quarta-feira, outubro 19, 2016

Desfolhar

Espalha meu nome,
que você sabe pronunciar,
pontuando as frases,                                                                   
conforme me despetala.

Solange Firmino


Imagem: Soraia Antunes

sábado, outubro 15, 2016

Paisagem


Joel Santos
A inspiração para este poema veio dessa
imagem de Joel Santos.
Está na página 49 do meu livro "Fragmentos da Insônia".

quinta-feira, outubro 13, 2016

X CLIP - Preparativos para o 7º Salão do Livro de Presidente Prudente


Minha crônica "Memória e esquecimento" está entre os textos ganhadores do concurso literário, cuja cerimônia de premiação será no dia 22/10 às 19h30, no IBC - Centro de Eventos (Rua Hugo Lacorte Vitale, 46 - Vila Furquim).

 O 7º Salão do Livro de Presidente Prudente acontecerá de 14 a 23 de outubro de 2016

Os estandes, quase todos prontos. A decoração sendo preparada e a expectativa da chegada dos expositores e o início da maior festa literária do interior paulista. 
Durante os dez dias de evento, serão quase setenta atividades diversificadas, entre bate-papos com autores, Literando Prudente, Lançamentos Literários, Exposições, Shows, Teatro, Palestras, Oficinas, Contação de Histórias, além dos estandes representando milhares de editoras e milhares de livros.



quarta-feira, outubro 05, 2016

Arte em quadros

Estes são meus. Quem quiser comprar, visite a loja DePendurar, lá dá para escolher entre 2 tamanhos e 2 cores de molduras. Os poemas são meus, arte da Marina Nogueira



domingo, outubro 02, 2016

Outubro Rosa





"Outubro Rosa" é uma campanha de conscientização realizada por diversas entidades no mês de outubro falando para a sociedade e as mulheres sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. O movimento começou a surgir em 1990 na primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, e desde então, promovida anualmente na cidade.

O símbolo da campanha é um laço rosa, que foi feito, inicialmente, pela Fundação Susan G. Komen e distribuído nessa primeira corrida. Esses laços rosas popularizaram-se e foram usados posteriormente para enfeitar locais públicos e outros eventos que lutavam pela causa.

Atenção: O diagnóstico precoce é essencial para a cura dessa doença, sendo assim, é fundamental procurar regularmente o médico.


quarta-feira, setembro 21, 2016

Dia da árvore


As árvores olham
o movimento incessante
de homens sem raízes.

Primavera chegando

Foto tirada por mim em Casimiro de Abreu
Está chegando a primavera. Mais uma. É um ciclo. Já escrevi sobre a mitologia da estação, sobre Deméter e Perséfone, quando, após reencontrar a filha, Deméter retornou ao Olimpo e a terra se cobriu de verde. 
No simbolismo do mito, a filha representa o grão semeado, que se desenvolve embaixo da terra e aparece na primavera sob a forma de novos frutos. A significação profunda do mito dessas deusas era revelada aos Iniciados nos Mistérios de Elêusis, em que os adeptos se preparavam para a morte, com ensinamentos de como suportar a passagem de um mundo para outro.


Quem quiser ler o texto integral, aqui está o link:
http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/colunistas/sfirmino/sf0052.php

"Chegam aromas de amanhã em mim." 

Manoel de Barros

segunda-feira, setembro 19, 2016

Lagartas: eu e Manoel de Barros


Poema na página 44 do meu livro, "Fragmentos da Insônia".
Quem desejar adquiri-lo, enviar e-mail para solange.firmino@gmail.com



quarta-feira, setembro 14, 2016

Sarau

Em 10/09/2016  foi realizado mais um sarau do meu livro "Fragmentos da Insônia". O primeiro foi em Atibaia-SP, o segundo em João Pessoa-PB, e este terceiro no Rio de Janeiro. O evento ocorreu na Lapa, no Restaurante Nova República.

quinta-feira, setembro 01, 2016

33º Concurso Literário Yoshio Takemoto

Chegou meu livro! Está lindo.
Resultado do concurso nesse link.

