quarta-feira, novembro 22, 2017

Canção da Mulher que Escreve - Lya Luft

Flores do meu jardim para minha amiga poeta, que faz aniversário hoje.


Não perguntem pelo meu poema:
nada sei do coração do pássaro
que a música inflama.

Não queiram entender minhas palavras:
não me dissequem, não segurem entre vidros
essas canções, essas asas, essa névoa.
Não queiram me prender como um inseto
no alfinete da interpretação:
se não podem amar o meu poema, deixem
que seja apenas um poema.


(Nem eu ouso erguê-lo entre meus dedos
e perturbar a sua liberdade).


In: Secreta Mirada, 1997
São Paulo: Editora Mandarim 




*Observação: Flores do meu jardim entre 14 e 21 de novembro de 2017.


segunda-feira, novembro 20, 2017

Completude

"Eu me deixo acontecer
no agora,
com a plenitude do abstrato futuro."


Solange Firmino

Trecho do poema "Completude", no livro 'Das estações'.

*Fotografia tirada por mim no jardim da minha janela. 
Os girassóis morrem, outros nascem, esse tem 4 dias que começou a aparecer pétala...

Link para o poema inteiro: https://www.instagram.com/p/BbuDV0WAOID/

sábado, novembro 11, 2017

Bem-me-quer





















Bem-me-quer

Recolhe meu grito
e junta minhas palavras-pétalas
soltas ao vento.


Partida, não amo, calo.
Junta-me,
antes que eu emudeça.


Solange Firmino

{No livro "Das estações"}


*Imagem do meu girassol nos últimos dias, 
juro por Deus que não foi intencional...

terça-feira, outubro 31, 2017

Hades e o reino dos mortos

As Danaides, De Waterhouse.
Na divisão do reino de Crono, cada irmão obteve um domínio: o mar para Poseidon, o céu para Zeus e o mundo subterrâneo para Hades, a morada final dos mortos. O reino de Hades aparece em lendas como o rapto de Perséfone, os doze trabalhos de Hércules e os castigos eternos de transgressores das leis divinas, como Sísifo e Íxion.

Hades reinou com Perséfone, que foi raptada pelo deus. Após o desaparecimento da filha, Deméter deixou a terra estéril quando parou de realizar suas atividades como deusa da agricultura. Para não alterar a ordem do mundo, Zeus negociou com Hades. Perséfone comeu uma romã e estava ligada ao Hades, mas foi liberada para passar uma parte do ano com a mãe e outra parte ao lado do marido. Esse mito ilustrava o ciclo das estações

Perséfone foi levada pelo deus, mas nenhum ser vivo podia entrar no Hades, entretanto, alguns conseguiram, como Enéias, Orfeu e Hércules. Os heróis tinham em seu “currículo” um rito iniciático de descida ao Hades, ou catábase, como uma morte simbólica – em que a subida, ou anábase, possibilitava o autoconhecimento. Homero narrou na Odisseia a descida de Ulisses, orientado pela feiticeira Circe a consultar Tirésias sobre o caminho para Ítaca.

*O texto continua aqui:


Solange Firmino

segunda-feira, outubro 23, 2017

Sazonal

Trilha da Pedra da Tartaruga, zona oeste do Rio de Janeiro, foto tirada por mim em março de 2017.

Sazonal


Não falarei dos frágeis pêndulos
que se confundem com o ruído dos relógios,
nem da escuridão que vem do abismo.

Não sabia que era tão breve e voraz a vida.
Vou apenas falar que a linha
que separa a noite
do abismo é uma teia.

Traço planos para amanhã,
enquanto escrevo meu testamento.
Eu me batizo em nome dessa vastidão
que nunca se repete.

Mergulho lentamente da parte mais íngreme,
não tenho medo do luto.

Solange Firmino

Do meu livro "Geometria do abismo"

quarta-feira, outubro 04, 2017

A arte de envelhecer

Meu poema ficou entre os três melhores no II Concurso ALAP “Paranavaí Literária”.
Os poemas temáticos escolhidos pela Academia nesta segunda edição versaram sobre o idoso e a arte de envelhecer.
A entrega da premiação ocorrerá no dia 31 de outubro de 2017, durante evento comemorativo do Dia Nacional da Poesia (instituído pela Lei nº 13.131, de 3 de junho de 2015, em homenagem à data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade).



Inexorável

Na véspera de minha morte, naufraguei nas abissais ondas do Letes.
Subornei oráculos para saber meu fim, mas os vates discretos resistiram,
assediaram-me com seu séquito de sacerdotisas sensuais.
Eles sabiam da minha fadiga e trouxeram asas, como as de Ícaro.
Foi assim que caí feliz no abismo.
Até gostei do espaço entre o chão e a queda…

Com o tempo, o espelho me envelheceu.
Nele me vi, e vi inteiros
os versos atirados nos lagos mansos dos olhos,
isentos de eternidade,
mas cheios de memórias e descaminhos.

