sexta-feira, março 24, 2017

Orquídeas no Museu

Exposição de 24 a 26 de março de 2017 - no jardim do Museu da Repúplica - das 8h às 17h.


"Orquídeas no Verão" reúne admiradores de orquídeas numa exposição em barraquinhas com dezenas de espécies vendidas baratinho, a partir de 10 reais.


 






terça-feira, março 21, 2017

Haicai de outono

*Imagem: Gustav Klimt, detalhe de 'A ávore da vida'.



Pôr do sol de outono
pássaros pousam nos galhos
pausa para o canto

Solange Firmino

sexta-feira, março 17, 2017

Girassol

Girassol do meu jardim
Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndida, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto.

(Caio F. Abreu.
A morte dos girassóis, in: Pequenas Epifanias)

quinta-feira, março 09, 2017

Dança mágica



Encontro teu corpo no meu passo.
Não hesito ao chamado,
o tempo é finito, a música é breve,
entrego-me ao compasso da dança.

Giro, recuo e avanço,
qual folha ao vento
que leve flutua
em dança alternada.

Sou volúvel
e me enlaço no teu abraço
que me guia as entranhas
em ritmo mágico.

Sussurro um segredo só para te tocar
no corpo e na alma.
Troco olhares em meio ao suspiro.
Elevo-me nos teus braços,
em êxtase para o passo final.

Solange Firmino

*Poema que estará no meu próximo livro.

sexta-feira, março 03, 2017

Exposição "Poesia Agora" em Salvador

Com realização da Via Press Comunicação Integrada, a mostra, considerada a maior exposição de poesia já realizada no país, ficará do dia 15 de março até o dia 28 de maio na CAIXA Cultural Salvador

E tem um poema meu por lá, que pode ser lido aqui.

Exposição Poesia Agora
Período: de 15 de março a 28 de maio de 2017
Horário: das 9h às 18h, de terças-feiras a domingos
Local: CAIXA Cultural Salvador – Rua Carlos Gomes, 57, Centro – Salvador (BA)
Entrada franca



A abertura da mostra acontecerá no dia 14 de março, às 19h, com um sarau de poesias que apresentará nomes de destaque da cena poética local e também vindos de outros estado. 



CONVITE SARAU





segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Aniversário


Lya Luft, no livro "O tempo é um rio que corre". Rio de Janeiro: Record, 2014.

Ontem foi meu aniversário. A minha mensagem é esta: vivam.


quinta-feira, janeiro 26, 2017

Haicai

Flor do meu jardim em 24/01/2017
Céu de primavera

há uma brisa que regressa

uma nova flor
[Solange Firmino]
*Haicai que está em "Haicais: mínimos versos das estações", livro meu que ganhou o prêmio de poesia do Pará e será editado em 2017.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Amplidão

Trigal com corvos - Van Gogh


Onde ficam os passos dos pássaros
nos voos pelo céu?

Para onde vão as marcas
em zigue-zague
retas
círculos
rasantes
e linhas (in)exatas?

Quisera ter olhos
para ver...

Seriam como os riscos de
Van Gogh?

Solange Firmino

terça-feira, janeiro 03, 2017

"Deixei a Acrópole, em Atenas"

Eu na Acrópole
Deixei a Acrópole, em Atenas,
como a encontrei.
Pisei suas pedras
olhei as sobrantes figuras derruídas
e agora parto para meu distante país.
Não o fizeram assim os persas,
os turcos,
e aquele inglês avaro
que levou seus mármores.

No topo da montanha, a Acrópole resiste.

No café da manhã, a olhava.
No entardecer, a olhava.
À noite, iluminada, a olhava.

Certa madrugada levantei-me
para (há quatro mil anos)
contemplá-la.

Eu
— exposto a pilhagens e desmontes,
admirei sua permanência.

Um dia estarei morto.
Ela sobreviverá aos bárbaros
e aos que, como eu,
depositaram
aqui
      o seu pasmo.



