Domingo, Julho 05, 2009

No princípio era o Caos



“No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo.” (Gênesis - Bíblia Cristã)

O Caos não é um conceito exclusivo da mitologia grega. Do Fiat Lux bíblico ao Big Bang, vários povos criaram sua cosmogonia, ou seja, a explicação sobre a origem do Universo. Os poetas da Antiguidade contavam em suas narrativas os mitos sobre a criação do mundo, e todos concordam que no princípio havia o Caos, uma matéria que existia sob forma indefinível. Depois, organizado com as divindades primordiais, O Caos passou a Cosmos.

Alguns contaram que Gaia, a Terra, surgiu do Caos e criou Urano, o Céu, para preencher o espaço vazio sobre ela. Caos também era capaz de fecundar, então gerou Nix e Érebo. Nix, a Noite, representava a escuridão acima da Terra. A escuridão profunda do momento da criação era o Érebo. Como a Terra estava coberta pela obscuridade que a cobria, Nix e Érebo se uniram e finalmente houve a Luz que “clareou” o Universo. Seus filhos foram Éter, representando a luz atmosférica, e Hemera, a luz do dia. Na Bíblia Cristã, é o que mostram os trechos “Disse Deus: Haja luz; e houve luz”; “E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite”.

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Solange Firmino


Texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.


Imagem: GAIA.


Domingo, Junho 28, 2009

Valores necessários para a construção de uma sociedade melhor



Esse texto ficou em 1º lugar no 7º concurso literário da Biblioteca Municipal Prof. Guilherme Biggs - Angra dos Reis - 2007

O mundo atual tem o poder da informação nos livros, TV, jornais, internet e outros meios. Apesar de toda a troca de informações, falta socialização e humanidade, pois temos problemas como aquecimento global, doenças, pobreza e violência.

O estágio atual da globalização produz cada vez mais desigualdades. Crescem diariamente o desemprego, a insegurança e a fome. Por isso, tão urgente quanto resolver questões como o aquecimento global, é resgatar no ser humano a ética de preservação do bem comum e outros valores necessários para salvar a nós e ao mundo.

Os antigos diziam que o homem é um animal político, uma pessoa da polis, que é o espaço de convivência. O homem não existe sozinho, precisa do outro. Desde bebê, o ser humano só sobrevive se tiver cuidados. Temos necessidades afetivas. Muitos dos nossos problemas atuais se devem às carências afetivas. Mas para uma boa convivência é preciso haver ética. Identidade, solidariedade, justiça, diversidade e não violência são valores universais. Os valores éticos não são relativos. Não há como respeitar um indivíduo e desrespeitar outro; respeitar uma religião e não respeitar outra; respeitar o idoso e não respeitar o jovem. Precisamos de uma ética de tolerância e respeito para uma convivência pacífica, indispensáveis no mundo que dizemos ser “globalizado”.

O ideal da sociedade seria formar cidadãos responsáveis, vivendo com o outro harmonicamente, preservando os valores de respeito à liberdade e à vida. Esses valores servem de alicerce para que as pessoas se conectem verdadeiramente na aldeia global que tanto pregam. Há conflitos nas diversas realidades que nos circundam. Estamos perplexos com a guerra e a violência, mas nos isolamos socialmente, rompemos os vínculos afetivos com o outro e achamos que isso é bem-estar.

Precisamos de uma educação baseada na formação de valores. Os jovens estarão comprometidos com a melhora se crescerem como pessoas responsáveis, livres e críticas. Temos a responsabilidade pelo destino do mundo. É preciso que cada um faça a sua parte ao vivenciar e preservar valores como respeito e solidariedade. Se eles prevalecerem sobre a ganância e a estupidez, teremos esperança de sociedades melhores.

Solange Firmino

Sábado, Junho 20, 2009

O herói Perseu


O rei Acrísio era pai de uma linda filha, mas desejava um menino, por isso consultou o Oráculo sobre um herdeiro. Soube então que teria um neto que o mataria. Temendo a profecia, o rei trancou a filha Dânae em uma torre. Lá mesmo a princesa recebeu a visita de Zeus, metamorfoseado em chuva de ouro. Dessa união nasceu Perseu, que se tornaria o herói famoso por matar a Medusa.

