Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

Toronto e Niágara

Toronto fica na margem do Lago Ontário. É a maior cidade do Canadá e possui arranha-céus, lojas subterrâneos e lindos parques.
As maiores atrações são a CN Tower , a torre mais alta do mundo; e o SkyDome, o primeiro estádio do mundo a ter um teto móvel. De dentro do Hard Rock Café podemos ver seu interior. Na foto ao lado uma parte da cidade com a torre e o ginásio à direita.
A CN Tower tem 553 metros e não só enfeita a paisagem para os turistas, ela é utilizada em estudos sobre raios, que tentam aprimorar a segurança de edifícios. No alto da torre há um restaurante que gira lentamente seu salão, oferecendo a vista de 360º da cidade.



O prédio velho e o prédio novo da Prefeitura também são muito visitados. Aliás, pela cidade toda podemos ver a mistura de prédios antigos com modernos arranha-céus:













Bom mesmo é viajar mais um pouquinho e visitar as Cataratas do Niágara, Niagara Falls, que ficam em uma pequena cidade às margens do rio Niágara. O barco Maid Of the Mist leva os turistas bem pertinho das quedas.





Ao lado, todos vestidos com as capas de plástico azul que pretendem minimizar os respingos de água.









Há também o Spanish Aero Car, um teleférico que transporta os passageiros sobre o rio Niágara, como se vê na foto ao lado.
 




Mas não só as cataratas podem ser visitadas na província de Ontário. Entre os passeios mais legais, o Jardim Botânico merece uma visita. Niagara Parks Botanical Garden :

Para chegar ao Canadá vindo da cidade de Nova Iorque, atravessamos a ponte Rainbow , Arco-íris, vista na foto abaixo. À noite, um espetáculo pode ser visto nas cataratas. Holofotes direcionados para as águas alternam as cores. Belíssimo!


Sábado, Dezembro 31, 2011

Janus, o Senhor dos Inícios

 Mais do que mostrar a luta entre pai e filho, o mito de Crono  também ilustra temas como  envelhecimento, transformação, renovação, mudança e outros elementos relacionados ao tempo. Crono personificava o Senhor do Tempo, aquele que tudo devora. Além dos próprios filhos, devorava os seres e os destinos. 

O tic-tac do relógio parece inofensivo diante do devorador Crono, mas o relógio é apenas uma de muitas convenções usadas para medir o tempo que percebemos no nascer do sol, na mudança da lua, na primavera e no nosso reflexo no espelho. 

O tempo sempre foi estudado em todas as épocas e em várias áreas do conhecimento, nos mitos, na religião e na ciência. Presente, passado e futuro sempre foram questões abordadas nos aspectos cronológicos, existenciais, reais ou imaginários. 

Passado e futuro são duas fases no ritmo de nossas vidas. O presente está entre o passado e o futuro, uma face que conhecemos, porque foi vivida e outra face que não conhecemos, com todas as suas possibilidades. Esses dois aspectos estão simbolizados nas faces de Janus, divindade romana de aparência bifronte. 

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Solange Firmino

 Publicado na coluna Mito em Contexto em janeiro de 2007. Leia o texto integral aqui.

Quinta-feira, Dezembro 29, 2011

Eu Narciso

“[Narciso] deitou-se tentando matar a sede,
outra mais forte achou. Enquanto bebia,
viu-se na água e ficou embevecido com a própria imagem. (Ovídio, “Metamorfoses”)

Como aprender a me ver
sem me perder?
O reflexo não me explica,
apenas me consome
e me prende.

Uno-me tanto a mim
que meus átomos se juntam
ao meu reflexo.

Como Narciso,
eu sou aquele
no reverso, no inverso,
no espectro que me  devora.

Quando me perco,
é quando me encontro.
Solange Firmino
[9º lugar no concurso Brasil dos Reis 2011] 


Imagem: Narciso, de Caravaggio.


