todo mundo

minha parte multidão procura palavras férteis
que me façam existir novamente

mas pondera ou delira no autorretrato
e se assusta com o fantasma sem linguagem
com uma voz que não está
nem aqui nem lá

também tenho outra parte em busca incessante
de cada sílaba imperecível que possa me nomear
uma parte que sabe que não há arte
que traduza a vida


Solange Firmino 

sábado, fevereiro 01, 2025

Um ano de cirurgia!

 



Hoje completa 1 ano que operei pela segunda vez. 

O título do poema sugere o quanto eu caí e meu filho me levantou. 

Fraturei várias partes do corpo, levei pontos na cabeça; então o neuro me internou até a data da cirurgia. 

Quem me conhece, sabe pelo que passei e como estou. O resto não importa.

● REMENDOS ●

Como sou breve,  
já me confundo 
quando invento
um tempo para o descanso.

Mas ainda tenho um pouco 
de memória para a impermanência. 

Solange Firmino


📷 Museu da República, 01.02.2025   

quinta-feira, janeiro 30, 2025

🌼 A sabedoria dos poemas

O poema aprende cedo

mal nasce e já escreve

sobre amor e catástrofes

punhal e seda

flor e abismo


bem novo e já tem memória vivida


o poema entende da morte

mas não morre de velhice


para saber tanto sobre o mundo

o poema dorme tarde


Solange Firmino


📷 Flor do meu jardim

sexta-feira, janeiro 03, 2025

Haicai


Os traços do pólen
na miragem da existência
da corola fértil

Solange Firmino




 Imagem: Fotografia tirada no Inca Voluntário - 
03/01/2024


quarta-feira, novembro 13, 2024

Celebração


Em 01/02/2024 eu passei por outra cirurgia cerebral, após 12 anos de tratamento. Está tudo dando certo até agora. 
Isto é uma celebração.

 ***

Todos os eus

que absorvem o concreto das coisas

percorrem pelos inconcretos avessos

em busca de refúgio

do abrasamento nada suave

em se sentirem destoantes

 

nós sabemos dos poemas intactos que se bastam

sem precisar ser escritos

mas os poemas não têm sido usados

para salvar o mundo

de que adianta escrevê-los em

pedra, pergaminho, papel ou computador?

 

reparamos nas nuvens inquietas

enquanto anoitece

os traços desenhados da vida

nas iminentes chuvas

não nos causam mais medo

 

festejamos a vida

a cada segundo que descortina a manhã

o medo de existir nas odisseias se extingue

não navegamos ao léu

nem estamos submersos

neste mar de delírios

 

já vimos Narciso se acabar no espelho

vivemos na espera

sabemos que a vida resiste

temos pronta a oração

para a travessia


 Solange Firmino

quarta-feira, dezembro 20, 2023

Qual o seu desejo secreto?


💻 📱

Leiam em Amaité Poesia & Cia, a leitura que fiz do Poema de Natal, de Luís Palma Gomes:


https://amaitepoesia.blogspot.com/2023/12/qual-o-seu-desejo-secreto-solange.html



Pedido de Natal

Ouves o tempo,
cínico e claro
clepsidra de vento
perdendo a razão
porque a loucura é
e será sempre
a melhor desculpa
para quem deixou de acreditar.

Ouves o tempo,
fio que conduz
fio de cem pontas inenarráveis
serpenteando por lugares, olhares
que pareciam ter a certeza
ou medo talvez disfarçado
de penas e asas,
levantando em voo
num bando de incontáveis sensações.

Seremos uma cápsula engolida por um gigante
e regurgitada depois numa galáxia distante?
Que ele nos engole é certo.
Se nos regurgita depois
jovens e intactos
numa praia do sul,
é o nosso desejo secreto, sereno,
a primeira prenda que pedimos em cada Natal.

Luís Palma 

quinta-feira, novembro 30, 2023

Se pudesse, fazia-me de versos: Lília Tavares




Leiam em "Amaité Poesia & Cia", um pequeno ensaio sobre o livro "Parto com os ventos", de Lília Tavares.



Hoje acordei com a dor das árvores;
estou de pé e o meu tronco sustém
o vazio e a solidão dos ramos
côncavos de espera,
impacientes de ternura.
Quero o bracejar dos pássaros,
ser refúgio dos ventos que me procuram,
tornar-me na folhagem que te abriga,
ser o ninho na tua noite, aberto 
com a inquietação e a serenidade
dos rumores das aves mais tardias.
Não, desta vez não vou.

