Aqui estão os inícios dos textos da coluna "Mito em Contexto", escritos por mais de 6 anos para o site Blocos online. Também estão alguns poemas dos 7 livros escritos por mim. E também alguns ensaios, haicais e outros textos.
quarta-feira, maio 10, 2017
sábado, maio 06, 2017
Livros novos
Já estou com meus dois livros novos de poesia, "Das estações" e "Geometria do abismo".
Quem quiser adquirir, é só entrar em contato via e-mail (solange.firmino@gmail.com), que passo os dados bancários.
Cada um custa 25, os dois por 40.
Quem teve a oportunidade de adquirir o primeiro livro, "Fragmentos da insônia", não se arrependeu.
Abraços
segunda-feira, abril 17, 2017
Esfinge
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Poema da página 29 do meu livro 'Fragmentos da insônia'.
Quem quiser ler um texto que escrevi sobre a esfinge.
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| Esfinge de Naxos - Estátua de mármore do santuário de Apolo em Delfos. Da coluna original de 10m, resta o capitel jônico. Fotografia: Solange Firmino Quem quiser ler um texto que escrevi sobre a esfinge, para a coluna Mito em Contexto, vem aqui. |
segunda-feira, abril 10, 2017
Cartão poético
Este belo cartão poético foi confeccionado pelo Carlos Machado, poeta e jornalista,
editor do site Poesia.Net:
http://www.algumapoesia.com.br/poesia.htm
Carlos quem apresentou meu livro, Fragmentos da insônia.
Quem quiser curtir o Poesia.Net no Facebook,o link é:
segunda-feira, abril 03, 2017
Trilha da Pedra da Tartaruga - Barra de Guaratiba - Rio de Janeiro
A Pedra da Tartaruga é um refúgio rochoso com 98 metros de altitude, localizada na região das praias selvagens de Barra de Guaratiba, na Zona Oeste Rio de Janeiro.
Esse lugar fantástico fica dentro do Parque Estadual da Pedra Branca. A pedra tem este nome pela semelhança com uma tartaruga, como se pode ver na primeira foto.
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| Primeira vista da Pedra da Tartaruga, foto por Sol Firmino. |
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| A 'cabeça', foto por Sol Firmino. |
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| Eu, foto por Mara Libber. |
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| Praia das Conchas, foto por Sol Firmino. |
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| Praia do Perigoso, para onde fomos onde fomos depois, foto por Sol Firmino. |
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| Em cima da 'cabeça' da tartaruga. Foto por Mara Libber. |
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| Algumas praias selvagens da região: praia do Meio, Funda e Inferno. Foto por Sol Firmino |
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| Restinga de Marambaia lá no final. Foto por Mara Libber. |
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| Aqui dá para ter uma ideia de onde partimos, de Barra de Guaratiba. Muito chão até a pedra... Ufa! |
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| Meu filho (de camisa vermelha) no stand up paddle, em Barra de Guaratiba. |
*Essa foi a atividade de retorno de 2017 do 30°GEAR São Miguel, em que os responsáveis também participaram.
Sempre Alerta!
segunda-feira, março 27, 2017
Folha caída
sexta-feira, março 24, 2017
Orquídeas no Museu
Exposição de 24 a 26 de março de 2017 - no jardim do Museu da Repúplica - das 8h às 17h.
"Orquídeas no Verão" reúne admiradores de orquídeas numa exposição em barraquinhas com dezenas de espécies vendidas baratinho, a partir de 10 reais.
terça-feira, março 21, 2017
Haicai de outono
sexta-feira, março 17, 2017
Girassol
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| Girassol do meu jardim |
Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndida, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto.
(Caio F. Abreu.
A morte dos girassóis, in: Pequenas Epifanias)
quinta-feira, março 09, 2017
Dança mágica
Não hesito ao chamado,
o tempo é finito, a música é breve,
entrego-me ao compasso da dança.
Giro, recuo e avanço,
qual folha ao vento
que leve flutua
em dança alternada.
Sou volúvel
e me enlaço no teu abraço
que me guia as entranhas
em ritmo mágico.
Sussurro um segredo só para te tocar
no corpo e na alma.
Troco olhares em meio ao suspiro.
Elevo-me nos teus braços,
em êxtase para o passo final.
Solange Firmino
*Poema que estará no meu próximo livro.
