terça-feira, julho 26, 2016

4º Festival de Haicai de Petrópolis 2016

Fui premiada para a antologia de haicais da Associação NIKKEI de Petrópolis, no 4º Festival de Haicai de Petrópolis 2016.

Já, já posto aqui os haicais...

Fragmentos da Insônia

Meu livro "Fragmentos da Insônia" já chegou da editora. 
Quem quiser encomendar comigo, 
enviar um e-mail para 
solange.firmino@gmail.com



Prefácio de Carlos Machado, do Poesia.Net, Alguma Poesia

Poema da contracapa

sábado, julho 02, 2016

Francisca Júlia

Eu na Pinacoteca - SP

VÊNUS


Branca e hercúlea, de pé, num bloco de Carrara,
Que lhe serve de trono, a formosa escultura,
Vênus, túmido o colo, em severa postura,
Com seus olhos de pedra o mundo inteiro encara.

Um sopro, um quê ele vida o gênio lhe insuflara;
E impassível, de pé, mostra em toda a brancura,
Desde as linhas da face ao talhe da cintura,
A majestade real de uma beleza rara.

Vendo-a nessa postura e nesse nobre entono
De Minerva marcial que pelo gládio arranca,
Julgo vê-la descer lentamente do trono,

E, na mesma atitude a que a insolência a obriga,
Postar-se à minha frente, impassível e branca,
Na régia perfeição da formosura antiga.


Mármores (1895)


Fantoche

Em 2015 participei do concurso da Editora Literacidade chamado 'Metacantos', que deveria necessariamente versar sobre a arte de escrever poemas. Eis o meu poema, selecionado para a antologia: 



Fantoche

Ouço o que sussurra a Musa
No silêncio, no princípio e no fim do dia.
Fonemas, palavras, dígitos,
Impressões tatuadas nos papéis e nas telas.
Quando acho que caminho sozinha
Vem você e me traz de volta.
Quando me sinto erguida,
Seu gesto me derruba.
Obedeço cegamente.
Quem detém minhas rédeas?
Usa-me, então, Poesia.
Em cada fio, um verso.
Prenda-me assim, para eu saber
Que não sou livre.
Mantém-me sã, mesmo suspensa na corda bamba.
Você é minha permanência,  
meu rastro pelo caminho efêmero.

Solange Firmino

sábado, junho 25, 2016

Vencedores do 16° Concurso de Poesias da UFSJ são divulgados


A UFSJ promove desde 2000 o Concurso de Poesias, agregando a cada edição um número maior de escritores de diversas localidades, inclusive de outros estados, de diferentes faixas etárias, origens socioculturais e formação acadêmica. O Concurso de Poesias é uma oportunidade para que poetas consagrados ou anônimos, iniciantes ou veteranos possam expressar sua arte literária e ter a chance de ter seu poema publicado em um livro com os 30 primeiros classificados, editado e impresso pela Universidade. 


Mais uma vez este ano estou entre os premiados.

sábado, maio 14, 2016

"Ferreira Gullar"

Exposição "Ferreira Gullar"

Galeria BNDES
Avenida República do Chile 100 (próximo ao Metrô Carioca)
De 11 de maio a 1º de julho
De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h

Visitas guiadas
De segunda a sexta-feira, às 12h30 e às quartas e quintas, às 18h15.
Não é necessário agendamento prévio.
Entrada gratuita.
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Extravio

Onde começo, onde acabo,
se o que está fora está dentro
como num círculo cuja

periferia é o centro?
Estou disperso nas coisas,
nas pessoas, nas gavetas:
de repente encontro ali
partes de mim: risos, vértebras.
Estou desfeito nas nuvens:
vejo do alto a cidade
e em cada esquina um menino,
que sou eu mesmo, a chamar-me.
Extraviei-me no tempo.
Onde estarão meus pedaços?
Muito se foi com os amigos
que já não ouvem nem falam.
Estou disperso nos vivos,
em seu corpo, em seu olfato,
onde durmo feito aroma
ou voz que também não fala.
Ah, ser somente o presente:
esta manhã, esta sala.
Ferreira Gullar

sexta-feira, maio 13, 2016

10 anos de Mito em Contexto!

Este mês fez 10 anos que escrevi o primeiro texto da coluna Mito em Contexto, em Blocos online, cujo site é organizado pela escritora Leila Míccolis. Foram mais de 6 anos e 127 textos.

quarta-feira, abril 13, 2016

Pera, uva, maçã ou beijo na boca?

O Beijo  - Gustav  Klimt




Um rapaz conversa com três moças sem vê-las. Depois de algumas perguntas e brincadeiras, escolhe qual delas beijará. Esse programa acontece em uma emissora de televisão. Mas beijo na telinha não é novidade há anos; novidade é a banalização do beijo.


A moda entre adolescentes é beijar muitas pessoas diferentes em uma só noite, durante as baladas. Pessoas que beijam muito tornam-se ídolos, principalmente se os beijos forem polêmicos, como aqueles protagonizados por Madonna, Britney Spears e Christina Aguilera, que há pouco tempo cantaram juntas no palco. Madonna beijou uma, depois outra. Não era carinho, talvez provocação ou autopromoção.