Domingo, Dezembro 18, 2011

Os Sátiros


As atividades agrícolas na Grécia Antiga eram desenvolvidas principalmente nas encostas de planícies e montanhas. Para chegar a muitos desses locais era preciso percorrer bosques, florestas e outros caminhos perigosos; por isso era importante cultivar a terra e cuidar dos animais procurando obter a proteção dos deuses. Dois deuses celebrados como divindades agrícolas são Deméter e Dioniso. Além deles, algumas divindades secundárias foram cultuadas por camponeses, pois elas moravam nos bosques e atendiam mais facilmente quando solicitadas. .

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Solange Firmino

Leia o texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.

Sábado, Dezembro 03, 2011

Haikai para o tempo





um mosaico vivo
a memória vai bordando:
instante que passa

Solange Firmino
 

Imagem: Jorge Manuel Lopes

Sábado, Novembro 26, 2011

Fênix e Samsara: a existência cíclica


Há o ciclo da água e a mudança das estações. Plantas germinam, florescem e morrem. O fruto contém a semente que voltará a ser fruto. Dormimos e acordamos. Há o ciclo menstrual, as fases lunares, o sistema respiratório e os movimentos de rotação e translação da Terra: ritmos, fluxos. 

Elementos químicos, físicos e históricos passam por transformações. Vários processos de mudança acontecem o tempo todo na natureza e no ser humano. As renovações e transformações representam os ciclos pelos quais tudo o que é vivo passa. 

De acordo com algumas religiões, o ser humano passa diversas vezes pelo ciclo de nascimento e morte, como se estivesse preso a uma roda em movimento, que faz com que a existência se repita tantas vezes quantas forem necessárias. 

No decorrer de sua história, querendo dar sentido aos elementos desconhecidos da realidade, o homem produziu variados símbolos. O símbolo traz em si o significado daquilo que representa. Assim, dois símbolos importantes representam a morte e o renascimento na natureza: a ave Fênix e a roda do Samsara.

A mitológica ave Fênix era símbolo da alma entre gregos, chineses e egípcios. Segundo vários mitos, quando acabava seu tempo de vida, ela fazia um ninho com ervas e incensos e expunha-se aos raios de sol, sendo consumida pelas chamas. Das cinzas, renascia uma nova Fênix. Quando uma chama se apaga, outra se acende. Quando uma alma deixa um corpo, passa a habitar outro corpo. Esse é o princípio da reencarnação, presente em muitas religiões. 

Desde os tempos antigos, o fogo é adorado por muitos povos, como símbolo da energia que anima a vida, seja na forma de fogo ou como o próprio Sol. O Sol está presente nas cores vermelhas e douradas com as quais a ave Fênix era representada. E essa ave passou também a ser um símbolo do Sol, que morre todo dia no horizonte e volta a nascer no dia seguinte. 

Durante alguns períodos da arte Cristã, a Fênix, como símbolo de ressurreição e renascimento, foi popularmente associada a Jesus Cristo, que morreu e ressurgiu na Páscoa. É como se Ele, depois de dar a vida em sacrifício pela humanidade, recebesse uma vida nova, como a Fênix. 

Atualmente, o cristianismo não aceita a idéia da reencarnação, apenas a da ressurreição. E não há karma, pois a pessoa vive uma nova vida na “eternidade”, a vida eterna e imortal. O conceito de karma é utilizado em religiões como Budismo e Hinduísmo. Karma é a lei de ação e reação que faz girar a roda do Samsara. 


Para budistas e hinduístas, Samsara é a roda, ou círculo, que simboliza o ciclo de morte e renascimento, o eterno retorno da alma ao mundo, a reencarnação - quando a alma ou espírito deixa um corpo através da morte física e renasce em outro. O objetivo da reencarnação seria a evolução espitirual, ou seja, compreender o eu e o mundo para sair do ciclo nascimento e morte, libertando-se da roda do Samsara. É o que diz, por exemplo, nos Vedas, escritura sânscrita milenar estudada pelos hinduístas. 

Cada vez que a alma renasce, há uma oportunidade de aperfeiçoamento e libertação. Os atos praticados em cada reencarnação definem o karma de cada um na vida futura, ou seja, o karma é determinado pelo acúmulos das boas e más ações. Mas, para sair da roda do Samsara é preciso mais do agir corretamente, fazer dietas, orações e yoga. É finalmente descobrir a nossa natureza divina, chamada Brahma, para conseguir a libertação final. Para os budistas, esse estágio final é a Iluminação, quando o indivíduo torna-se um “buddha”, em sânscrito, iluminado. 

