Arganel de chefeParabéns meu filho, pela sua conquista!
Aqui estão os inícios dos textos da coluna "Mito em Contexto", escritos por mais de 6 anos para o site Blocos online. Também estão alguns poemas dos 7 livros escritos por mim. E também alguns ensaios, haicais e outros textos.
Arganel de chefe
Fotos por mim no Aterro do Flamengo em 28/07/2022.
Rio de Janeiro, a água
é a tua bandeira,
agita as suas cores,
sopra e soa no vento,
cidade,
náiade negra,
de claridade sem fim,
de fervente sombra,
de pedra com espuma
é o teu tecido,
o lúcido balanço
da tua rede marinha,
o azul movimento
dos teus pés arenosos,
o aceso ramo
dos teus olhos.
Rio, Rio de Janeiro,
os gigantes
salpicaram a tua estátua
com pontos de pimenta,
deixaram
na tua boca
lombos do mar, nadadeiras
perturbadoramente indolentes,
promontórios
da fertilidade, tetas da água,
declives de granito,
lábios de ouro,
e entre a pedra quebrada
o sol marinho
iluminando
espumas estreladas.
Trecho de "Ode ao Rio de Janeiro", escrito em 1956 por Pablo Neruda.
Botafogo Praia Shopping 23.07.2022
Resistência
Escreveremos nossos nomes
Em 06 de julho de 1907 nasceu Frida Kahlo, a pintora mexicana que retratava em seus quadros as tragédias da sua vida.
O fardo da montanha é quase tocar o céu
o fardo da nuvem é durar pouco
mesmo quando acaba a chuva
certos encargos são estranhos
pois o fardo da caverna é não conter vento
e o fardo do vento é ser abafado
em espaços muitas vezes minúsculos
o fardo humano é um tormento
pois não sabe se busca por Deus
ou se Deus o habita
Solange Firmino
*Foto por mim em 24/05/2022
I
Aurora
Todos aguardamos o novo recomeço
sua mão na minha
novos abraços
_laços
outros sonhos
_amores
novos tempos
II
Crepúsculo
O tempo suspenso
saberá que o matamos?
Solange Firmino
No livro “Quando a dor acabar”
Foto por mim em 14/05/2022.
A noite não me diminui
mas eu também ando cheia de vazios
e com os ombros tombados
nós estamos à própria sorte
e nem sabemos o que fazer
para virar poesia!
soldados, mulheres e crianças
alguns ainda rezam
professam esperanças
queria mesmo ver um incêndio de flores
na alma de um bicho
afundar um rio com os pés
escutar a cor dos peixes
perceber como é a grandeza de um som azul
ver nascer a palavra na boca de uma criança
ah! e saber da solidão dos caracóis
e conhecer pelo menos um pouco sobre os rios
os fados morrem todos os dias
nas flores amarelas
e nas outras também
Solange Firmino
*** No livro “Quando a dor acabar”
Imagem: Bonina do meu jardim.
Desencontrei-me nos dias descompassados
perdi pelas rotas justo a parte que era todo mundo
minha parte multidão procura palavras férteis
que me façam existir novamente
mas pondera ou delira no autorretrato
e se assusta com o fantasma sem linguagem
com uma voz que não está
nem aqui nem lá
também tenho outra parte em busca incessante
de cada sílaba imperecível que possa me nomear
uma parte que sabe que não há arte
que traduza a vida
Solange Firmino
* No livro “Quando
a dor acabar” – Quem quiser adquirir, ainda tenho exemplares!
Aninho-me no que sou
disperso-me onde não me caibo
só para não perder a passagem
há quem prefira tombar o peso à beira do abismo
hastear o corpo sem princípio de eternidade
não olhar para o céu quando as harpias dormem
assim são os homens desse tempo
pessoas de máscaras que se escondem
atrás de suas ideologias
eu escolho verter multidões pelo caminho
meu lugar é impreciso
no horizonte que me devora
mergulho inteira no nome que me salva
mas eu sei que as harpias nunca dormem
Solange Firmino
No livro “Quando a dor acabar”
*Quem quiser, ainda tenho exemplares!
Imagem: Detalhe de vaso grego: Harpias e o adivinho Fineu.
Folhagem balança
criançada curiosa
o salto do grilo
[Solange Firmino]