Prêmio Incentivo (quatro trabalhos)
André Telucazu Kondo (Jundiaí, SP): “Festa”
Edson Amaro de Souza (São Gonçalo, RJ): “Elisabeth Bishop em Ouro Preto”
Karen Kazue Kawana (Jaguariúna, SP): “Para longe”
Solange Firmino de Souza (Rio de Janeiro, RJ): “Essência”






domingo, agosto 28, 2016

II Mostra de Esculturas Monumentais na Praça Paris



A Mostra Rio de Esculturas Monumentais retorna com sua segunda edição na Praça Paris, no bairro da Glória, e ficará até 25 de setembro de 2016, com a participação de 17 artistas do Rio de Janeiro e outros estados. A iniciativa dá seguimento a sua primeira edição, realizada na Praça Paris em 2014.


Destaque para a obra do artista Angelo Milani, de São Paulo, a instalação “Naveganças”, confeccionada com refugos domésticos e industriais, com 36 m² de base e 5m de altura, conta também com trechos de 400 poesias plotadas em espelhos automotivos, dos poetas Ferreira Gullar, Manoel de Barros, Manuel Bandeira, Cora Coralina, entre outros.



Observação: Fotografias tiradas por mim em 28.08.2106



quarta-feira, agosto 24, 2016

DePendurar: poemas em quadros

No site da loja DePendurar já estão meus poemas em lindas ilustrações da Marina Nogueira. Deem uma olhada lá:http://www.lojadependurar.com.br/sol-firmino-ct-15f453 

Pode-se escolher a cor da moldura, preta ou branca, e dois tamanhos, A4 (25cm x 33.7cm) ou A3 (33.7cm x 46cm)





Facebook da Loja: 
https://www.facebook.com/lojadependurar

Antologia da UFSJ

A Universidade Federal de São João del-Rei promove desde 2000 o Concurso de Poesias, agregando a cada edição um número maior de escritores de diversas localidades, inclusive de outros estados, de diferentes faixas etárias, origens socioculturais e formação acadêmica. 

O Concurso de Poesias é uma oportunidade para que poetas consagrados ou anônimos, iniciantes ou veteranos possam expressar sua arte literária e ter a chance de ter seu poema publicado em um livro com os 30 primeiros classificados (dos 191 inscritos).

Mais uma vez este ano estou entre os premiados.
Vejam que linda a capa da antologia e um recorte do meu poema:



O MITO & O SONHO


Por Krishnamurti Góes dos Anjos

“Mitos são histórias de nossa busca da verdade, de sentido, de significação através dos tempos”. Esta definição cunhada pelo estudioso norte-americano Joseph Campbell (1904–1987), vem de encontro a uma mitopoética praticada por alguns autores da literatura contemporânea. Mitopoética entendida como uma certa organização semântica que combina elementos da mitologia antiga com o objeto literário. Isto ocorre quando autores arquitetam suas tramas poéticas utilizando da fabulação mítica. Ou seja, poemas comprometidos com princípios (imutáveis e eternos) que intermedeiam o referencial cotidiano e as instâncias do imaginário.

Solange Firmino acaba de publicar pela Editora Benfazeja, “Fragmentos da insônia”, obra poética com fortes pendores e apelos ao mitológico, de forma que parte dos poemas atualizam mitos (ora sutilmente sob a forma de sombra, ora desveladamente), ressignificando a realidade por meio do imaginário simbólico, com o intuito de realizar sonhos. Nada melhor do que a mitologia para viabilizar tais anseios, e assim, redimensionar tempo/espaço e reescrever seu projeto existencial sem abster-se entretanto, de (re)pensar a condição humana na contemporaneidade. Cumpre lembrar a propósito, que o ato da criação literária está atrelado às camadas primordiais preexistentes nas profundas camadas do ser. Portanto manifestação do inconsciente de que a poesia se nutre ontem, hoje e sempre.
Trecho do poema “Renascimento”.


“Tal como o mito,
levanto-me discreta e lúcida.
Eis aqui meus versos eternos.
Abro minhas asas para o infinito e voo
mais uma vez”.


O ato da criação literária propriamente dita é outra vertente importante nessa obra (ao qual é dedicado mais de uma dezena de poemas). Usando de uma verticalização sugestiva a autora acaba por evidenciar a essência, o cerne do momento revelador, como acontece no poema,
“METAMORFOSE”.

A essência é a natureza de tudo.
No poema, a essência é a palavra
dita,
não-dita
ou sugerida.
  