Abri os lábios e saíram palavras indecifráveis
em busca de abraços e gestos sem punhaladas.
Como dizer-me que os espelhos também deformam?
Eles não refletiram quem eu sou,
Só vi o rosto antigo de criança-adulta, esculpido no reflexo.
Nunca foi a parte inteira e etérea do infinito materializado.

Eu e meu nome, somos mais que álbuns, recortes, paisagens,
pedaços de percursos, calendários,
gestos e cores nas fotografias
e nos passos idos.

Faço uma reza.
Envelhecer é simples,
mas ainda tenho uma canção de ninar
nessa tarde de abril, de quentura insuportável.
Ignoro a morte que se esquiva
exilada nas sombras, extenuada das lonjuras da idade.
Ela tem uma sede envelhecida.

Solange Firmino



Vocabulário

Letes – Rio do Hades. Quem bebesse de suas águas esquecia das vidas passadas.
Oráculo – Divindade consultada, intermediário humano, ou ainda o lugar sagrado que transmite a resposta.
Vates – profetas, videntes.
Séquito – Conjunto de pessoas.

domingo, outubro 01, 2017

Outubro rosa:
1 mês inteiro para lembrar que
1 minuto de autoexame pode salvar
1 vida.

O "Outubro Rosa" tem como objetivo fortalecer as recomendações para o diagnóstico precoce e rastreamento de câncer de mama indicados pelo Ministério da Saúde.

quinta-feira, setembro 21, 2017

Primavera no ar...

"Chegam aromas de amanhã em mim." 
Manoel de Barros
 
Fotografia tirada por mim em Casimiro de Abreu - RJ



*Um brinde à chegada da primavera amanhã. 

quarta-feira, setembro 13, 2017

Onde está seu sonho?

Ganhei menção honrosa no “6º Concurso Literário Pague Menos”. Este Concurso, além de incentivar a arte e a cultura no nosso país, tem por objetivo disseminar a imagem da PAGUE MENOS como uma empresa de inovação e ousadia, que incentiva os milhões de brasileiros a sonhar, revolucionar e crescer também.
Assim que estiver com o livro em mãos, postarei a foto aqui.

segunda-feira, julho 31, 2017

Inverno

Foto tirada por mim em Gramado
















São intermináveis
as luas e os sóis
e o milagre dos dias que irrompe.



Chove em mim e o
ventre do abismo
acolhe o trajeto dos pássaros.


Vejo frutas prematuras
na paisagem que criou
este poema.


Logo será tempo de morrer
e entoar um cântico
de renovação
ao fascínio incerto
do solstício.


É familiar esse aceno
das árvores
que me seduz
em pleno mês de julho.


(No meu livro "Geometria do abismo")

quinta-feira, julho 06, 2017

Espólio



"O mantra do silêncio é calar"

[Solange Firmino]


(Trecho do poema "Espólio", no livro 'Geometria do abismo')

terça-feira, julho 04, 2017

Transição

Imagem de Altair Castro - Jardim Botânico

Cecília Meireles

O amanhecer e o anoitecer
parece deixarem-me intacta.
Mas os meus OLHOS estão vendo
o que há de mim, de mesma e exata.
Uma tristeza e uma alegriao meu pensamento entrelaça:
na que estou sendo cada instante,
outra imagem se despedaça.

Este mistério me pertence:
que ninguém de fora repara
nos turvos rostos sucedidos
no tanque da memória clara.
Ninguém distingue a leve sombra
que o autêntico desenho mata.
E para os outros vou ficando
a mesma, continuada e exata.
(Chorai, olhos de mil figuras,
pelas mil figuras passadas,
e pelas mil que vão chegando,
noite e dia... - não consentidas,
mas recebidas e esperadas!)


sexta-feira, junho 30, 2017

Aventureira

*Imagem cedida gentilmente pela amiga Linda Prestifilippo.
Aventureira

Há muito não é donzela,
a fêmea versátil,
tresloucada e atrevida,
com pose de menina,
vestido de bacante,
quase miss universo,
a musa do poeta.
Ela, tão devota a ele.

Solange Firmino


(No livro "Das estações")


*Poema que fiz ano passado para a Luciana Fregolente, musa do cantor Leoni.

quarta-feira, junho 28, 2017

Ampulheta


Ampulheta

O relógio me desorienta,
enquanto demoro a digerir a vida.
Travo uma batalha diária
entre a sorte e a fé.
Mas estou para o que der
e vier.