Fora os "selinhos", que os artistas dão para saírem nas capas das revistas, há também o "beijo técnico", que ninguém que não é artista acredita que existe.


Mas existe mesmo grande variedade de beijos com diversos significados, que vão desde o beijo no rosto ao beijo ardente. E muitos já foram classificados em um livro que indica os diferentes tipos de beijo, de acordo com respiração, posição da língua e até salivação - ou baba.


Deve existir nesse livro o beijo infantil, como o que eu dava nas brincadeiras, juro, inocentes quando criança. Na minha infância, nos anos 80, revistinhas falavam sobre o primeiro beijo e davam dicas de como beijar. E eu lia muitas, antes de saber que nenhum ensinamento é lembrado na hora fatal.


Mas me lembro bem da salada mista, brincadeira em que "pera, uva, maçã ou salada mista" representavam o gesto que você daria na pessoa que estava na sua frente: aperto de mão, abraço, beijo ou "todos juntos". Salada mista virou beijo na boca. De olhos vendados, mas nem tanto, e com a ajuda do sinal de quem cobria os olhos, era fácil dar um beijo na pessoa que interessava.


Essa geração que se empolga com o beijo fácil certamente não se daria mal nos anos 80, mas não muito antes disso, como no fim da Segunda Guerra, época retratada no filme Cinema Paradiso. Em algum canto da Itália, onde não havia balada nem MTV, um velho cinema era a única diversão dos moradores da vila. Na hora do esperado beijo, a cena do filme era cortada, causando raiva nos espectadores. O padre assistia aos filmes antes e censurava cenas "indecentes" como um beijo.


O pequeno Toto, que frequentava o cinema escondido, conheceu o projecionista Alfredo, iniciando uma bela amizade entre os dois. Não vou contar o final para quem não viu, mas é uma das cenas mais comoventes a que já assisti, e tem a ver com beijos. 


Beijos de cinema são tão famosos quanto beijos de contos de fada, em que princesas como Bela Adormecida e Branca de Neve são acordadas com beijos de belos príncipes, rompendo os encantos das bruxas. Também tem sapo que espera beijo para virar príncipe. Esperado também era o beijo que Judas deu em Jesus Cristo para traí-lo.


Entre encantos e traições, o beijo também pode trazer doenças. No beijo há troca de diversas substâncias como água, sais minerais e muitas bactérias e vírus. Alguns desses probleminhas podem ser resolvidos com higiene bucal, tema de famosas propagandas de cremes dentais, feita com filminhos de pessoas se beijando.


Fora as substâncias desagradáveis, bom é que além do prazer que pode proporcionar, beijar pode ajudar a perder calorias, afinal, dizem que um beijo na boca mobiliza vários músculos, além de acelerar as batidas cardíacas, o que faz melhorar a circulação do sangue.


Se você não sente mais aquele calorzinho e o coração acelerar com um beijo, é melhor se apaixonar de novo por outros beijos para não correr o risco de ficar obeso.



Muitos beijos


Solange Firmino

Dia do Beijo

Ritual erótico 

O Beija-flor beija a flor,
ou a flor beija
o Beija-flor?


Solange Firmino
















Foto aqui.

segunda-feira, março 28, 2016

Antologia do I Concurso Literário Machado de Assis


Com um dos exemplares da antologia do I Concurso Literário Machado de Assis. Que material maravilhoso. 
Além da excelente confecção do livro como um todo (primeira vez que recebo um livro plastificado), sei que constam ótimos escritores, pois alguns já conheço de nome. 
Muito feliz em ter participado do concurso. Esperando por mais! 
Muito obrigada a todos da Canal 6 Editora.


segunda-feira, março 21, 2016

terça-feira, março 08, 2016

* Esta é uma de minhas duas rosinhas que já brotaram várias vezes desde setembro de 2015.

“Aprendi com as rosas a ser despetalada e ressurgir inteira.” 
[Cecília Meireles]

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Mythopoeia - Autor: J.R.R. Tolkien