*Poema que estará no meu próximo livro.
sexta-feira, março 03, 2017
Exposição "Poesia Agora" em Salvador
Com realização da Via Press Comunicação Integrada, a mostra, considerada a maior exposição de poesia já realizada no país, ficará do dia 15 de março até o dia 28 de maio na CAIXA Cultural Salvador.
E tem um poema meu por lá, que pode ser lido aqui.
Exposição Poesia Agora
Período: de 15 de março a 28 de maio de 2017
Horário: das 9h às 18h, de terças-feiras a domingos
Local: CAIXA Cultural Salvador – Rua Carlos Gomes, 57, Centro – Salvador (BA)
Entrada franca
Período: de 15 de março a 28 de maio de 2017
Horário: das 9h às 18h, de terças-feiras a domingos
Local: CAIXA Cultural Salvador – Rua Carlos Gomes, 57, Centro – Salvador (BA)
Entrada franca
A abertura da mostra acontecerá no dia 14 de março, às 19h, com um sarau de poesias que apresentará nomes de destaque da cena poética local e também vindos de outros estado.
segunda-feira, fevereiro 06, 2017
Aniversário
quinta-feira, janeiro 26, 2017
Haicai
quarta-feira, janeiro 11, 2017
Amplidão
terça-feira, janeiro 03, 2017
"Deixei a Acrópole, em Atenas"
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| Eu na Acrópole |
como a encontrei.
Pisei suas pedras
olhei as sobrantes figuras derruídas
e agora parto para meu distante país.
Não o fizeram assim os persas,
os turcos,
e aquele inglês avaro
que levou seus mármores.
No topo da montanha, a Acrópole resiste.
No café da manhã, a olhava.
No entardecer, a olhava.
À noite, iluminada, a olhava.
Certa madrugada levantei-me
para (há quatro mil anos)
contemplá-la.
Eu
— exposto a pilhagens e desmontes,
admirei sua permanência.
Um dia estarei morto.
Ela sobreviverá aos bárbaros
e aos que, como eu,
depositaram
aqui
o seu pasmo.
Affonso Romano de Sant'Anna
segunda-feira, dezembro 19, 2016
Contrariemos os desencontros
"Não vejo um oásis, porém / Vejo o universo."
Juliana Aguiar
A poesia de Juliana Aguiar, que resolveu se aventurar pelo terreno fértil e sinuoso da poesia, me comoveu. É uma poesia elegante, inventiva e modesta. E convincente na lucidez com que se utiliza das palavras muitas vezes gastas pelo uso.
Dividido em partes que são Encontros, Desencontros, Diversencontros e Contra-rimemos, a poeta não quer fazer uma interpretação crua da vida e do amor, mas, sobretudo, traz um ponto de vista de quem aprecia poesia e está em constante contato e aprendizado da arte literária.
Encontros
O teor subjetivo da poesia de Juliana Aguiar não significa um enclausuramento em si mesmo, ela quer ir ao encontro do amor e da vida. O poema é isso, o deslumbramento não-explicado que nos transforma. A arte não vai explicar a força da gravidade, ela simplesmente vai ser aquilo que o ser humano quer expressar. E quando é o amor, não precisa de mais nada:
Tudo o que emito / reflete / no seu olhar.
O poema afirma sem susto a importância da poesia para o sentido da vida. É o apelo à vida, que não existiria sem poesia.
Sem poesia nada existiria / nada cairia, impediria, faria / sentido (des)explicar.
Desencontros
Desculpa, me despedaço: / um pedaço é seu / e o outro também o é; / o que eu faço?
Também há uma poesia objetiva, extraída de circunstâncias, reverenciando uma linguagem concisa, para além do espontaneísmo sugerido, constituindo, pois, nos jogos da linguagem, uma sintaxe que dá forma a um mosaico de referências, uma leitura nada inocente por trás da aparente fragilidade dos versos.
Fidelidade é mais que companhia; / soneto, mais que poesia. / sonhar não é realizar.
A poesia é um prazer que fere com doçura.
Quem diria? / a melhor poesia / é fruto da pior agonia.
Todo dia, a mesma sina / acordar, feliz estar / bocejar e seguir a vida.
Diversencontros
Deparamo-nos, aqui, com a poesia tranquilizadora, o sujeito questionador do seu próprio dizer poético e da capacidade de condensar o máximo da vida em mínimos instantes de poesia, e não há palavras que possam expressar esse sentimento:
A vida é linda! / É (?) tão linda / que nem tenho palavras / para me expressar.
Tais poemas valorizam o aparentemente trivial, e captam instantes de um mundo objetivo e exterior, onde o sujeito lírico encontra-se, muitas vezes, desejoso de uma leveza. Por vezes, finge uma ausência inocente.