O casulo do silêncio
prepara a palavra na raiz.
O poema nasce do casulo-ideia
abre suas asa e pousa
na brancura do papel
à espera de fonemas
que se transformem
em essência-ideia novamente:
Metamorfose”.

A essência do verso é o som da palavra.
Sagrado som
na essência da vibração:
Mantra.”


Este título “Metamorfose”, nos remete a uma terceira característica da criação literária de Solange Firmino, esta de caráter sintético, por assim dizer. Observamos no conjunto da obra, uma corrente de ligação semântica muito expressiva e recorrente, que denuncia seu ritmo como expressão daquilo que no mundo interior da autora é permanente movimento em espiral ascendente; o ritmo como sequência de sons, de sentidos, e de sentimentos, que formam uma unidade perfeita, obediente a uma sucessividade existencial permanentemente coesa, e expressa no ciclo: semente>ovo>casulo>crisálida>borboleta>voo>liberdade!

É graças à força da sugestão que Solange imprime em sua poética, tecida sobretudo para aqueles que sonham acordados, que o próprio sonho transposto em possibilidade, acaba predominando como realidade, e impõe o seu fascínio enquanto Vida.


REDENÇÃO
“O silêncio da noite,
antes insônia,
agora é despertar.
Assisto à vida sem pensar
em mais nada”.


Livro: Fragmentos da insônia, de Solange Firmino. São Paulo. Editora Benfazeja, 2016. 80p.


*** Quem quiser adquirir o livro, entre em contato comigo no e-mail solange.firmino@gmail.com

sexta-feira, julho 29, 2016

Meu livro estará em promoção no sarau das Senhoras Obscenas dia 30/07 às 18h. 

Endereço: Patuscada Livraria, Bar & Café
Rua Luís Murat, 40 - São Paulo

terça-feira, julho 26, 2016

4º Festival de Haicai de Petrópolis 2016

Fui premiada para a antologia de haicais da Associação NIKKEI de Petrópolis, no 4º Festival de Haicai de Petrópolis 2016.

Já, já posto aqui os haicais...

Fragmentos da Insônia

Meu livro "Fragmentos da Insônia" já chegou da editora. 
Quem quiser encomendar comigo, 
enviar um e-mail para 
solange.firmino@gmail.com



Prefácio de Carlos Machado, do Poesia.Net, Alguma Poesia

Poema da contracapa

sábado, julho 02, 2016

Francisca Júlia

Eu na Pinacoteca - SP

VÊNUS


Branca e hercúlea, de pé, num bloco de Carrara,
Que lhe serve de trono, a formosa escultura,
Vênus, túmido o colo, em severa postura,
Com seus olhos de pedra o mundo inteiro encara.

Um sopro, um quê ele vida o gênio lhe insuflara;
E impassível, de pé, mostra em toda a brancura,
Desde as linhas da face ao talhe da cintura,
A majestade real de uma beleza rara.

Vendo-a nessa postura e nesse nobre entono
De Minerva marcial que pelo gládio arranca,
Julgo vê-la descer lentamente do trono,

E, na mesma atitude a que a insolência a obriga,
Postar-se à minha frente, impassível e branca,
Na régia perfeição da formosura antiga.


Mármores (1895)


Fantoche

Em 2015 participei do concurso da Editora Literacidade chamado 'Metacantos', que deveria necessariamente versar sobre a arte de escrever poemas. Eis o meu poema, selecionado para a antologia: 



Fantoche

Ouço o que sussurra a Musa
No silêncio, no princípio e no fim do dia.
Fonemas, palavras, dígitos,
Impressões tatuadas nos papéis e nas telas.
Quando acho que caminho sozinha
Vem você e me traz de volta.
Quando me sinto erguida,
Seu gesto me derruba.
Obedeço cegamente.
Quem detém minhas rédeas?
Usa-me, então, Poesia.
Em cada fio, um verso.
Prenda-me assim, para eu saber
Que não sou livre.
Mantém-me sã, mesmo suspensa na corda bamba.
Você é minha permanência,  
meu rastro pelo caminho efêmero.

