
Aqui estão os inícios dos textos da coluna "Mito em Contexto", escritos por mais de 6 anos para o site Blocos online. Também estão alguns poemas dos 7 livros escritos por mim. E também alguns ensaios, haicais e outros textos.
sábado, abril 17, 2010
Movimentos

quarta-feira, abril 07, 2010
Atena e Erictônio
Além da Troia descrita pelo poeta Homero, Atena era cultuada em toda a Grécia e protegia cidades como Argos, Esparta e Larissa. A deusa disputou com Poseidon a proteção à cidade de Atenas; o deus deu um cavalo, mas ela venceu ao dar a oliveira que produzia óleo e alimentos. A cidade levou seu nome e abrigou seu santuário mais famoso, o Partenon, templo erguido no Período Clássico com relevos e esculturas, especialmente uma estátua da deusa em ouro e marfim. A estátua sumiu, mas o templo ainda resiste nas ruínas. Atena era virgem, palavra que em grego se diz ‘parthénos', daí o nome Partenon, casa da deusa virgem, usado para designar o templo. E assim era Atena, virgem e independente em relação aos namoros e casamentos. Ela não teve filhos, mas chamava a Erictônio seu filho, embora a concepção não tenha sido “natural”. Quando Atena visitou a forja de Hefestos, o deus ferreiro, com o intuito de encomendar armas, ele começou a cortejá-la. Hefestos andava infeliz, pois Afrodite, a bela esposa do deus, o traiu com Ares, deus da guerra.
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Solange Firmino
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Imagem:Atena, Erictônio e Gaia.
domingo, março 21, 2010
Dia Mundial da Poesia

Relembrando alguns poemas meus:
Meu poema preferido, com o qual ganhei primeiro lugar em 2005. Ele já foi modificado até hoje, mas esta é a versão original: Fluxo.Alguns dos meus poemas preferidos publicados em Germina Literatura.Primeiro lugar em Gravatal 2007 - especial pra Leminski: Testamento.Texto escrito em homenagem à minha primeira paixão, Manuel bandeira: O poeta que aprendeu a morrer.Alguns poemas meus sob os olhos de Carlos Machado no Poesia.Net.Meu blog em homenagem ao maior poeta vivo do Brasil: Manoel de Barros.
Viva a Poesia!
Imagem: Erato, Musa da Poesia Lírica.
sábado, março 20, 2010
Plêiades, as sete filhas de Atlas

Com Zeus, Maia gerou Hermes; Taígeta gerou Lacedêmon e Electra gerou Dárdano, o fundador da casa real de Tróia. Com Poseidon, Alcíone gerou Irieu, ancestral da casa real de Tebas, e Celene gerou Lico e Eurípilo. Com Ares, Estérope teve Enômao, pai de Hipodamia. Mérope gerou Glauco com Sísifo, o mortal que enganou a Morte duas vezes e foi condenado no Hades a empurrar eternamente, ladeira acima, uma pedra que rolava de novo ao atingir o topo da colina.
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Solange Firmino
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Imagem: Plêiades, de Elihu Vedder, 1885.
domingo, março 07, 2010
Tânatos e Sísifo
Na iconografia antiga, muitas vezes Tânatos era representado com forma alada. Diziam que tinha o coração de ferro e entranhas de bronze. Para os romanos, a morte era uma deusa chamada Mors. Tânatos tem em sua significação grega os verbos dissipar e extinguir. Nesse caso, acreditava-se que morrer significava ocultar-se, pois o morto tornava-se “eídolon”, um corpo insubstancial.
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Solange Firmino
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Imagem: Hipnos e Tânatos, de W. Waterhouse.
sábado, março 06, 2010
Pedra do Ingá e Pedra de Santo Antônio
A Pedra do Ingá fica na serra da Borborema, interior da Paraíba. Trata-se de um conjunto rupestre com caracteres ainda não decifrados. Alguns estudiosos acham até que são de origem extraterrestre.