Acrísio mandou fazer uma arca e lançou Dânae e o filho ao mar. Zeus enviou ventos favoráveis, que levaram mãe e filho pelo mar até uma praia segura, onde os dois foram encontrados pelo pescador Dictis. Polidectes, o tirano irmão do pescador, apaixonou-se por Dânae e, um dia, querendo afastar Perseu da mãe, obrigou o jovem a trazer a cabeça da Medusa.

Medusa, uma das três irmãs Górgonas, era uma criatura monstruosa com cabelos de serpentes. Não era fácil matá-la, pois bastava um olhar para que petrificasse alguém. Medusa outrora teria sido uma bela mulher, mas ousou se comparar em beleza com Atena. Irritada com a pretensão, a deusa transformou os lindos cabelos da jovem em serpentes, e deu aos seus olhos o poder de transformar em pedra.

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Solange Firmino


Texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.



Domingo, Junho 07, 2009

Ciclope e Galateia


Os ciclopes tinham estatura elevada, imensa força física e um único olho situado no meio da testa. Na mitologia apareceram vários tipos de Ciclopes, como os filhos de Urano e Gaia, que participaram da batalha contra os Titãs; os filhos de Poseidon, que figuraram na Odisseia, e os auxiliares de Hefestos, o deus artesão. Os Ciclopes construtores edificaram enormes blocos de pedra, como as fortificações de Micenas e Tirinto, conhecidas até hoje pela sua estrutura e chamadas por isso de muralhas ciclópicas.

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Solange Firmino


Texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.



Imagem: Eu na Acrópole de Micenas-contrução "ciclópica".


Sábado, Maio 23, 2009

As Danaides


Quando Zeus se apaixonou pela ninfa Io,cobriu a Terra com nuvens para se esconder da esposa Hera, que logo suspeitou e as dispersou. Zeus transformou Io em uma novilha e a ela se uniu na forma de touro. Encontrado junto ao animal, jurou que nunca o tinha visto e Hera o pediu de presente, deixando o deus sem saída. Hera fez de tudo para separar a amante do marido, colocando a novilha em um bosque sob a vigilância de Argos, o cão de cem olhos. Zeus enviou Hermes, que tocou uma flauta e fez Argos adormecer. Em seguida, Hermes matou o vigilante e salvou a ninfa.

Io vagou pelo mundo tentando escapar das torturas de Hera. Depois que Zeus prometeu não mais procurá-la, Hera devolveu sua forma humana. Io não voltou à Grécia, reinou no Egito com o nome de Ísis e teve um filho de Zeus chamado Épafo, considerado encarnação de Ápis, o touro divino dos egípcios. Épafo casou com Mênfis, filha do deus-rio Nilo e teve muitos descendentes. Uma de suas filhas, Líbia, uniu-se a Poseidon e foi mãe de Agenor e Belo. O primeiro reinou na Síria e o segundo ficou no Egito. O rei Belo foi pai dos gêmeos Dânao e Egito.

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Solange Firmino


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Imagem: As Danaides, de Waterhouse.


Sexta-feira, Maio 08, 2009

A paixão de Medéia


Medéia era filha do rei da Cólquida. Sua história se tornou conhecida após a chegada de Jasão e os Argonautas à sua corte. Os nautas chegaram à região após uma série de aventuras pelos mares, a fim de recuperar o Velocino de Ouro. O Velocino (ou Velo) pertencia ao carneiro que salvou os filhos de Átamas de serem sacrificados sob as ordens da madrasta. O carneiro voador com velo de ouro enviado por Zeus levou as crianças nas costas. Passando pelo canal que separa a Europa da Ásia, Hele caiu do carneiro, dando seu nome ao mar abaixo, o Helesponto; Frixo continuou o voo e desceu na Cólquida. O menino sacrificou o carneiro a Zeus e entregou o velo (a pele do carneiro) ao rei, que o consagrou ao deus Ares num bosque guardado por uma serpente.