Solange Firmino

sábado, junho 25, 2016

Vencedores do 16° Concurso de Poesias da UFSJ são divulgados


A UFSJ promove desde 2000 o Concurso de Poesias, agregando a cada edição um número maior de escritores de diversas localidades, inclusive de outros estados, de diferentes faixas etárias, origens socioculturais e formação acadêmica. O Concurso de Poesias é uma oportunidade para que poetas consagrados ou anônimos, iniciantes ou veteranos possam expressar sua arte literária e ter a chance de ter seu poema publicado em um livro com os 30 primeiros classificados (dos 191 inscritos).
Mais uma vez este ano estou entre os premiados.


sábado, maio 14, 2016

"Ferreira Gullar"

Exposição "Ferreira Gullar"

Galeria BNDES
Avenida República do Chile 100 (próximo ao Metrô Carioca)
De 11 de maio a 1º de julho
De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h

Visitas guiadas
De segunda a sexta-feira, às 12h30 e às quartas e quintas, às 18h15.
Não é necessário agendamento prévio.
Entrada gratuita.
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Extravio

Onde começo, onde acabo,
se o que está fora está dentro
como num círculo cuja

periferia é o centro?
Estou disperso nas coisas,
nas pessoas, nas gavetas:
de repente encontro ali
partes de mim: risos, vértebras.
Estou desfeito nas nuvens:
vejo do alto a cidade
e em cada esquina um menino,
que sou eu mesmo, a chamar-me.
Extraviei-me no tempo.
Onde estarão meus pedaços?
Muito se foi com os amigos
que já não ouvem nem falam.
Estou disperso nos vivos,
em seu corpo, em seu olfato,
onde durmo feito aroma
ou voz que também não fala.
Ah, ser somente o presente:
esta manhã, esta sala.
Ferreira Gullar

sexta-feira, maio 13, 2016

10 anos de Mito em Contexto!

Este mês fez 10 anos que escrevi o primeiro texto da coluna Mito em Contexto, em Blocos online, cujo site é organizado pela escritora Leila Míccolis. Foram mais de 6 anos e 127 textos.

segunda-feira, março 28, 2016

Antologia do I Concurso Literário Machado de Assis


Com um dos exemplares da antologia do I Concurso Literário Machado de Assis. Que material maravilhoso. 
Além da excelente confecção do livro como um todo (primeira vez que recebo um livro plastificado), sei que constam ótimos escritores, pois alguns já conheço de nome. 
Muito feliz em ter participado do concurso. Esperando por mais! 
Muito obrigada a todos da Canal 6 Editora.


terça-feira, março 08, 2016

* Esta é uma de minhas duas rosinhas que já brotaram várias vezes desde setembro de 2015.

“Aprendi com as rosas a ser despetalada e ressurgir inteira.” 
[Cecília Meireles]

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Mythopoeia - Autor: J.R.R. Tolkien

