segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Aniversário


Lya Luft, no livro "O tempo é um rio que corre". Rio de Janeiro: Record, 2014.

Ontem foi meu aniversário. A minha mensagem é esta: vivam.


quinta-feira, janeiro 26, 2017

Haicai

Flor do meu jardim em 24/01/2017
Céu de primavera

há uma brisa que regressa

uma nova flor
[Solange Firmino]
*Haicai que está em "Haicais: mínimos versos das estações", livro meu que ganhou o prêmio de poesia do Pará e será editado em 2017.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Amplidão

Trigal com corvos - Van Gogh


Onde ficam os passos dos pássaros
nos voos pelo céu?

Para onde vão as marcas
em zigue-zague
retas
círculos
rasantes
e linhas (in)exatas?

Quisera ter olhos
para ver...

Seriam como os riscos de
Van Gogh?

Solange Firmino

terça-feira, janeiro 03, 2017

"Deixei a Acrópole, em Atenas"

Eu na Acrópole
Deixei a Acrópole, em Atenas,
como a encontrei.
Pisei suas pedras
olhei as sobrantes figuras derruídas
e agora parto para meu distante país.
Não o fizeram assim os persas,
os turcos,
e aquele inglês avaro
que levou seus mármores.

No topo da montanha, a Acrópole resiste.

No café da manhã, a olhava.
No entardecer, a olhava.
À noite, iluminada, a olhava.

Certa madrugada levantei-me
para (há quatro mil anos)
contemplá-la.

Eu
— exposto a pilhagens e desmontes,
admirei sua permanência.

Um dia estarei morto.
Ela sobreviverá aos bárbaros
e aos que, como eu,
depositaram
aqui
      o seu pasmo.



Affonso Romano de Sant'Anna

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Contrariemos os desencontros


"Não vejo um oásis, porém / Vejo o universo."
Juliana Aguiar


A poesia de Juliana Aguiar, que resolveu se aventurar pelo terreno fértil e sinuoso da poesia, me comoveu. É uma poesia elegante, inventiva e modesta. E convincente na lucidez com que se utiliza das palavras muitas vezes gastas pelo uso. 
Dividido em partes que são Encontros, Desencontros, Diversencontros e Contra-rimemos, a poeta não quer fazer uma interpretação crua da vida e do amor, mas, sobretudo, traz um ponto de vista de quem aprecia poesia e está em constante contato e aprendizado da arte literária.


Encontros


O teor subjetivo da poesia de Juliana Aguiar não significa um enclausuramento em si mesmo, ela quer ir ao encontro do amor e da vida. O poema é isso, o deslumbramento não-explicado que nos transforma. A arte não vai explicar a força da gravidade, ela simplesmente vai ser aquilo que o ser humano quer expressar. E quando é o amor, não precisa de mais nada:

Tudo o que emito / reflete / no seu olhar.


O poema afirma sem susto a importância da poesia para o sentido da vida. É o apelo à vida, que não existiria sem poesia.

Sem poesia nada existiria / nada cairia, impediria, faria / sentido (des)explicar.


Desencontros


Desculpa, me despedaço: / um pedaço é seu / e o outro também o é; / o que eu faço?


Também há uma poesia objetiva, extraída de circunstâncias, reverenciando uma linguagem concisa, para além do espontaneísmo sugerido, constituindo, pois, nos jogos da linguagem, uma sintaxe que dá forma a um mosaico de referências, uma leitura nada inocente por trás da aparente fragilidade dos versos.


Fidelidade é mais que companhia; / soneto, mais que poesia. / sonhar não é realizar.

A poesia é um prazer que fere com doçura.

Quem diria? / a melhor poesia / é fruto da pior agonia.

Todo dia, a mesma sina / acordar, feliz estar / bocejar e seguir a vida.



Diversencontros



Deparamo-nos, aqui, com a poesia tranquilizadora, o sujeito questionador do seu próprio dizer poético e da capacidade de condensar o máximo da vida em mínimos instantes de poesia, e não há palavras que possam expressar esse sentimento:

A vida é linda! / É (?) tão linda / que nem tenho palavras / para me expressar.


Tais poemas valorizam o aparentemente trivial, e captam instantes de um mundo objetivo e exterior, onde o sujeito lírico encontra-se, muitas vezes, desejoso de uma leveza. Por vezes, finge uma ausência inocente.