Jasão deveria pegar o Velocino (ou Velo) para satisfazer as ordens do tio Pélias, usurpador do trono da Tessália. Quando cresceu e exigiu sua herança, Jasão recebeu a tarefa considerada impossível, só então seria rei. Organizou uma expedição em um navio chamado Argos. Entre os Argonautas havia heróis e personagens conhecidos, como Orfeu; os gêmeos Cástor e Pólux; Peleu, pai de Aquiles; e, em alguma parte da jornada, Hércules. Navegaram em direção ao Mar Negro na jornada para Cólquida.

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Solange Firmino


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Imagem: Medéia e as filhas de Pélias.

Segunda-feira, Abril 20, 2009

Nix e seus descendentes

Os primeiros momentos da criação aconteceram no escuro. A luminosidade viria somente a partir de Érebo e Nix, entidades originadas do Caos inicial. Na tradição Órfica, todo o Universo e os deuses primordiais nasceram do Ovo Cósmico de Nix, que surgiu de um desdobramento assexuado do Caos. Érebo seria a escuridão profunda do momento da criação, e mais tarde passou a se localizar na região subterrânea do Hades. A escuridão acima de Gaia era representada por Nix, que teve uma breve união com Érebo e criou Éter, a luz atmosférica, e Hemera, a luz do dia; depois se desdobrou e gerou sozinha outras divindades. Os descendentes mais importantes de Nix foram as Hespérides, as Moiras , Nêmesis, Éris e Lete.

As Hespérides, ou ninfas do Poente, personificavam o final da tarde, momento de transição entre o dia e a noite. Elas viviam em um jardim inacessível situado no extremo Ocidente e guardado por um dragão. O lugar era famoso pelas maçãs de ouro que Gaia deu para a deusa Hera por ocasião do casamento desta com Zeus. Lá também era morada do gigante Atlas, que recebeu o herói Hércules em um de seus doze trabalhos.

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Solange Firmino


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Imagem: Hércules no Jardim das Hespérides.

Domingo, Abril 12, 2009

A Odisseia: Ulisses volta para a casa



Ulisses era rei de Ítaca, e lá morava com a mulher, Penélope, e o filho, Telêmaco. Quando foi declarada a guerra contra Troia, ele fez de tudo para não partir, até se fingiu de doido, mas logo descobriram seu artifício. Os gregos teriam perdido a guerra se Ulisses não tivesse a ideia de construir um cavalo de madeira, o “Cavalo de Troia”, para abrigar os guerreiros dentro. Os troianos pensaram que os gregos tivessem fugido e deixado o cavalo como presente, então o colocaram na cidade. Os gregos saíram de dentro do cavalo e derrotaram Troia.

O poema Ilíada começa no nono ano da Guerra de Troia, com a ira de Aquiles e os acontecimentos em torno disso. A narrativa do poema Odisseia começa após os dez anos da guerra, quando Odisseu/Ulisses tenta voltar para sua pátria. O poema conta as aventuras em terra e mar desse regresso, que durou dez anos. Assim como Homero começou a Ilíada in media res, também começou a história de Ulisses quando já havia sete anos em que estava preso na Ilha de Ogigia com a ninfa Calipso.

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Solange Firmino


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Imagem: Ulisses enfrenta as Sereias.


Terça-feira, Março 24, 2009

Hora do Planeta

Sábado, 28 de março, às 20h30





O WWF-Brasil participa pela primeira vez da Hora do Planeta, um ato simbólico, que será realizado dia 28 de março, às 20h30, no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a apagar as luzes para demonstrar sua preocupação com o aquecimento global.

O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem como objetivo chamar para uma reflexão sobre a ameaça das mudanças climáticas.

Participe! É simples. Apague as luzes da sua sala.