Lília Tavares

segunda-feira, novembro 27, 2023

Linhagem - Aniversário de casamento dos meus pais

[Para Manoel e Vanda, meus pais]

Sou metade de cada um dos meus pais.
Ao acaso, mais um rosto na Terra.
Essa história não está nos livros.
Pronuncio a palavra no colo deles,
sempre serei menina.

A idade já chegou para nós três,
temos rugas.
Entretanto, emito um verbo que nos eterniza:
arvorejar.
Criaremos galhos entre as árvores do antigo quintal;
iremos dançando uma cantiga de roda
de volta à era dos fósseis,
de geração em geração.

Nossa herança permanecerá
sem precisar de sobrenome.

Solange Firmino


Imagem: Meus pais, anos 70.

segunda-feira, novembro 20, 2023

I HAVE A DREAM

 

O ativista pelos direitos civis e reverendo Marthin Luther King Jr. fez um discurso no Memorial Lincoln para 250 mil pessoas que, neste ano de 2023, completou 60 anos. 

Nesse discurso, chamado "I have a dream", ele pediu o fim do ódio, da intolerância, do racismo, da brutalidade policial, da pobreza, entre várias coisas que perturbam a humanidade desde sempre. 

A  segregação racial continua. Sem falar que Marthin Luther King foi assassinado poucos anos após seu discurso.

📷  Eu em frente à estátua de Lincoln, no interior do Memorial Lincoln, que foi o presidente que liderou os EUA durante durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a integridade territorial do país, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo. 

 📷  O reverendo Martin Luther King Jr. dirige-se aos manifestantes durante seu discurso "I have a dream" no Lincoln Memorial em Washington D.C. em 28 de agosto de 1963. - Foto: Associated Press 

 📷   Eu em frente ao Memorial Lincoln, que é composto de vários monumentos. Esse obelisco fica em frente à Estátua de Lincoln.


* Perdoem a qualidade das fotos, mas eu fui em 1997, não havia Smartphone.




quinta-feira, novembro 09, 2023

Silêncio

 



Presente na ausência do som
e na mudez da palavra.
Na memória da fotografia,
é comovente e saudoso.
No deserto sem ruído,
é expansão fértil no oásis.
Na curva do céu,
é o risco luminoso da estrela cadente.
É dolorido na espera da resposta.
Há silêncio na dança dos átomos
e nas SEMENTES;
nos amarelos de Van Gogh;
no feto que cresce
e no repouso da Fênix
nos ciclos do tempo

Solange Firmino


Fotografia: No meu jardim.

quarta-feira, outubro 11, 2023

Dia da Criança 2023

 

Eu ganhei um troféu Mário Quintana por esse poema. O tema era "O idoso

e a arte de envelhecer". Sei que é dia da criança. Mas minha infância

está cada vez mais longe e a velhice aguarda logo ali na esquina. E

vou feliz, porque estou viva. Se estou aqui, agradeço a Deus e aos

médicos. Envelhecer não é para qualquer um.


Feliz dia da criança!



* INEXORÁVEL *


Na véspera de minha morte,

naufraguei nas abissais ondas do Letes.

Subornei oráculos para saber meu fim,

mas os vates discretos resistiram,

assediaram-me com seu séquito de sacerdotisas sensuais.

Eles sabiam da minha fadiga e trouxeram asas

como as de Ícaro.

Foi assim que caí feliz no abismo.

Até gostei do espaço entre o chão e a queda…


Com o tempo, o espelho me envelheceu.

Nele me vi,

e vi inteiros os versos atirados

nos lagos mansos dos olhos,

isentos de eternidade,

mas cheios de memórias e descaminhos.


Abri os lábios e saíram palavras indecifráveis

em busca de abraços e gestos sem punhaladas.

Como dizer-me que os espelhos também deformam?

Eles não refletiram quem eu sou,

Só vi o rosto antigo de criança-adulta,

esculpido no reflexo.

Nunca foi a parte inteira e etérea do infinito materializado.


Eu e meu nome somos mais que álbuns, recortes, paisagens,

pedaços de percursos, calendários,

gestos e cores nas fotografias

e nos passos idos.


Faço uma reza.

Envelhecer é simples,

mas ainda tenho uma canção de ninar

nessa tarde de abril, de quentura insuportável.


Ignoro a morte que se esquiva

exilada nas sombras,

extenuada das lonjuras da idade.

Ela tem uma sede envelhecida.


Solange Firmino




quarta-feira, outubro 04, 2023

Ixora: semente tricolor

 




Aproveitando o jogo do meu Fluminense hoje, estou postando as sementes e as flores desse arbusto lindo e muito famoso no Brasil. Tem as cores amarela e vermelha: Ixora Coccinea.

