sábado, julho 23, 2022

Ode ao Rio de Janeiro, Pablo Neruda




Rio de Janeiro, a água

é a tua bandeira,

agita as suas cores,

sopra e soa no vento,

cidade,

náiade negra,

de claridade sem fim,

de fervente sombra,

de pedra com espuma

é o teu tecido,

o lúcido balanço

da tua rede marinha,

o azul movimento

dos teus pés arenosos,

o aceso ramo

dos teus olhos.

Rio, Rio de Janeiro,

os gigantes

salpicaram a tua estátua

com pontos de pimenta,

deixaram

na tua boca

lombos do mar, nadadeiras

perturbadoramente indolentes,

promontórios

da fertilidade, tetas da água,

declives de granito,

lábios de ouro,

e entre a pedra quebrada

o sol marinho

iluminando

espumas estreladas.


Trecho de "Ode ao Rio de Janeiro", escrito em 1956 por Pablo Neruda.

Botafogo Praia Shopping 23.07.2022

4 comentários:

Isa Sá disse...

Não me importava de dar umas voltinhas por aí!
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Graça Pires disse...

Magnífico o Pablo Neruda com esta Ode ao Rio de Janeiro. Não conhecia este poema ou nunca lhe prestei atenção em algum dos seus livros...
Um grande beijo, minha Amiga Solange.

Isa Sá disse...

Não me importava de dar umas voltinhas por aí!
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Tais Luso de Carvalho disse...

Boa noite, Solange, maravilha essa Ode ao Rio de Janeiro pelo Neruda!
Qual poeta que não se encanta com essa cidade Maravilhosa?
Tudo nela é diferente, o espírito do povo, suas ruas, morros, céu, mar...
É tudo muito carioquíssimo, muito próprio.
Aplausos pela tua postagem.
Deixei há dias um comentário na postagem das árvores, deve estar no spam ou não entrou.
Um ótimo fim de semana,
beijo.