Sábado, Março 21, 2009

Pélops, o amaldiçoado filho de Tântalo


Pélops foi morto pelo pai, Tântalo, que o esquartejou e ofereceu como banquete aos deuses, com o objetivo de pôr à prova a onisciência divina. Tântalo era filho de Zeus e da ninfa Pluto, filha de Oceano e Tétis, o que lhe permitia livre acesso aos deuses, mas ele abusou do privilégio ao revelar segredos divinos e roubar alimentos como néctar e ambrosia, para compartilhar com mortais. Pelas suas transgressões, os deuses o condenaram a um castigo eterno no Hades e trouxeram Pélops de volta à vida.

Quando habitava na região do Peloponeso, Pélops se apaixonou pela filha do rei da Élida, Hipodamia. Enômao temia a profecia de que seria morto por seu genro, então recusava todos os pretendentes da filha e os afastava oferecendo a mão dela como prêmio a quem o vencesse numa corrida de carros. Quem perdesse, seria morto. Enômao era filho de Ares e seus cavalos eram presente do deus, por isso já havia facilmente derrotado os primeiros corajosos, cujas cabeças cortadas eram penduradas na porta de casa para desencorajar os próximos pretendentes.

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Solange Firmino


Texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.

Imagem: Pélops e Hipodamia

É OUTONO!


Acabaram as festas de fim de ano e Carnaval. Antes que cheguem os novos feriadões, teremos um pouco de calmaria em março, mas com o calor que ainda fará em muitos lugares do Brasil, como no Rio de Janeiro, onde o verão parece que nunca dá passagem ao outono.

Embora não percebamos o passar das estações, elas seguem um ciclo misterioso de ir-e-vir. Se prestarmos atenção, até perceberemos sutis mudanças ao redor.

Em março começa o outono, época do ano em que não há tantas flores como na primavera, mas há cores e nuances como não vemos em outra estação. Folhas em tons que vão do amarelo ao vermelho parecem concentrar as cores e energias das estações que passaram.

É no outono que vemos os pores-do-sol mais lindos. A lua fica mais linda no outono, inspirando os poetas. Dizem que os haikaístas ficam mais inspirados nessa época:

"Quietude no templo
palavras pescam poemas
à espera da lua "
[Haikai de Teruko Oda]

No outono, a quietude acontece na vida vegetal, como nas folhas que caem cobrindo o chão. Mas o sentido do outono também pode se refletir na vida humana. Nossos dias são breves como as folhas que caem. As tarde curtas do outono convidam ao descanso antes do inverno, assim como a fase madura da vida adulta convida a colher os frutos plantados. É hora de saboreá-los, sejam frutos da vida profissional, amorosa ou familiar. E, melhor, é hora de preparar essa abundância para o recolhimento do inverno.

Os antigos ritos celebrados em Elêusis, na Grécia, tinham como símbolo o mito de Deméter e Perséfone, que explicava o ciclo anual da colheita. Perséfone era filha de Zeus e Deméter, deusa da agricultura. Ainda jovem, Perséfone foi raptada pelo senhor do reino subterrâneo, Hades, que a tomou por esposa. Deméter, desolada, deixou de executar suas tarefas e as terras tornaram-se estéreis.

Para manter o equilíbrio da natureza, Zeus ordenou que Hades devolvesse Perséfone, mas como ela comera uma semente de romã no mundo subterrâneo, não podia ficar totalmente livre. Foi decidido que Perséfone passaria uma parte do ano com Hades (outono e inverno) e outra parte com Deméter (primavera e verão).

Na primavera, Deméter, a terra cultivável, enfeita o mundo para receber sua filha, como uma semente que brota periodicamente. Os Mistérios de Elêusis celebravam as colheitas e a fecundidade da terra.

Passadas as folias, é hora de fazermos a pausa que nos preparará para um renascimento futuro, ou, pelo menos, para as festas que virão novamente para celebrar os ciclos ou simplesmente para troca de presentes.

Se aprendermos com os ritmos da natureza, saberemos que não haverá morte, pelo menos não a morte física. Se há um recolhimento, é para a renovação e preparação da nova vida.

Quando chegar o outono,
quero as folhas
que enfeitam o chão,
húmus vegetal,
começo de árvore
em outra estação.
[Solange Firmino, trecho do poema "Sabedoria vegetal"]


Solange Firmino

Texto publicado em 2006 na temática Outono em Blocos online