Sidarta Gautama, o príncipe que renunciou ao mundo em busca de sabedoria e iluminação, depois de trilhar um longo caminho, compreendeu a verdade sobre o Universo, tornando-se um iluminado. Buda, como foi chamado depois, passou seus ensinamentos enquanto viveu, pelo bem dos que viviam na ignorância . 

O Nirvana é a libertação total da reencarnação e do sofrimento. Segundo o budismo, é possível parar a roda de reencarnações e atingir o Nirvana através da prática e entendimento de oito passos, o Nobre Óctuplo Caminho. Para Buda, o sofrimento é a causa dos nossos problemas. Esse sofrimento é gerado pelos desejos e apegos. Devemos viver de acordo com o reto agir – o Dharma – para libertação do sofrimento e do karma. 

Os movimentos kardecista e espírita enfatizam a continuidade da vida depois da morte do corpo físico, principalmente a idéia de reencarnação como evolução para os espíritos ou expiação de faltas cometidas nas vidas anteriores. Essa expiação não é exatamente uma penitência, mas uma possibilidade de progresso individual e coletivo. 

Em todas as religiões que aceitam a idéia da reencarnação, o principal é que somos responsáveis pelo nosso destino, a partir do modo como agimos. Fênix tem consciência do seu destino e sabe que precisa renascer. Se não temos certeza das reencarnações, podemos, nessa vida, ter consciência dos nossos ciclos e renascer para novas fases um pouco mais lúcidos. Quem sabe até superamos o Samsara.

Solange Firmino


Publicado em maio de 2006 na coluna Mito em Contexto, em Blocos Online.


Sexta-feira, Novembro 25, 2011

O Saturno Latino


Saturno foi um deus adorado entre os latinos com célebres festas, denominadas Saturnalia ou Saturnais. Saturnus era um antigo deus itálico, anterior à chegada dos Indo-Europeus, que competiu com Líber como divindade da vegetação. Líber acabou se fundindo com o deus Bacchus, de procedência grega, e Saturnus continuou como o deus da semeadura e da vegetação. Etimologicamente, Saturnus provém do adjetivo 'satur', que significa cheio, farto, nutrido, e este provém do verbo saturare, que significa saciar, fartar, saturar, de acordo com sua função de deus da abundância.

Conforme o mito, depois que Zeus destronou Crono, este se refugiou na Ausônia, nome poético da Itália, onde recebeu o nome de Saturno. A Itália teve sua idade de ouro após a chegada de Saturno, quando a terra produzia tudo abundantemente, sem trabalho. O poeta latino Públio Ovídio Nasão narrou em suas Metamorfoses que reinavam a paz, a concórdia, a fraternidade, a igualdade e a liberdade, fazendo de Saturno o herói civilizador, aquele que ensinou a cultura da terra, da paz e da justiça.

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Solange Firmino

Leia o texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.

Imagem: Saturnalia.

Segunda-feira, Novembro 21, 2011

Gato sem Telhado

da janela do apartamento
o gato espreita o silêncio
da tarde sem telhado

Solange Firmino

Sábado, Novembro 12, 2011

O poeta que aprendeu a morrer



A morte traz à tona a vida. Se alguém tiver certeza de que vai morrer daqui a um mês, tentará realizar seus desejos imediatamente e viverá intensamente cada minuto. Mas vivemos como se não soubéssemos da nossa morte. Manuel Bandeira (1886-1968), um dos maiores representantes da poesia modernista, viveu se preparando para a morte. Ele não a desejava, como disse no poema 'Belo Belo': "Tenho tudo que não quero/ Não tenho nada que quero/ Não quero óculos nem tosse"

O poeta esperou morrer jovem devido a "uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado". O doutor sugeriu "tocar um tango argentino" como única solução, no poema 'Pneumotórax', mas a "indesejada das gentes" só veio buscá-lo aos 82 anos, de parada cardíaca, e não de tuberculose.