Araras - fevereiro de 2016

Você vê árvores, e as chama assim,

(pois é o que são e o seu crescer, enfim);
palmilha a terra e com solene passo
pisa um dos globos menores do Espaço:
uma estrela é matéria numa bola
que em matemático trajeto rola
regimentado, gélido, Vazio,
de átomos morrendo a sangue frio.
Por uma Vontade, à qual nos dobramos
mas que nós só de longe captamos,
grandes processos o Tempo completa
de início escuro a incerta meta;
e em página reescrita sem pista,
de letra e margem vária já revista,
eis multidão de formas infinitas,
negras, belas, frágeis ou esquisitas,
cada qual diversa, mas num só rol
de germe, inseto, homem, pedra e sol.
Deus fez pétreas rochas, arbóreas árvores,
terra térrea, estelares fulgores,
e os homens humanos, que andam no chão
e a quem luz e som causam comichão.
O remexer do mar, vento nos galhos,
relva, vacas mugindo nos atalhos,
trovão e raio, aves a cantar,
limo escorrendo a viver e murchar,
cada qual é registrado e impresso
nas contorções do cérebro em recesso.
Mas “árvores” só o são se nomeadas –
e só o foram quando captadas
por quem abriu o hálito da fala,
eco do mundo numa escura sala,
mas nem registro nem fotografia,
sendo risada, juízo e profecia,
resposta dos que então sentiram dentro
profundo movimento cujo centro
é o existir de planta, fera, estrela:
cativos que grade serram sem vê-la,
cavando o sabido da experiência
abrindo o espírito sem consciência.
Grande poder de si mesmos criaram,
e atrás de si os elfos contemplaram
que labutavam nas forjas da mente
luz e treva entretecendo em semente.
Não vê estrelas quem não as vê primeiro
qual prata viva explodindo em chuveiro
chama florida sob canção antiga
cujo eco mesmo de longa cantiga
o perseguiu. Não há um firmamento,
só vazio, se não tenda, paramento
por elfos desenhado; não há terra,
se não ventre de mãe que a vida encerra.
Mentiras não compõem o peito humano
que do único Sábio tira o seu plano,
e o recorda. Inda que alienado,
algo não se perdeu nem foi mudado.
Des-graçado está, mas não destronado,
trapos da nobreza em que foi trajado,
domínio do mundo por criação:
O deus Artefato não é seu quinhão,
homem, sub-criador, luz refratada
em quem matiz branca é despedaçada
para muitos tons, e recombinada
forma viva mente a mente passada.
Se todas as cavas do mundo enchemos
com elfos e duendes, se fizemos
deuses com casas de treva e de luz,
se plantamos dragões, a nós conduz
um direito. E não foi revogado.
Criamos tal como fomos criados.
Sim! Sonhos tecemos para enganar
os corações e o Fato derrotar!
De onde o desejo e o poder pra sonhar,
e as coisas belas ou feias julgar?
Querer não é inútil, nem calor
procuramos em vão – pois dor é dor,
não de ser desejada, mas perversa;
ou ceder a uma vontade adversa
ou resistir seria igual. E o Mal,
desse apenas isto é certo: É o Mal.
Bendito o tímido que o mal odeia,
treme na sombra, e o portão cerceia;
que não quer trégua, e em seu solar,
mesmo pequeno, num velho tear
tece pano dourado à luz do dia
sonhado por quem na Sombra porfia.
Benditos os que de Noé descendem
e com suas arcas frágeis o mar fendem,
sob ventos contrários buscando sé,
rumor de um porto indicado por fé.
Benditos os que em rima fazem lenda
ao tempo não-gravado dando emenda.
Não foram eles que a Noite esqueceram,
ou deleite organizado teceram,
ilhas de lótus, um céu financeiro,
perdendo a alma em beijo feiticeiro
(e falso, aliás, pré-fabricado,
falaz sedução do já-deturpado).
Tais ilhas vêem ao longe, e outras mais belas,
e os que os ouvem podem girar as velas.
Viram a Morte e a derrota final,
sem em desespero fugir do mal,
mas à vitória viraram a lira,
seus corações qual legendária pira,
iluminando o Agora e o Que Tem Sido
com brilho de sóis por ninguém vivido.
Quisera com os menestréis cantar
com minha corda o não-visto tocar.
Quisera navegar com os marinheiros
sobre tábuas em montes altaneiros
e viajar numa vaga demanda,
que alguns ao fabuloso Oeste manda.
Quisera entre os tolos ser sitiado,
que em remoto forte, de ouro guardado,
impuro e escasso, recriam leais
imagem tênue de pendões reais,
ou em bandeiras tecem o brasão
fulgurante de não-visto varão.
Não seguirei seus símios progressivos,
eretos e sapientes. Caem vivos
nesse abismo ao qual seu progresso tende –
se por Deus o progresso um dia se emende
e não sem cessar revolva o batido
curso sem fruto com outro apelido.
Não trilharei sua rota sem vacilo,
que a isto e aquilo chama isto e aquilo,
mundo imutável onde não tem parte
o criador com sua pequena arte.
Eu não me curvo à Coroa de Ferro,
nem meu cetrozinho dourado enterro.
No Paraíso pode o olho vagar
do Dia imorredouro contemplar
a ver o que ele ilumina, e nova
Verdade ter com isso como prova.
Olhando a Terra Bendita verá
que tudo é como é, e livre será:
A Salvação não muda, nem destrói,
jardim, criança ou brinquedo corrói.
Mal não verá, pois este está imerso
não no que Deus fez, mas no olhar perverso,
não na fonte, mas em escolha errada,
e não no som, mas na voz quebrantada.
No Paraíso não estão mais confusos;
criam novo, sem mentira nos usos.
Criarão, é certo, não estando mortos,
poetas terão chamas como votos,
e harpas que sem falta tocarão:
do Todo cada um terá quinhão.