Solange Firmino

(No livro "Das estações")

segunda-feira, junho 26, 2017

Poesia Agora - Exposição Rio de Janeiro na Caixa Cultural - 2017


Fui visitar mais uma vez meu poema na Exposição Poesia Agora, já que ele está apenas a duas estações de metrô da minha casa.
Quando estava em São Paulo eu fui, agora eu tenho a obrigação de ir mais de uma vez!

*Meu poema, desafio poético sem a letra A. (Irreconhecível)




Minha prima escrevendo.





 

terça-feira, junho 20, 2017

Inverno


Em homenagem ao inverno, que começa na madrugada desta quarta-feira, um poema que está no meu segundo livro, "Das estações":


Véspera

Por ora,

é preciso estar atento ao tempo, 
que tudo devora,
como a solidão que corrói o indivíduo.


Na escuridão, a luz frágil flui:
sol dourado que sobrevém ao sono.

Quando eu acordar,
no alvoroço do café,
já será outra estação.



(No livro "Das estações")

domingo, junho 18, 2017

Crisálida



Crisálida

Larva-palavra
presa no cárcere do eu.
O ritmo pulsa
do abismo interno,
casulo prestes a acordar,
e desata em
poema-borboleta.

Solange Firmino


(No livro "Geometria do Abismo")

domingo, junho 11, 2017

Poesia Agora no Rio de Janeiro

Quem está fazendo poesia, agora, no Brasil? 
Esse questionamento foi o ponto de partida da exposição “Poesia agora”, que abriu ontem com um sarau na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, depois de passagens bem-sucedidas pelo Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, em 2015, (onde estive) e, mais recentemente, pela Caixa Cultural em Salvador (que pedi a minha amiga para fotografar meu poema) . 

Para o curador e poeta Lucas Viriato, um dos criadores do jornal de poesia “Plástico Bolha”, o grande diferencial da mostra é sua proposta de fazer um panorama da produção poética brasileira atual. 
A “Poesia agora” traz trabalhos de mais de 500 nomes.

Eis algumas de minhas fotos.
Na entrada





No banheiro
Meu poema. Desafio poético sem a letra A.


quarta-feira, junho 07, 2017

Eu, em sépia.


















Sobriedade


Hoje estou antiga, 
mas vou sobrevivendo para assistir
e aplaudir os pores do sol
do outono. 
Divido os grãos com sabedoria,
não quero desperdício.
A musa se esconde,
por isso estou no comando.
Busco versos antigos
e pronuncio rimas esquecidas.
Sustento-me com as palavras herdadas,
não quero passar em 
branca nuvem.
Enquanto restar vida, sonho.
É como aprendo a ser lúcida
e eterna.



*No meu terceiro livro, "Das estações".

terça-feira, maio 30, 2017

Ícaro: cartão poético

Mais um cartão poético confeccionado por Carlos Machado, editor do site Alguma Poesia:

Carlos foi quem escreveu o prefácio do meu primeiro livro, Fragmentos da insônia.


O outro cartão poético está nesse link:

Quem quiser curtir o Poesia.Net no Facebook, o link é:
www.facebook.com/avepoesia


sábado, maio 27, 2017

Exposição Poesia Agora

Chegou a vez do RIO!


Depois de São Paulo e Salvador,10 de junho de 2017 tem Sarau de Abertura da Exposição Poesia Agora na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, de 16h às 21h. 


A exposição (que tem poema meu) ficará até 6 de agosto em cartaz.

 

Av. Alm. Barroso, 25 - Centro, telefone: (21) 3980-3815










quarta-feira, maio 10, 2017

Meu poema na exposição



Ainda está até 28 de maio, em Salvador.


Já foi falado aqui:


Exposição Poesia Agora


Período: de 15 de março a 28 de maio de 2017


Horário: das 9h às 18h, de terças-feiras a domingos


Local: CAIXA Cultural Salvador – Rua Carlos Gomes, 57, Centro – Salvador (BA)


Entrada franca


Uma amiga fotografou meu poema lá:




sábado, maio 06, 2017

Livros novos



Olá, pessoal!

Já estou com meus dois livros novos de poesia, "Das estações" e "Geometria do abismo".

Quem quiser adquirir, é só entrar em contato via e-mail (solange.firmino@gmail.com), que passo os dados bancários. 
Cada um custa 25, os dois por 40.

Quem teve a oportunidade de adquirir o primeiro livro, "Fragmentos da insônia", não se arrependeu.

Abraços

segunda-feira, abril 17, 2017

Esfinge

Poema da página 29 do meu livro 'Fragmentos da insônia'.
Quem quiser ler um texto que escrevi sobre a esfinge.

Esfinge de Naxos - Estátua de mármore do santuário de Apolo em Delfos. Da coluna original de 10m,
resta o capitel jônico. Fotografia: Solange Firmino

Quem quiser ler um texto que escrevi sobre a esfinge, para a coluna Mito em Contexto,
vem aqui.