A pedra fica no leito do rio Ingá e é um sítio de fácil acesso, mas está largado à própria sorte, apenas uma corda em volta, sem qualquer cuidado ou vigilância.
O lugar atrai, além dos aventureiros, milhares de fiéis ao santo casamenteiro. Segundo a tradição local, quem passar debaixo da pedra terá casamento na certa. Na dúvida, eu não passei, mas fiz pose, claro!
Meu filho passou por baixo da pedra, mas acho que aos 6 anos não conta, não é?

Vista do açude em Fagundes a partir da Pedra de Santo Antônio:

No caminho, paisagens belíssimas da região serrana.
Em Campina Grande, entardecer maravilhoso no Açude Velho:
sábado, fevereiro 27, 2010
Hércules e a Hidra de Lerna

A primeira tarefa de Hércules foi matar um feroz leão que devastava a região de Neméia, atacando rebanhos e seres humanos. O Leão de Neméia era filho de Équidna, monstro com corpo de mulher e cauda de serpente que vivia nas profundezas. O herói esfolou o leão e retirou sua pele invulnerável, que passou a ser sua marca registrada nos ombros. Com a cabeça do monstro fez uma espécie de capacete.
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Solange Firmino
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Imagem: Hércules e Hidra, cópia romana de original grego atribuído a Lisipo.
sábado, fevereiro 06, 2010
As Graças

As Musas eram nove divindades, filhas de Zeus e Mnemósine (a Memória), e foram geradas para que herdassem a memória da mãe e perpetuassem as façanhas dos deuses. No mundo antigo, acreditavam que os poetas recebiam das Musas a inspiração para narrar essas façanhas. Aos poucos as Musas se tornaram inspiradoras e protetoras de toda forma de arte. Acreditavam ainda que a inspiração poética e a essência da Arte eram transmitidas aos mortais não só pelas Musas, mas também pelas Graças.
Os textos diferem quanto à origem das Graças, nome latino que designava as Cárites gregas. A lenda mais aceita de seu nascimento diz que eram filhas de Zeus e Eurínome. O nome e o número dessas divindades também variou muito segundo a época e a região. O grupo mais famoso foi o trio Aglaia, Talia e Eufrosina. Aglaia representava a claridade; Talia (nome também de uma das Musas) a que trazia flores; e Eufrosina, a alegria.
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Solange Firmino
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Imagem: As Graças em detalhe do quadro A Primavera, de Botticelli
domingo, janeiro 31, 2010
Nenhum a menos