Oh! Me cortei / não sei se foram nas palavras / ou no avalanche de emoções / que veio de vez.
Se são sonhos, / não os tornem demônios; / se são rios, / não faça desvios
sofro de insônia / e o sono me extravasa.
Está bem claro que o fazer poético limitado a estilos, escolas literárias, tudo que poderia aprisionar a liberdade de expressão do artista é rejeitado. O sujeito lírico se contenta em ser apenas poeta e escrever o que sente.
Bem cuidada a forma, / assimilo-me ao Parnasianismo; / Romantismo, pela emoção. / escrever o que sinto sempre foi a minha paixão.
O conhecimento surge como um artifício para sair do estado de ingenuidade, para o sujeito lírico, pois aprender com os erros é fundamental:
Naquela rua tinha uma pedra, / na qual um dia eu tropecei; / quem não aprende com o erro / novamente erra. / nunca mais naquela rua passei.
O centro pode estar em toda a parte, não há um sentido único para nada.
Não vejo um oásis, porém / vejo o universo.
Contra-rimemos
Como uma criança que acabou de conhecer as palavras, o sujeito lírico brinca, vê que pode brincar com as sílabas, fazê-las suas. Há um jogo de linguagens em toda a obra.
Não precisa ser céptico para ser poético / não precisa de ser infinito para perdurar.
Seja sempre meu sol / e não me sol-te.
Se flor, / não volte; / desabroche.
Assim, o sujeito, quando se assume perdido, se esconde na própria linguagem, fazendo dela um lugar onde se pronuncia.
Mãos / que nunca encontrei / tenho um livre arbítrio / que arbitrar livremente não sei.
Solange Firmino
CONTRARIEMOS OS DESENCONTROS
Autora: Juliana Aguiar
Editora: Multifoco
Ano: 2016
Páginas: 62
Autora: Juliana Aguiar
Editora: Multifoco
Ano: 2016
Páginas: 62
quinta-feira, dezembro 15, 2016
Poesia no ônibus do Balneário de Camboriú
A partir de hoje já estão circulando pelos ônibus do Balneário de Camboriú os adesivos com os poemas vencedores do último concurso. A temática é meio ambiente.
O meu é o de número 29.
terça-feira, dezembro 13, 2016
InComunidade
Leiam esse e outros 8 poemas inéditos do meu próximo livro na edição de dezembro da revista InComunidade:
Mergulhos
Sigo Ícaro pelo ar
e pelo mar
profundo.
Jogo uma oferenda,
repito as palavras
que dão ritmo às ondas.
Como Penélope, teço,
engano com palavras.
Não invejo o melodrama
de Alice em frente ao espelho.
Sou mais Narciso e seu
reflexo.
Medusa me fita,
mas dou uma de Narciso
e evito seu olhar
mirando meu
rosto na água.
Mergulhos
Sigo Ícaro pelo ar
e pelo mar
profundo.
Jogo uma oferenda,
repito as palavras
que dão ritmo às ondas.
Como Penélope, teço,
engano com palavras.
Não invejo o melodrama
de Alice em frente ao espelho.
Sou mais Narciso e seu
reflexo.
Medusa me fita,
mas dou uma de Narciso
e evito seu olhar
mirando meu
rosto na água.
PRÊMIO LITERÁRIO 2016 | SEIVA
Ganhei o Prêmio Seiva de Literatura. Muito feliz que vão editar meu livro no Pará.
Programa de Incentivo à Arte e a Cultura
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Segue e relação dos livros e respectivos autores premiados no projeto de Programa de Incentivo à Arte e a Cultura - SEIVA, edição 2016. O projeto premia 15 autores, e este ano foram premiados quatro livros de Poesia, dois Romances, quatro Contos, uma Crônica, uma Dramaturgia e 3 livros Infanto-Juvenis. Cada livro terá 600 copias publicadas, como prêmio.