Araras - fevereiro de 2016

Você vê árvores, e as chama assim,

(pois é o que são e o seu crescer, enfim);
palmilha a terra e com solene passo
pisa um dos globos menores do Espaço:
uma estrela é matéria numa bola
que em matemático trajeto rola
regimentado, gélido, Vazio,
de átomos morrendo a sangue frio.
Por uma Vontade, à qual nos dobramos
mas que nós só de longe captamos,
grandes processos o Tempo completa
de início escuro a incerta meta;
e em página reescrita sem pista,
de letra e margem vária já revista,
eis multidão de formas infinitas,
negras, belas, frágeis ou esquisitas,
cada qual diversa, mas num só rol
de germe, inseto, homem, pedra e sol.
Deus fez pétreas rochas, arbóreas árvores,
terra térrea, estelares fulgores,
e os homens humanos, que andam no chão
e a quem luz e som causam comichão.
O remexer do mar, vento nos galhos,
relva, vacas mugindo nos atalhos,
trovão e raio, aves a cantar,
limo escorrendo a viver e murchar,
cada qual é registrado e impresso
nas contorções do cérebro em recesso.
Mas “árvores” só o são se nomeadas –
e só o foram quando captadas
por quem abriu o hálito da fala,
eco do mundo numa escura sala,
mas nem registro nem fotografia,
sendo risada, juízo e profecia,
resposta dos que então sentiram dentro
profundo movimento cujo centro
é o existir de planta, fera, estrela:
cativos que grade serram sem vê-la,
cavando o sabido da experiência
abrindo o espírito sem consciência.
Grande poder de si mesmos criaram,
e atrás de si os elfos contemplaram
que labutavam nas forjas da mente
luz e treva entretecendo em semente.
Não vê estrelas quem não as vê primeiro
qual prata viva explodindo em chuveiro
chama florida sob canção antiga
cujo eco mesmo de longa cantiga
o perseguiu. Não há um firmamento,
só vazio, se não tenda, paramento
por elfos desenhado; não há terra,
se não ventre de mãe que a vida encerra.
Mentiras não compõem o peito humano
que do único Sábio tira o seu plano,
e o recorda. Inda que alienado,
algo não se perdeu nem foi mudado.
Des-graçado está, mas não destronado,
trapos da nobreza em que foi trajado,
domínio do mundo por criação:
O deus Artefato não é seu quinhão,
homem, sub-criador, luz refratada
em quem matiz branca é despedaçada
para muitos tons, e recombinada
forma viva mente a mente passada.
Se todas as cavas do mundo enchemos
com elfos e duendes, se fizemos
deuses com casas de treva e de luz,
se plantamos dragões, a nós conduz
um direito. E não foi revogado.
Criamos tal como fomos criados.
Sim! Sonhos tecemos para enganar
os corações e o Fato derrotar!
De onde o desejo e o poder pra sonhar,
e as coisas belas ou feias julgar?
Querer não é inútil, nem calor
procuramos em vão – pois dor é dor,
não de ser desejada, mas perversa;
ou ceder a uma vontade adversa
ou resistir seria igual. E o Mal,
desse apenas isto é certo: É o Mal.
Bendito o tímido que o mal odeia,
treme na sombra, e o portão cerceia;
que não quer trégua, e em seu solar,
mesmo pequeno, num velho tear
tece pano dourado à luz do dia
sonhado por quem na Sombra porfia.
Benditos os que de Noé descendem
e com suas arcas frágeis o mar fendem,
sob ventos contrários buscando sé,
rumor de um porto indicado por fé.
Benditos os que em rima fazem lenda
ao tempo não-gravado dando emenda.
Não foram eles que a Noite esqueceram,
ou deleite organizado teceram,
ilhas de lótus, um céu financeiro,
perdendo a alma em beijo feiticeiro
(e falso, aliás, pré-fabricado,
falaz sedução do já-deturpado).
Tais ilhas vêem ao longe, e outras mais belas,
e os que os ouvem podem girar as velas.
Viram a Morte e a derrota final,
sem em desespero fugir do mal,
mas à vitória viraram a lira,
seus corações qual legendária pira,
iluminando o Agora e o Que Tem Sido
com brilho de sóis por ninguém vivido.
Quisera com os menestréis cantar
com minha corda o não-visto tocar.
Quisera navegar com os marinheiros
sobre tábuas em montes altaneiros
e viajar numa vaga demanda,
que alguns ao fabuloso Oeste manda.
Quisera entre os tolos ser sitiado,
que em remoto forte, de ouro guardado,
impuro e escasso, recriam leais
imagem tênue de pendões reais,
ou em bandeiras tecem o brasão
fulgurante de não-visto varão.
Não seguirei seus símios progressivos,
eretos e sapientes. Caem vivos
nesse abismo ao qual seu progresso tende –
se por Deus o progresso um dia se emende
e não sem cessar revolva o batido
curso sem fruto com outro apelido.
Não trilharei sua rota sem vacilo,
que a isto e aquilo chama isto e aquilo,
mundo imutável onde não tem parte
o criador com sua pequena arte.
Eu não me curvo à Coroa de Ferro,
nem meu cetrozinho dourado enterro.
No Paraíso pode o olho vagar
do Dia imorredouro contemplar
a ver o que ele ilumina, e nova
Verdade ter com isso como prova.
Olhando a Terra Bendita verá
que tudo é como é, e livre será:
A Salvação não muda, nem destrói,
jardim, criança ou brinquedo corrói.
Mal não verá, pois este está imerso
não no que Deus fez, mas no olhar perverso,
não na fonte, mas em escolha errada,
e não no som, mas na voz quebrantada.
No Paraíso não estão mais confusos;
criam novo, sem mentira nos usos.
Criarão, é certo, não estando mortos,
poetas terão chamas como votos,
e harpas que sem falta tocarão:
do Todo cada um terá quinhão.