Só faltou a cor branca, mas as sementes têm as duas cores principais, verde e grená.



Fotos: Museu da República - Rio de Janeiro - RJ

domingo, setembro 24, 2023

Primavera

 


Primavera no ar

as flores vêm até mim

quando sou jardim


Solange Firmino



Imagem: Museu da República - RJ


quarta-feira, setembro 20, 2023

terça-feira, setembro 12, 2023

Exsicata, de Bruno Ítalo

 


Parada no muro 
a coruja buraqueira 
rege a escuridão 

Bruno Ítalo 

 O próprio Bruno explica o conceito do quadro:

"Uma “exsicata” é um exemplar vegetal conservado para estudos botânicos. A palavra também é usada para colagens artesanais elaboradas com flores e folhas secas. 

Desde que escolhi o nome do livro, lá em 2020, veio também a ideia de montar exsicatas artesanais para presentear os leitores. Depois, inspirado pela seção que reúne haicais livres (“Jardim Vira-lata”, parte final de Exsicata), decidi acrescentar também um haicai a cada quadrinho.  

Assim surgiram estas “haicatas”, compostas por haicais tradicionais (e alguns guilhermimos) ilustrados por exsicatas feitas com folhas e flores colhidas nas ruas e calçadas de Teresina-PI desde meados de 2022. As montagens priorizam o uso de flores que caem espontaneamente, como ipê e jasmim, além de descartes de poda e capinagem. 

A adição de um haicai especial para cada quadro enriqueceu a composição, mas também a fez mais difícil de executar. Por isso, montei uma quantidade pequena de exemplares (60 até agora), que serão distribuídos preferencialmente aos leitores que adquirirem o livro em pré-venda. Cada original foi digitalizado e, em breve, fará parte de um e-book (...)"

Se você ainda não adquiriu o livro do Bruno, não sabe o que está perdendo! Vem aqui ver como comprar: 




domingo, setembro 10, 2023

Sonho de liberdade em "A janela dos ventos", de Jandira Zanchi


 Leiam em Amaité Poesia & Cia, a leitura que fiz de alguns poemas do livro "A janela dos ventos", de Jandira Zanchi.

https://amaitepoesia.blogspot.com/2023/09/sonho-de-liberdade-em-janela-dos-ventos.html


RECORTES

 

O destino

- não se apressem -

é lento e costurado

de raízes e vento

 

amealhado de recortes

em vais vens

de rendas e sedas

 

cantos de pássaros azuis

e flores amanhecidas

 

gorjeios de crianças

e cismas de mocinhas

 

risadas de fim de noite

entre estórias sem fim

 

mãos santas de senhoras

refazendo o ponto do assado

o sonho, no esteio da tarde,


escorrendo seu mel.


Jandira Zanchi

  

                                                                               
                                                                                

sexta-feira, setembro 08, 2023

Eternidade - 20 anos do meu filho!

 



Fotos no Campo de São Bento - Icaraí, aos 6 meses.

Diante dele
o tempo para viver
toda a surpresa de saber um dia
que ninguém retém o calendário
que a vida é só um retalho de eternidades
costurada com imagens e sensações
que perduram nas lembranças

nele eu me vejo refletida
em nós se acumulam
alguns naufrágios
e o tempo vivido até aqui
sinto que já somos eternos

Solange Firmino


Para meu filho Gabriel, que completa hoje 20 ANOS!!!
Meu filho, eu te amo! ❤

quinta-feira, agosto 17, 2023

“Vida a vida, rio adentro: nada é agora”



Leiam em Amaité Poesia & Cia, a leitura que fiz de alguns poemas do livro
"Fronteira, de Luís Palma Gomes".

https://amaitepoesia.blogspot.com/2023/08/vida-vida-rio-adentro-nada-e-agora.html


PROBLEMA ONTOLÓGICO

 

O poema é a parte do silêncio

que não coube na caixa negra do esquecimento.

Transbordou por entre as frestas dos dedos

e caiu no vazio

que se instala entre os pingos da chuva.

 

O poema é o que ficou do retrato

depois de recortado o rosto.

 

O poema é o big bang do instante,

expandido-se pelo infinito do balde

que uma criança loura levou para a praia.

 

O poema é só isto.



Luís Palma Gomes

 

quinta-feira, agosto 03, 2023

Nick do Rosário: a descoberta de vida no meio da palha

 



Leiam em Amaité Poesia & Cia, a leitura que fiz de alguns poemas do livro 
"Gaveta de cinzas: solilóquios, de Nick do Rosário". 



NOTAS

 

Melodia teu corpo:

Encontro

 

Inventário

ou prelúdio

em mim.


Nick do Rosário