Affonso Romano de Sant'Anna

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Contrariemos os desencontros


"Não vejo um oásis, porém / Vejo o universo."
Juliana Aguiar


A poesia de Juliana Aguiar, que resolveu se aventurar pelo terreno fértil e sinuoso da poesia, me comoveu. É uma poesia elegante, inventiva e modesta. E convincente na lucidez com que se utiliza das palavras muitas vezes gastas pelo uso. 
Dividido em partes que são Encontros, Desencontros, Diversencontros e Contra-rimemos, a poeta não quer fazer uma interpretação crua da vida e do amor, mas, sobretudo, traz um ponto de vista de quem aprecia poesia e está em constante contato e aprendizado da arte literária.


Encontros


O teor subjetivo da poesia de Juliana Aguiar não significa um enclausuramento em si mesmo, ela quer ir ao encontro do amor e da vida. O poema é isso, o deslumbramento não-explicado que nos transforma. A arte não vai explicar a força da gravidade, ela simplesmente vai ser aquilo que o ser humano quer expressar. E quando é o amor, não precisa de mais nada:

Tudo o que emito / reflete / no seu olhar.


O poema afirma sem susto a importância da poesia para o sentido da vida. É o apelo à vida, que não existiria sem poesia.

Sem poesia nada existiria / nada cairia, impediria, faria / sentido (des)explicar.


Desencontros


Desculpa, me despedaço: / um pedaço é seu / e o outro também o é; / o que eu faço?


Também há uma poesia objetiva, extraída de circunstâncias, reverenciando uma linguagem concisa, para além do espontaneísmo sugerido, constituindo, pois, nos jogos da linguagem, uma sintaxe que dá forma a um mosaico de referências, uma leitura nada inocente por trás da aparente fragilidade dos versos.


Fidelidade é mais que companhia; / soneto, mais que poesia. / sonhar não é realizar.

A poesia é um prazer que fere com doçura.

Quem diria? / a melhor poesia / é fruto da pior agonia.

Todo dia, a mesma sina / acordar, feliz estar / bocejar e seguir a vida.



Diversencontros



Deparamo-nos, aqui, com a poesia tranquilizadora, o sujeito questionador do seu próprio dizer poético e da capacidade de condensar o máximo da vida em mínimos instantes de poesia, e não há palavras que possam expressar esse sentimento:

A vida é linda! / É (?) tão linda / que nem tenho palavras / para me expressar.


Tais poemas valorizam o aparentemente trivial, e captam instantes de um mundo objetivo e exterior, onde o sujeito lírico encontra-se, muitas vezes, desejoso de uma leveza. Por vezes, finge uma ausência inocente.


Oh! Me cortei / não sei se foram nas palavras / ou no avalanche de emoções / que veio de vez.

Se são sonhos, / não os tornem demônios; / se são rios, / não faça desvios

sofro de insônia / e o sono me extravasa.



Está bem claro que o fazer poético limitado a estilos, escolas literárias, tudo que poderia aprisionar a liberdade de expressão do artista é rejeitado. O sujeito lírico se contenta em ser apenas poeta e escrever o que sente.


Bem cuidada a forma, / assimilo-me ao Parnasianismo; / Romantismo, pela emoção. / escrever o que sinto sempre foi a minha paixão.


O conhecimento surge como um artifício para sair do estado de ingenuidade, para o sujeito lírico, pois aprender com os erros é fundamental:


Naquela rua tinha uma pedra, / na qual um dia eu tropecei; / quem não aprende com o erro / novamente erra. / nunca mais naquela rua passei.


O centro pode estar em toda a parte, não há um sentido único para nada.


Não vejo um oásis, porém / vejo o universo.




Contra-rimemos


Como uma criança que acabou de conhecer as palavras, o sujeito lírico brinca, vê que pode brincar com as sílabas, fazê-las suas. Há um jogo de linguagens em toda a obra.


Não precisa ser céptico para ser poético / não precisa de ser infinito para perdurar.

Seja sempre meu sol / e não me sol-te.

Se flor, / não volte; / desabroche.

Assim, o sujeito, quando se assume perdido, se esconde na própria linguagem, fazendo dela um lugar onde se pronuncia.

Mãos / que nunca encontrei / tenho um livre arbítrio / que arbitrar livremente não sei.


Solange Firmino

CONTRARIEMOS OS DESENCONTROS
Autora: Juliana Aguiar
Editora: Multifoco
Ano: 2016

Páginas: 62