Oh! Me cortei / não sei se foram nas palavras / ou no avalanche de emoções / que veio de vez.

Se são sonhos, / não os tornem demônios; / se são rios, / não faça desvios

sofro de insônia / e o sono me extravasa.



Está bem claro que o fazer poético limitado a estilos, escolas literárias, tudo que poderia aprisionar a liberdade de expressão do artista é rejeitado. O sujeito lírico se contenta em ser apenas poeta e escrever o que sente.


Bem cuidada a forma, / assimilo-me ao Parnasianismo; / Romantismo, pela emoção. / escrever o que sinto sempre foi a minha paixão.


O conhecimento surge como um artifício para sair do estado de ingenuidade, para o sujeito lírico, pois aprender com os erros é fundamental:


Naquela rua tinha uma pedra, / na qual um dia eu tropecei; / quem não aprende com o erro / novamente erra. / nunca mais naquela rua passei.


O centro pode estar em toda a parte, não há um sentido único para nada.


Não vejo um oásis, porém / vejo o universo.




Contra-rimemos


Como uma criança que acabou de conhecer as palavras, o sujeito lírico brinca, vê que pode brincar com as sílabas, fazê-las suas. Há um jogo de linguagens em toda a obra.


Não precisa ser céptico para ser poético / não precisa de ser infinito para perdurar.

Seja sempre meu sol / e não me sol-te.

Se flor, / não volte; / desabroche.

Assim, o sujeito, quando se assume perdido, se esconde na própria linguagem, fazendo dela um lugar onde se pronuncia.

Mãos / que nunca encontrei / tenho um livre arbítrio / que arbitrar livremente não sei.


Solange Firmino

CONTRARIEMOS OS DESENCONTROS
Autora: Juliana Aguiar
Editora: Multifoco
Ano: 2016

Páginas: 62

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Poesia no ônibus do Balneário de Camboriú

A partir de hoje já estão circulando pelos ônibus do Balneário de Camboriú os adesivos com os poemas vencedores do último concurso. A temática é meio ambiente.
O meu é o de número 29.

terça-feira, dezembro 13, 2016

InComunidade

Leiam esse e outros 8 poemas inéditos do meu próximo livro na edição de dezembro da revista InComunidade:

Mergulhos


Sigo Ícaro pelo ar
e pelo mar
profundo.
Jogo uma oferenda,
repito as palavras
que dão ritmo às ondas.
Como Penélope, teço,
engano com palavras.
Não invejo o melodrama
de Alice em frente ao espelho.
Sou mais Narciso e seu
reflexo.


Medusa me fita,
mas dou uma de Narciso
e evito seu olhar
mirando meu
rosto na água.

PRÊMIO LITERÁRIO 2016 | SEIVA

Ganhei o Prêmio Seiva de Literatura. Muito feliz que vão editar meu livro no Pará. 

Programa de Incentivo à Arte e a Cultura
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Segue e relação dos livros e respectivos autores premiados no projeto de Programa de Incentivo à Arte e a Cultura - SEIVA, edição 2016. O projeto premia 15 autores, e este ano foram premiados quatro livros de Poesia, dois Romances, quatro Contos, uma Crônica, uma Dramaturgia e 3 livros Infanto-Juvenis. Cada livro terá 600 copias publicadas, como prêmio.
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• • PREMIADOS • •
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— POESIA —
• Os Dias & Outros Poemas,
Alfredo Guimarães Garcia,
Ananindeua/Pa
• Poema Pequeno,
Laura Nogueira da Conceição,
Belém/Pa
• À Trois,
Nathália Cruz
Ananindeua/Pa
• Alguns Haicais e Mínimos Poemas,
Solange Firmino,
Rio de Janeiro/Rj

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— ROMANCE —
• Doar Bako,
Francisco Canindé,
Curuça/Pa
• Suicidados – Um Pacto De Amizade
Jonas de França das Chagas,
Iguatu/Ce
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— CONTO —
• • Era Espalhafatoso Amar Naquele Tempo,
Anselmo Gomes
Capanema/Pa
• Ladir Vai ao Parque e Outras Histórias,
Fernando de Jesus Gurjão Sampaio Neto,
Belém/Pa
• Nas Margens,
Kid Nazareno da Costa Quaresma,
Belém/Pa
• Contos Hipermodernos,
Márcia R. Carvalhal Gonzalez,
Salvador/Ba
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— CRÔNICA —
• Outubro dos Dias e Outros Calendários,
Carlos Henrique Valente Moraes,
Ananindeua/Pa
.
— DRAMATURGIA —
• O Príncipe Poeira e a Flor da Cor do Coração,
Saulo Sisnando,
Belém/Pa
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— LITERATURA INFANTO-JUVENIL —
• Alma de Pássaro,
Raimundo Benedito Menezes Da Costa,
Ananindeua/Pa
• Tudo Para Sempre Agora,
José Antônio de Sousa Neto,
Belém/Pa
• Izadora e o Mar,
Nallyton Tiago de Sales Braga,
Belém/PA