Wei é despreparada e não tem controle sobre a aula e o comportamento dos alunos. Seu interesse é cumprir o serviço e garantir o pagamento, por isso as aulas são horríveis. A relação entre eles sofre transformações quando se interessam em resolver o problema da ausência do aluno. Querendo conseguir dinheiro para a viagem de Wei à cidade, o grupo faz cálculos das horas trabalhadas em uma olaria. As aulas se tornam significativas. Assim conta o filme “Nenhum a menos”, do chinês Zhang Yimou.
Não precisamos analisar o cinema oriental. Não precisamos usar apenas um giz por dia, como acontece na escola do filme, e ninguém passa a noite na escola, embora muitos responsáveis demorem a buscar algumas crianças menores. Mas podemos refletir sobre algumas questões que o filme aborda, como o papel do educador nas instituições de ensino e a influência que a questão social tem na Educação.
Sabemos que o conhecimento só adquire significado se vinculado à realidade. Estudamos as teorias da educação construídas ao longo de décadas e concluímos que os conteúdos assumem diferentes orientações dependendo da época. A organização do trabalho escolar ainda mantém um processo de ensino centrado na transmissão-assimilação, o que leva o professor à preocupação em apenas passar o “conteúdo” e o aluno ao cumprimento de tarefas. O conhecimento transmitido é totalmente desvinculado dos problemas impostos pela prática social.
No filme, os alunos só mudam de comportamento quando são desafiados a resolver uma ação prática, um problema real. Esse é um dos elementos de uma educação transformadora e muito sonhada. Por isso há anos existem também as teorias que dão ênfase à (re)descoberta do conhecimento a partir da atividade do aluno.
A educação transformadora cria vínculos entre aluno e professor. É humanizadora, mas não tem receita pronta. Só cuidava bem daquela escola quem via nela sua própria casa, como é o exemplo da aluna que ficou triste com os gizes desperdiçados durante uma discussão. A professora se adaptou e deu valor à escola depois que passou a conviver. Que tipo de vínculo temos com a escola e o alunos? Os alunos gostam da escola como sua própria casa? Será que moveríamos céus e terras para trazê-los de volta?
O que mais importa nessa reflexão é perceber a importância do diálogo professor-aluno para o sucesso no processo ensino-aprendizagem e colocá-lo em prática. Como são as nossas relações na dinâmica da sala de aula? Os responsáveis pelos alunos não valorizam a escola os alunos e responsáveis do filme, mas o que temos feito para que isso mude? Quantos a menos nós temos durante um ano letivo?
Sonhamos com a educação de “nenhum a menos” porque ela aborda a Cidadania e a Ética, temas transversais que devem ser incorporados em todo o trabalho educativo e nos encaminham à construção de uma sociedade mais fraterna justa e democrática. Mas o que temos feito para ela? O que você, educador, fará em 2010?
Solange Firmino
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Midas, rei da Frígia

Anos atrás, arqueólogos da Universidade da Pensilvânia encontraram na Turquia o túmulo de um rei com muitos objetos, pratos e restos de alimentos que pareciam fazer parte de um banquete fúnebre. O túmulo foi atribuído ao rei Midas, o mais conhecido governante que teria vivido da Frígia, como era denominada a região da Turquia na Antiguidade. Tempos depois, arqueólogos da Universidade de Cornell realizaram testes e dataram esses objetos.
O lendário rei Midas consta em vários mitos, alguns deles envolvendo os deuses do Olimpo. Um deles conta que Sileno, que fazia parte do cortejo de Dioniso, deus do vinho, exagerou na bebida e se perdeu dos companheiros. O sátiro adormeceu em um jardim e foi encontrado por camponeses que o levaram ao rei Midas. Depois de saber que ele era amigo de Dioniso, Midas o acolheu e tratou muito bem.
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Solange Firmino
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Imagem: Midas e Dioniso, de Nicolas Poussin.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
Vianópolis - Goiânia
''Quando o rio está começando um peixe, Ele me coisa, Ele me rã, Ele me árvore.''
(Manoel de Barros)
"O homem que possui um pente e uma árvore serve para poesia."
(Manoel de Barros)
"Eu vi uma manhã desaberta na beira de um rio igual que uma garça estivesse desaberta na beira do rio."
(Manoel de Barros)
" É da vocação da vida a beleza
e a nós cabe não diminuí-la..."
(Elisa Lucinda)
Imagens: Fotografias tiradas por mim em Vianópolis, Goiânia.
sexta-feira, janeiro 01, 2010
Salve 2010!

É o início de mais um ano! Apesar de todos os desastres relativos às chuvas, atentados e outras tragédias naturais ou provocadas pelo Homem nessa transição de 2009/2010, aqueles que ainda resistem têm as Esperanças renovadas.
Um brinde à vida!
Imagem: Nasa
terça-feira, dezembro 22, 2009
As Horas

