Todos os eus
que absorvem o concreto das coisas
percorrem pelos inconcretos avessos
em busca de refúgio
do abrasamento nada suave
em se sentirem destoantes
nós sabemos dos poemas intactos que se bastam
sem precisar ser escritos
mas os poemas não têm sido usados
para salvar o mundo
de que adianta escrevê-los em
pedra, pergaminho, papel ou computador?
reparamos nas nuvens inquietas
enquanto anoitece
os traços desenhados da vida
nas iminentes chuvas
não nos causam mais medo
festejamos a vida
a cada segundo que descortina a manhã
o medo de existir nas odisseias se extingue
não navegamos ao léu
nem estamos submersos
neste mar de delírios
já vimos Narciso se acabar no espelho
vivemos na espera
sabemos que a vida resiste
temos pronta a oração
para a travessia
Solange Firmino

2 comentários:
Um poema que celebra o teu aniversário com palavras ao mesmo tempo inquietas e serenas, ao mesmo tempo de esperança e de incerteza.
Que a vida te seja generosa porque mereces, minha Amiga, mulher-guerreira.
Uma boa semana com muita saúde.
Um beijo.
Parabéns.
Que a vida lhe sorria sempre
bjs
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