domingo, dezembro 04, 2016

Ferreira Gullar - A relativa eternidade

Homenagem ao poeta Ferreira Gullar, que faleceu hoje, 04/12, aos 86 anos de idade.
Esta foto foi tirada na Academia Brasileira de Letras, em 2010, quando a Secretaria Municipal de Educação premiou alunos e professores que participaram do projeto "Rio, Uma Cidade de Leitores", cujo livro tinha dois poemas meus.
Como ele faleceu pela manhã, posto aqui um poema dele sobre a manhã na Lagoa:

A relativa eternidade

Cruzo a rua e vejo
sobre a montanha
que se ergue no horizonte
para além da Lagoa
nuvens matinais
iluminadas
contra um céu muito azul

como na primeira manhã do mundo

(ainda que
em todos os dias do ano
quando faz sol
essa festa matinal se tenha repetido
por séculos)

mas pouco importa:
é hoje manhã pela primeira vez

ainda que
antes de terem aqui chegado os portugueses
já ali estivessem a montanha
o céu azul
e as nuvens a se esgarçarem

quer houvesse
ou não
(como agora)
alguém para vê-los

e então me digo:
se o mundo dura tanto
e eu tão pouco
importa pouco
se ele não for eterno

Ferreira Gullar

quarta-feira, novembro 30, 2016

X CLIPP Ruth Campos

Texto selecionado para a antologia do Concurso Literário de Presidente Prudente:

Memória e esquecimento
Entre os antigos gregos, a memória era um dom. Mnemósine, a Memória personificada, permitia ao Poeta lembrar do passado, resgatar fatos e transmiti-los aos simples mortais por meio da poesia e do canto. A narrativa oral permitia que a memória fosse compartilhada através das gerações. Assim, os grupos que não tinham registro escrito mantiveram suas culturas.
Com o advento da escrita, os fatos não dependiam da memória humana para preservar informações. Suportes de escrita como pergaminho e papel representaram uma extensão da nossa memória. Desenvolvemos meios mais sofisticados para guardar e reproduzir a memória em textos e imagens com a invenção da imprensa, que alterou novamente a memória do indivíduo e dos grupos. Registramos os conhecimentos nos livros, que passaram a desempenhar também o papel de memória coletiva.
Através da memória coletiva, sabemos que pertencemos a um grupo com um passado em comum. Nossa identidade se constitui da mistura de experiências vividas e memórias compartilhadas no grupo. Rearranjamos, estudamos, vivenciamos novas experiências e esquecemos outras. Esquecemos para dar espaço a outras informações. Num processo natural, novas informações se misturam às mais antigas e se transmutam. Isso gera mais informações e novos conhecimentos. Assim, o passado vai construindo o presente. Aprendemos e lembramos.
Para nos ajudar a lembrar, reunimos ao longo dos séculos objetos e variados registros, criamos espaços específicos para armazenamento da memória coletiva, como museus, arquivos públicos e bibliotecas. Mas a memória nunca deixou de ser estudada. A partir do século XX, as ciências ganharam novas teorias sobre o funcionamento da memória, e esses estudos repensaram conceitos como retenção, seleção e esquecimento. A retenção nos incomoda, pois preservamos apenas parte de nossas vivências. A memória é seletiva, não é simplesmente um acúmulo de tudo o que vivemos. É preciso esquecer para não sobrecarregar a memória.
Cada vez mais criamos meios para registrar e preservar a memória fora de nós. O computador e as novas tecnologias aumentaram esta possibilidade. Podemos gravar e consultar em arquivos digitais toda a informação produzida pela humanidade. Conseguimos que os computadores tivessem mais memória que nós. Mas também temos medo deles, já que fazemos filmes e escrevemos livros o tempo todo falando sobre o domínio dos homens pelas máquinas. Desconfiamos das nossas criações, mas confiamos na inesgotável memória delas. Não mais memorizamos números de telefones, e-mails e datas importantes. Tememos catástrofes naturais, mas uma catástrofe digital seria igualmente lamentável.
A internet facilitou o acesso global à informação. Os dados disponíveis nos milhões de páginas representam uma parcela bem grande da nossa memória social, agora dinâmica e navegável. O que parece ser muita informação pode se resumir a pouca, os milhões de títulos disponíveis não significam necessariamente ganho em sabedoria. A memória humana permite não somente conservar, mas filtrar, e isso a memória da internet não faz. Também é questionável a preservação do conhecimento no ambiente virtual, pois não há garantias de que a informação ficará lá sempre.
As novas tecnologias expandiram nossa capacidade para comunicar com mais rapidez, bilhões de páginas de informações continuam crescendo a cada segundo na internet. É uma memória infindável onde se coloca tudo. O excesso de informação nos confunde, e sua quantidade excede nossa capacidade de absorção.
Não adianta tanta informação sobre o presente se não refletimos sobre o passado. As incontáveis páginas concentram-se no presente imediato. Se procurarmos informações antigas sobre assuntos que não sejam tão populares, faremos um longo trabalho de pesquisa. Isso ajuda a distorcer a visão do mundo para os que usam a internet como única fonte de referência, pois essa grande memória parece não ter passado longínquo.