Zeus era o mais importante dos deuses gregos. Ele mantinha a ordem e a justiça do mundo e dominava o Céu e fenômenos atmosféricos como chuvas e raios. Sua ascensão ao poder foi conquistada pelas vitórias em diversas lutas. A primeira delas foi contra o pai Crono, que devorava os filhos quando nasciam para se livrar da maldição de Gaia e evitar que um deles tomasse seu trono, como ele havia feito com o pai Urano.
Quando Zeus estava para nascer, Réia, auxiliada por Gaia, escapou da vigilância de Crono para dar à luz. Deixou o bebê Zeus sob os cuidados das Ninfas e, para enganar o marido, entregou pedra envolta em panos, que Crono engoliu. Quando adulto, Zeus e os irmãos lutaram contra o pai e o venceram. Zeus ficou com o Olimpo e o domínio do mundo.
Gaia ficou descontente com os olímpicos que aprisionaram os Titãs e enviou os Gigantes para vingá-los. Ajudado pelos irmãos e filhos, Zeus enfrentou os Gigantes e venceu. Gaia uniu-se ao Tártaro e gerou Tifão, monstro alado com cem cabeças de serpente e olhos que expeliam fogo. Zeus e a filha Atena resistiram ao monstro.
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Solange Firmino
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Imagem: As Horas, reprodução de escultura.
sábado, dezembro 05, 2009
Hércules mata o Leão de Neméia

Na Grécia antiga, um Leão feroz devastava a região de Neméia, perto de Micenas e Corinto, devorando rebanhos e seres humanos. O Leão era filho de Équidna, monstro com corpo de mulher e cauda de serpente que vivia nas profundezas. Com Tifão, Équidna gerou o Leão de Neméia e outras criaturas como Fix, Ortro, Hidra de Lerna, Cérbero e Quimera. Esses monstros eram violentos, por isso foram combatidos pelos heróis.
Um dos heróis que mais mataram monstros foi Héracles, mais conhecido pelo nome romano Hércules, filho de Zeus com a mortal Alcmena. Hera, a esposa ciumenta de Zeus, provocou uma loucura temporária em Hércules, que acabou matando a esposa e os filhos. Quando lúcido novamente, o herói consultou o Oráculo de Delfos, que o aconselhou a servir seu primo Euristeu. Simpatizante de Hera, o rei impôs-lhe perigosos trabalhos, os quais Hera fez de tudo para atrapalhar .
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Solange Firmino
sábado, novembro 21, 2009
O herói Jasão
Jasão era filho de Esão, rei da Tessália, mas não ocupou logo o trono, pois havia sido tomado pelo irmão do rei, Pélias. Assim que Jasão nasceu, Pélias mandou matá-lo, mas ele foi salvo pelos pais, que o entregaram a Quíron. O centauro educou Jasão até os 20 anos, época em que Pélias organizou uma festa. Jasão resolveu aparecer na festa e, para chegar lá, atravessou a nado um rio e perdeu uma das sandálias, o que fez o tio se lembrar de uma profecia sobre um estrangeiro descalço que seria seu inimigo mortal. Pélias reconheceu Jasão e, para evitar perder o trono, deu ao sobrinho uma tarefa considerada impossível: ele deveria capturar o Velocino de Ouro, só então seria rei. O Velocino pertencia ao carneiro que salvou os filhos de Átamas de serem sacrificados sob as ordens da madrasta. O carneiro voador foi enviado por Zeus e levou as crianças nas costas. Ao passar pelo canal que separa a Europa da Ásia, Hele caiu do carneiro, daí o nome do mar, Helesponto. Frixo continuou o voo e desceu na Cólquida, onde sacrificou o carneiro a Zeus e entregou o velo (a pele do carneiro) ao rei, que o consagrou ao deus Ares em um bosque com guardião.
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Solange Firmino
Imagem: Jasão entrega o Tosão a Pélias. Museu do Louvre, artista desconhecido.
domingo, novembro 08, 2009
Cadmo e os Labdácidas