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• • PREMIADOS • •
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— POESIA —
• Os Dias & Outros Poemas,
Alfredo Guimarães Garcia,
Ananindeua/Pa
Alfredo Guimarães Garcia,
Ananindeua/Pa
• Poema Pequeno,
Laura Nogueira da Conceição,
Belém/Pa
Laura Nogueira da Conceição,
Belém/Pa
• À Trois,
Nathália Cruz
Ananindeua/Pa
Nathália Cruz
Ananindeua/Pa
• Alguns Haicais e Mínimos Poemas,
Solange Firmino,
Rio de Janeiro/Rj
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Solange Firmino,
Rio de Janeiro/Rj
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— ROMANCE —
• Doar Bako,
Francisco Canindé,
Curuça/Pa
Francisco Canindé,
Curuça/Pa
• Suicidados – Um Pacto De Amizade
Jonas de França das Chagas,
Iguatu/Ce
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Jonas de França das Chagas,
Iguatu/Ce
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— CONTO —
• • Era Espalhafatoso Amar Naquele Tempo,
Anselmo Gomes
Capanema/Pa
Anselmo Gomes
Capanema/Pa
• Ladir Vai ao Parque e Outras Histórias,
Fernando de Jesus Gurjão Sampaio Neto,
Belém/Pa
Fernando de Jesus Gurjão Sampaio Neto,
Belém/Pa
• Nas Margens,
Kid Nazareno da Costa Quaresma,
Belém/Pa
Kid Nazareno da Costa Quaresma,
Belém/Pa
• Contos Hipermodernos,
Márcia R. Carvalhal Gonzalez,
Salvador/Ba
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Márcia R. Carvalhal Gonzalez,
Salvador/Ba
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— CRÔNICA —
• Outubro dos Dias e Outros Calendários,
Carlos Henrique Valente Moraes,
Ananindeua/Pa
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Carlos Henrique Valente Moraes,
Ananindeua/Pa
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— DRAMATURGIA —
• O Príncipe Poeira e a Flor da Cor do Coração,
Saulo Sisnando,
Belém/Pa
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Saulo Sisnando,
Belém/Pa
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— LITERATURA INFANTO-JUVENIL —
• Alma de Pássaro,
Raimundo Benedito Menezes Da Costa,
Ananindeua/Pa
Raimundo Benedito Menezes Da Costa,
Ananindeua/Pa
• Tudo Para Sempre Agora,
José Antônio de Sousa Neto,
Belém/Pa
José Antônio de Sousa Neto,
Belém/Pa
• Izadora e o Mar,
Nallyton Tiago de Sales Braga,
Belém/PA
Nallyton Tiago de Sales Braga,
Belém/PA
domingo, dezembro 04, 2016
Ferreira Gullar - A relativa eternidade
Homenagem ao poeta Ferreira Gullar, que faleceu hoje, 04/12, aos 86
anos de idade.
Esta foto foi tirada na Academia Brasileira de Letras, em 2010, quando a Secretaria Municipal de Educação premiou alunos e professores que participaram do projeto "Rio, Uma Cidade de Leitores", cujo livro tinha dois poemas meus.
Como ele faleceu pela manhã, posto aqui um poema dele sobre a manhã na Lagoa:
A relativa eternidade
Esta foto foi tirada na Academia Brasileira de Letras, em 2010, quando a Secretaria Municipal de Educação premiou alunos e professores que participaram do projeto "Rio, Uma Cidade de Leitores", cujo livro tinha dois poemas meus.
Como ele faleceu pela manhã, posto aqui um poema dele sobre a manhã na Lagoa:
A relativa eternidade
Cruzo a rua e vejo
sobre a montanha
que se ergue no horizonte
para além da Lagoa
nuvens matinais
iluminadas
contra um céu muito azul
como na primeira manhã do mundo
(ainda que
em todos os dias do ano
quando faz sol
essa festa matinal se tenha repetido
por séculos)
mas pouco importa:
é hoje manhã pela primeira vez
ainda que
antes de terem aqui chegado os portugueses
já ali estivessem a montanha
o céu azul
e as nuvens a se esgarçarem
quer houvesse
ou não
(como agora)
alguém para vê-los
e então me digo:
se o mundo dura tanto
e eu tão pouco
importa pouco
se ele não for eterno
Ferreira Gullar
sobre a montanha
que se ergue no horizonte
para além da Lagoa
nuvens matinais
iluminadas
contra um céu muito azul
como na primeira manhã do mundo
(ainda que
em todos os dias do ano
quando faz sol
essa festa matinal se tenha repetido
por séculos)
mas pouco importa:
é hoje manhã pela primeira vez
ainda que
antes de terem aqui chegado os portugueses
já ali estivessem a montanha
o céu azul
e as nuvens a se esgarçarem
quer houvesse
ou não
(como agora)
alguém para vê-los
e então me digo:
se o mundo dura tanto
e eu tão pouco
importa pouco
se ele não for eterno
Ferreira Gullar
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