Para as novas gerações, a Escola hoje tem o papel fundamental de trazer à tona o passado, com o qual teremos lições que nos permitirão repensar o presente. Para lembrar, precisamos aprender; não há memória sem aprendizagem. E o nosso maior problema na Educação é a aprendizagem. A “Era tecnológica” pode se tornar a “Era do Esquecimento”, e toda a memória do computador de nada valerá sem a memória humana como interação. Se não aprendermos a usar as tecnologias de forma eficiente, podemos perder nossa memória coletiva. É preciso preservá-la para nós e os que virão.
Solange Firmino

sábado, novembro 26, 2016

I Concurso Impalpável Poeira das Palavras de Poesia

Mais uma vez, estou entre os selecionados.

Resultado do I Concurso Impalpável Poeira das Palavras de Poesia:

1° Lugar – Colecionador de Nadas – Geraldo Trombim (Americana – SP)
2° Lugar – Desordem e Regresso – Edison Oliveira Gil Filho (Sorocaba – SP)
3° Lugar – A Festa – Edileuza Bezerra de Lima Longo (São Paulo – SP)

Menções Honrosas em Ordem Alfabética:
  1. À Indelicadeza da Espécie – Rogério Zola Santiago (Belo Horizonte – MG)
  2. Impotência – Edweine Loureiro da Silva (Saitama –JAP)
  3. Quinta Feira – Paulo Acácio Ramos (Trofa – POR)
  4. Sêmen – Vivian Aurora de Moraes Bragagnolo (Araraquara – SP)
  5. Suspiros D’Alma – Ilda Pinto Almeida (New Jersey – EUA)
Menções Especiais em Ordem Alfabética:
  1. Estatua de Mineiro no Rio – Solange Firmino Souza (Rio de Janeiro – RJ)
  2. Littera – Sílvia Simone Anspach (Santana do Parnaíba – SP)
  3. Nós e a Rosa – Francisco Hélio Sena Brito (Massapê – CE)
  4. Num Futuro não Muito Distante – Aparecida Gianello dos Santos (Martinópolis – SP)
  5. Relicário de Palavras – Henrique Martins Veber (Canoas - RS)
  6. Sou de Lá – Regina Ruth Rincon Caires (Araçatuba – SP)

Cerimônia na Academia Mineira de Letras

Meu trabalho: "Educação, ação e conscientização" mereceu o Segundo Lugar na Categoria Ensaio pela "excelência em expressão literária e conhecimento no enfoque ecológico", segundo palavras da própria DrªHelene Maria Paulinyi, presidente da Academia Feminina mineira de Letras. 
Pela própria estrutura do trabalho a Comissão Julgadora abriu uma nova Categoria ENSAIO para os trabalhos relevantes. 
Conforme o edital, a premiação ocorreu no dia 24 de novembro na Sala Vivaldi Moreira da Academia Mineira de Letras, em Belo Horizonte.


Capa feita especialmente para o certificado 

Com a DrªHelene Maria Paulinyi - Presidente da Academia Feminina mineira de Letras