sexta-feira, abril 07, 2006

Um louco de juízo

Imagine um cavaleiro forte, corajoso, honrado, cortês, leal e belo. Ele luta, heroicamente, contra as injustiças e os monstros em um mundo de objetos mágicos, fadas, magos e belas donzelas, que inspiram os mais puros amores. Você pode encontrá-lo na história de Amadis de Gaula, uma famosa novela de cavalaria do século XIV, de autoria disputada entre portugueses e espanhóis.
No século XVII, as novelas de cavalaria ainda eram populares na Europa e Miguel de Cervantes y Saavedra escreve Dom Quixote de La Mancha. Apresenta a história ao público em duas partes, a primeira em 1605 e a segunda em 1615. A intenção de Cervantes não era, exatamente, dar continuidade ao estilo de novelas como Amadis de Gaula. Ao contrário. Sua intenção era ridicularizar e criticar heróis como Amadis, tanto que até fazia parte da biblioteca de Dom Quixote.
(...)



Leia esse texto integral na coluna Transversais do Tempo, na E-Zine Entre Palavras.

Quixotesca

[Para Simone Sales]

Se musas me visitam
com rimas de velhas cantigas
Se vivo os dramas de Shakespeare
Se vejo os infernos de Dante
Sou mais um louco a sonhar?
Louco é o mundo
sem guerreiros
sem um Sancho amigo
e donzelas em perigo
Ergo a espada sem temor
em lutas nada vãs
com meus moinhos diários
que insistem em ser gigantes

E cada um não tem
seu gigante a combater?
Minha loucura é acreditar
que meus gigantes
são moinhos

Solange Firmino


Imagem: Quixote de Gustav Doré


2 comentários:

Rose disse...

Sol, que texto espetacular você nos presenteou. Estou encantada e feliz em poder ter a oportunidade de ser uma de tuas leitoras.

O poema para Simone está lindo e ela é merecedora.

Beijos e um belo domingo!
Rose :-)

vera disse...

Nada mais poético que sua versão de Cervantes embalado pela voz da Betânia! O prazer de ler se completa quando vivenciando Quixote elege e homenageia nova musa Dulcineia. Parabéns pela coluna!