sábado, setembro 12, 2020

Alvoroço


Logo serei rochedo nessa hora sempre igual.
Conheço de cor o silêncio nômade,
aprendi a amar meu destino
e soletrar o que procuro.
Carrego nos ombros
o fim e o começo do mundo.
Meu mapa do tesouro
tem a validade do tempo preso à eternidade.
Nunca antecipei o futuro.

Solange Firmino


*Fotografia: Ilha de Paquetá - Rio de Janeiro 

sexta-feira, setembro 04, 2020

Praia do Paraíso

 


Sem demora, invento um barco

que vem no ritmo das marés
Nos rios rasos
há peixes que regressam à tona
mas me demoro com
o destino inventado
esperando outros azuis
Quero a paisagem sem relâmpago
gestos e passos sem âncora
Lutarei como sou


Solange Firmino


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Praia do Paraíso - Mosqueiro, Pará. 
A ilha do Mosqueiro é um distrito de Belém, uma ilha fluvial na costa
oriental do rio Pará, um braço sul do rio Amazonas, em frente à baía
do Marajó.
Possui 17 km de praias de água doce (e morninhas!) com movimento de maré.

segunda-feira, agosto 31, 2020

Devagar



Coleciono asas,
mas nenhuma me pertence.
Guardo-as para um
possível mergulho,
Impossíveis aventuras me sufocam,
apesar da rebeldia.
Juro que nunca quis ser a princesa
dos contos de fada.
Não sou ilha pronta para abarcar.

Então nos meus olhos
recapitulo a coreografia dos ventos;
transcrevo as linhas do deserto
para a pátria.
 
Vou devagar, no encalço arriscado
das aves que voam alto,
em busca da Terra Prometida.
Melhor morrer de cansaço que de solidão.

Solange Firmino

* Foto: Teotihuacán - México

segunda-feira, agosto 24, 2020

Já é quase setembro!

Um poema-deserto
encontra um oásis
no setembro florido

Descobre cores
olores
e o silêncio da semente
rasgando o ventre
da estação repetida

Um poema-fruto
brota nas rugas
do tempo cíclico

Solange Firmino


* Foto da minha irmã Sulla Mino, cidade de Dreiech, Alemanha. Em 16.08.2020

terça-feira, agosto 18, 2020

Mantra

 

O som da palavra
imperecível
essência de palavra
jamais pronunciada
no casulo
despalavra

Solange Firmino 

segunda-feira, agosto 10, 2020

Odisseia II

Sei que me demoro
entre idas e vindas
Sem bússola
cruzo caminhos agitados
de ventos fustigantes

Peregrino nas tempestades
naufrago aqui e ali
mas aprendi a fugir
do (en)canto da Sereia

Busco um porto em ilha intacta
de vez em quando
no poente
de norte a sul
como um sábado de outono

Solange Firmino



*Imagem: Victor Nizovtsev

terça-feira, agosto 04, 2020

Tentando desvelar os tons

Em agosto de 2018 foi publicada uma resenha que escrevi sobre o romance “Borboleta - a menina que lia poesia”, da amiga e escritora Chris Herrmann, no site dela e em alguns outros, como o da Mallarmargens, onde também tenho publicações, aqui
Na época eu não postei o texto em nenhum lugar. Agora, dois anos depois, vou postar aqui o link da Mallarmargens:

sexta-feira, julho 24, 2020

Quem me desafia é a vida!


Não, ninguém me fez 
nenhum desafio 
quem impõe todos os dias 
é a vida
vivê-la até o sumo 
da dor 
do prazer 
do vício 
senão 
ela me leva

Solange Firmino 

23/07/2020

Para a poeta Carla Andrade, que sofre de Fibromialgia, e também para mim, que tenho um tumor no cérebro. E para todas as pessoas que se sentem desafiadas pela vida.

* Tenho visto nos últimos dias muitas fotos em P&B no Instagram com a hashtag "desafio aceito" e resolvi pesquisar. Descobri que:


- é enviado por uma mensagem no inbox de uma mulher para a outra com o pedido: "Tive o cuidado de escolher quem eu acho que vai cumprir com o desafio, mas sobretudo quem conheço que partilha esse tipo de pensamento, entre mulheres existem várias críticas; ao invés disso devíamos cuidar umas das outras. 

Somos lindas do jeito que somos. Publique uma foto sozinha em preto e branco, escrito "desafio aceito" e me mencione. Identifique 9 mulheres para fazer o mesmo, no privado.

Depois disso, as nove mulheres escolhidas devem postar uma foto em preto e branco com a hashtag do desafio. 



Consequentemente, esta mulher também enviará o desafio para outras nove amigas e assim estimulam elas a fazerem o mesmo.

domingo, julho 19, 2020

Boletim da Graça Pires no Alguma Poesia

"...Os meus olhos, é certo, já não têm
a mesma cor que tinham na infância.
Perderam a transparência e o dom
de fitar o sol sem enceguecerem.

Por isso, apenas posso olhar a lua cheia
como fazem os poetas e as bruxas."


Graça Pires

(trecho de "Mulher com chapéu")

* Leiam o maravilhoso Boletim organizado pelo Carlos Machado, aqui em Alguma Poesia.

segunda-feira, julho 13, 2020

VIVA LA VIDA


("Viva la vida" é o nome do último quadro pintado por Frida Kahlo, fiz uma postagem com ele aqui nesse link.)

Museu Frida Khalo ou Casa Azul - Cidade do México. 

Sobre minha cama
de borboletas
no meio da insônia
procuro em vão meu corpo
meus pés exaustos

Em procissão
entram no meu sonho
as cores que amo
os animais
as árvores
as flores

Pintei minha tragédia
de todo jeito
fui dadaísta
surrealista
e nomes que nunca admiti
minha vida foi curta
e dolorosa
mas nunca amei pela metade

Estou livre enfim
para as asas
que me tocam agora*



Solange Firmino



* Referência à frase de Frida Kahlo: “Pés, para que os quero, se tenho asas para voar?” 👣


* Em 13 de julho de 1954 faleceu Frida Kahlo.