Agenor era bisneto de Zeus e teve vários filhos, como Europa e Cadmo, importantes personagens nos mitos gregos. Europa foi raptada por Zeus e o rei ordenou que os filhos Cadmo, Fênix e Cílix a procurassem em todo lugar e eles não poderiam voltar sem a irmã. Durante a busca, que se tornou infrutífera, os irmãos fundaram várias cidades e nelas se instalaram. Fênix se ficou na Fenícia; Cílix na Cilícia e Cadmo na Grécia.
Cadmo viajou com a mãe, Telefassa, e com ela viveu um tempo na Trácia. Após a morte da mãe, ele foi aconselhado pelo Oráculo de Delfos a parar de procurar a irmã e fundar uma cidade. Ele deveria escolher o local seguindo uma vaca até que esta caísse de cansaço. Quando encontrou a vaca com o sinal previsto, Cadmo a seguiu até a região da Beócia, onde ela parou. Quando tentou pegar água em uma fonte, teve que matar a pedrada o dragão que a guardava, pois este matou primeiro os companheiros de Cadmo.
A conselho de Atena, Cadmo semeou na terra os dentes do dragão morto. Dos dentes semeados surgiram guerreiros armados e ameaçadores. Cadmo jogou uma pedra no meio deles, o que desencadeou uma disputa após se acusarem uns aos outros. No fim da luta restaram cinco guerreiros vivos, os Spartói (os Semeados), que ajudaram Cadmo na fundação de Tebas e foram considerados ancestrais das famílias tebanas nobres.
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Solange Firmino
Imagem: Édipo e a Esfinge.
domingo, outubro 25, 2009
Zagreu, o primeiro Dioniso
De acordo com os mistérios órficos, o primeiro Dioniso, chamado Zagreu, nasceu de Zeus e Perséfone. Para que a ciumenta esposa Hera não fizesse nada contra o menino, Zeus o deixou aos cuidados de Apolo e os curetes na região do monte Parnaso. Mas Hera descobriu o esconderijo e ordenou aos Titãs que o capturassem. Zagreu tentou fugir metamorfoseado em touro, mas foi pego pelos Titãs, que o cortaram em pedaços, cozinharam as carnes em um caldeirão e o devoraram. O gesto dos Titãs foi incorporado aos rituais relacionados a Zagreu, quando, nas festas comemorativas, o dilaceramento do deus era relembrado com animais sacrificados. A ingestão da carne simbolizava a junção com o deus, como se a própria divindade penetrasse no ser do indivíduo.
Zeus fulminou os Titãs pelos seus atos e das cinzas nasceram os homens. Com esse fato, os órficos pregavam a reencarnação e a origem divina da alma, explicando que os homens descendem dos deuses, que participam de algum modo da natureza humana. O mito também explicava a natureza humana, composta de bem e mal: cada ser humano traz dentro de si uma faísca do divino, sinônimo do bem. A parte titânica é má.
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Solange Firmino
quinta-feira, outubro 08, 2009
Aventuras e desventuras de Teseu

O Minotauro se alimentava de carne humana, enviada por Atenas como pagamento de um tributo, pois anos atrás Minos vencera uma guerra contra a cidade. A cota era sete rapazes e sete moças. O tributo somente cessaria quando o Minotauro morresse. Decidido a livrar Atenas desse fardo, Teseu resolveu ir a Creta como um dos jovens destinados ao sacrifício. Egeu combinou com o filho que, se ele voltasse são e salvo, deveria trocar a vela negra do navio por uma branca; dessa forma, quando avistasse a embarcação, saberia que o filho estava vivo.
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Solange Firmino
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Imagem: Teseu eo o Minotauro, mosaico romano.
segunda-feira, setembro 28, 2009
Lua
quarta-feira, setembro 23, 2009
O purificador Apolo

Desde o século VIII a.C., Apolo se tornou mestre do canto, da música, da poesia e das Musas, mas primeiramente foi considerado um deus purificador da alma, pois a liberava de seus atos desonrosos. Ele se tornou mestre das expiações relativas ao homicídio, porque ele mesmo se submeteu a uma catarse após matar Píton, permanecendo um ano no vale de Tempe. Para se livrar da impureza do ato, era preciso que a culpa fosse expiada com ritos catárticos, evitando assim contaminação do génos, pois qualquer falta cometida por um membro da família, contaminava a família inteira. As histórias das maldições hereditárias da Grécia Antiga foram temas de vários mitos e tragédias, como a trilogia de Ésquilo.
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Solange Firmino
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Imagem: Apolo Belvedere, de Leocarés. 300 a.C.
sábado, setembro 05, 2009
Filêmon e Báucis, o casal acolhedor