A ideia da morte iminente inspirou versos que falavam da "vida que poderia ter sido e que não foi". A poesia era sua "vida verdadeira" e ele queria apenas "a delícia de poder sentir as coisas mais simples". A convivência com a doença permitiu ao poeta um trabalho intenso de (re)construção da sua identidade, desde as formas de lidar com a doença até o desenvolvimento das variadas temáticas e formas poéticas. 

A percepção do "mau destino que fez o que quis com o menino bem-nascido" fez com que ele sonhasse com um lugar onde pudesse viver sem as limitações que a doença trazia. Assim, de todas as viagens que fez, os melhores lugares foram os inventados, como indicam os versos do poema 'Testamento': "Vi terras da minha terra./ Por outras terras andei./ Mas o que ficou marcado/ No meu olhar fatigado,/ Foram terras que inventei" .

Sua maior façanha foi trazer a antiga capital da Pérsia para o reino da poesia. Pasárgada tornou-se sua maior metáfora, seu melhor refúgio na imaginação, onde "a existência era uma aventura" e ele podia subir em pau-de-sebo, andar de bicicleta e ser amigo do rei. Principalmente onde podia praticar o epicurismo e os prazeres que a doença não permitiu na real vida estoica, como deitar com a mulher que escolhesse.

Os seguidores do estoicismo aconselhavam viver em obediência à lei natural da vida, aceitando com serenidade a ideia da morte. O filósofo estoico Sêneca dizia que devemos saber morrer para viver, que viver é aprender a morrer. Manuel Bandeira aprendeu a morrer através da poesia da vida. As lições diárias foram com as estrelas e a noite, seus temas constantes, ou com o avião que partia sem medo, no poema 'Lua Nova': "Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir". O rio que corre ensinou a serenidade diante do destino imutável que teria em breve: "Ser como o rio que deflui/ Silencioso dentro da noite. / Não temer as trevas da noite. / Se há estrelas no céu, refleti-las".

Aprendeu as sutilezas da beleza em 'Madrigal melancólico': "E a beleza é triste./ Não é triste em si,/ Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza". Em 'O último poema', percebe que que há beleza também "nas flores quase sem perfume". Em 'Renúncia', mais uma vez demonstrou que estava aprendendo a aceitar a morte, "Procura curtir sem queixa o mal que te crucia", "Sofre sereno e de alma sobranceira... tua desgraça" .

Ele estava pronto para morrer quando percebeu que a morte é também um milagre da vida. O poema 'Preparação para a morte' é o resultado desse aprendizado. Nele, diz que a vida era um milagre. Flor, pássaro, espaço, tempo, memória e consciência. TUDO era milagre para o poeta. Finalmente, admite: "- Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres" .

Manuel Bandeira viveu longos anos aprendendo a morrer. E quando a morte "dura ou caroável" chegou, tudo devia estar no lugar, como diz em 'Consoada': “Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,/ A mesa posta,/ Com cada coisa em seu lugar”.

Solange Firmino 

Imagem: Manuel Bandeira, de Portinari.

Terça-feira, Outubro 11, 2011

As Queres


O conceito de Queres variou bastante no mito grego. Desde a Ilíada, as filhas da Noite já eram confundidas com a Moira, o Destino Cego, e também com as Erínias, vingadoras do sangue parental derramado. As Queres são monstros que foram representadas como Gênios alados, sempre vestidas de preto e com longas unhas aduncas. Dizem as lendas que elas despedaçavam os cadáveres e bebiam o sangue dos mortos e feridos, por isso normalmente apareciam nas cenas de batalhas e momentos de muita violência. 

A função das Queres não era restrita aos campos de batalha, elas também aparecem como destinadas a cada ser humano, personificando o gênero de morte e o gênero de vida determinado a cada um. Assim, o herói Aquiles pôde escolher entre duas Queres, uma que lhe proporcionaria uma vida longa e tranquila, mas inglória; outra que lhe daria uma vida de glória, mas o preço era a morte prematura, e esta foi a que ele escolheu. Zeus pesou na balança as Queres de Aquiles e Heitor na presença dos deuses, para saber qual dos dois pereceria no combate final diante das muralhas de Troia.  

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Solange Firmino

Leia o texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.



Imagem: Orestes e as Erínias.