Outro desrespeitoso foi Laio, quando estava exilado na corte de Pélops e se apaixonou por Crisipo, príncipe herdeiro do trono. Raptando o jovem, Laio foi contra a hospitalidade sagrada, cujo protetor era Zeus, e também Hera, protetora dos amores legítimos. Laio foi amaldiçoado por esse ato, embora a maldição da sua família, chamada de Labdácidas, ocorresse desde antes dele. Seu futuro filho seria Édipo, o desafortunado rei que matou o pai e casou com a própria mãe.
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Solange Firmino
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Imagem: Hermes e Zeus com Filemon e Báucis, Johann Carl Loth.
sábado, agosto 22, 2009
A comunhão com Dioniso

Entre as mais antigas festas de Dioniso estão as Dionísias rurais, que tinham como cerimônia central uma procissão barulhenta e alegrada com danças e cantos, nas quais os adeptos carregavam um grande falo. Os participantes se vestiam com máscaras ou se disfarçavam de animais. A intenção era provocar a fertilidade, como nas Lenéias, quando o condutor de tochas invocava a hierofania do deus para presidir às solenidades. Além de concurso de tragédia e comédia, a procissão tinha caráter orgiástico.
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Solange Firmino
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Imagem: Baco/Dioniso, de Caravaggio.
quarta-feira, agosto 05, 2009
Thousand-hand Bodhisattva Dance
Há uma dança chamada de "As Mil Mãos - GuanYin". Considerando a grande coordenação que é necessária, a sua realização não deixa de ser surpreendente, mais ainda porque todas as bailarinas são surdas.
A primeira apresentação internacional foi em Atenas, na cerimônia de encerramento dos Jogos Paraolímpicos de 2004, mas tem estado desde há muito tempo no repertório da "Chinese Disabled People’s Performing Art" e já viajou para mais de 40 países.
O vídeo foi gravado em Pequim durante o Festival da Primavera:
http://www.youtube.com/watch?v=xgHmSdpjEIk

terça-feira, agosto 04, 2009
Algumas divindades marinhas

Após a união de Urano e Gaia, na primeira fase do Cosmo, seguiu-se uma numerosa descendência com o surgimento dos Titãs, Titânidas, Hecatonquiros, entre outros. Os Titãs representavam as manifestações elementares em evolução, como o Oceano, concebido inicialmente como um rio-serpente em torno da Terra. A titânida Tétis simbolizava a fecundidade feminina do mar, e fez de Oceano o pai de todos os Rios e das Oceânidas, Ninfas dos mares que personificavam riachos, fontes e nascentes.
As Sereias eram filhas do Rio Aqueloo, e participaram do cortejo de Perséfone. Quando Hades raptou Perséfone, Deméter, irritada por elas não terem impedido o rapto da filha, teria transformado as Sereias em monstros. Elas cantavam de modo maravilhoso para os marinheiros, os quais perdiam a direção dos navios contra os rochedos antes de serem devorados. Dois heróis conseguiram resistir aos seus encantos: Orfeu e Ulisses.
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Solange Firmino
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Imagem: Ulisses enfrenta as sereias.
segunda-feira, julho 20, 2009
Os Mistérios de Cibele

Gaia não era como as deusas-mães pré-helênicas, ligadas aos animais e à vegetação. Esses atributos foram incorporados mais tarde por deusas como Afrodite, Ártemis, Deméter e Cibele/Reia. A titânida Reia se uniu a Crono após a destituição de Urano e com ele gerou os primeiros deuses olímpicos: Héstia, Deméter, Hera, Hades, Poseidon e Zeus. As representações mais importantes de Reia são as que remetem ao nascimento de Zeus, quando foi para a ilha de Creta e deu à luz ao menino que destronaria o pai Crono. Reia logo foi equiparada com a deusa Cibele.
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Solange Firmino
domingo, julho 05, 2009
No princípio era o Caos

“No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo.” (Gênesis - Bíblia Cristã)
O Caos não é um conceito exclusivo da mitologia grega. Do Fiat Lux bíblico ao Big Bang, vários povos criaram sua cosmogonia, ou seja, a explicação sobre a origem do Universo. Os poetas da Antiguidade contavam em suas narrativas os mitos sobre a criação do mundo, e todos concordam que no princípio havia o Caos, uma matéria que existia sob forma indefinível. Depois, organizado com as divindades primordiais, O Caos passou a Cosmos.
Alguns contaram que Gaia, a Terra, surgiu do Caos e criou Urano, o Céu, para preencher o espaço vazio sobre ela. Caos também era capaz de fecundar, então gerou Nix e Érebo. Nix, a Noite, representava a escuridão acima da Terra. A escuridão profunda do momento da criação era o Érebo. Como a Terra estava coberta pela obscuridade que a cobria, Nix e Érebo se uniram e finalmente houve a Luz que “clareou” o Universo. Seus filhos foram Éter, representando a luz atmosférica, e Hemera, a luz do dia. Na Bíblia Cristã, é o que mostram os trechos “Disse Deus: Haja luz; e houve luz”; “E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite”.
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Solange Firmino
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Imagem: GAIA.
domingo, junho 28, 2009
Valores necessários para a construção de uma sociedade melhor

O mundo atual tem o poder da informação nos livros, TV, jornais, internet e outros meios. Apesar de toda a troca de informações, falta socialização e humanidade, pois temos problemas como aquecimento global, doenças, pobreza e violência.
O estágio atual da globalização produz cada vez mais desigualdades. Crescem diariamente o desemprego, a insegurança e a fome. Por isso, tão urgente quanto resolver questões como o aquecimento global, é resgatar no ser humano a ética de preservação do bem comum e outros valores necessários para salvar a nós e ao mundo.
Os antigos diziam que o homem é um animal político, uma pessoa da polis, que é o espaço de convivência. O homem não existe sozinho, precisa do outro. Desde bebê, o ser humano só sobrevive se tiver cuidados. Temos necessidades afetivas. Muitos dos nossos problemas atuais se devem às carências afetivas. Mas para uma boa convivência é preciso haver ética. Identidade, solidariedade, justiça, diversidade e não violência são valores universais. Os valores éticos não são relativos. Não há como respeitar um indivíduo e desrespeitar outro; respeitar uma religião e não respeitar outra; respeitar o idoso e não respeitar o jovem. Precisamos de uma ética de tolerância e respeito para uma convivência pacífica, indispensáveis no mundo que dizemos ser “globalizado”.
O ideal da sociedade seria formar cidadãos responsáveis, vivendo com o outro harmonicamente, preservando os valores de respeito à liberdade e à vida. Esses valores servem de alicerce para que as pessoas se conectem verdadeiramente na aldeia global que tanto pregam. Há conflitos nas diversas realidades que nos circundam. Estamos perplexos com a guerra e a violência, mas nos isolamos socialmente, rompemos os vínculos afetivos com o outro e achamos que isso é bem-estar.
Precisamos de uma educação baseada na formação de valores. Os jovens estarão comprometidos com a melhora se crescerem como pessoas responsáveis, livres e críticas. Temos a responsabilidade pelo destino do mundo. É preciso que cada um faça a sua parte ao vivenciar e preservar valores como respeito e solidariedade. Se eles prevalecerem sobre a ganância e a estupidez, teremos esperança de sociedades melhores.
Solange Firmino
sábado, junho 20, 2009
O herói Perseu

O rei Acrísio era pai de uma linda filha, mas desejava um menino, por isso consultou o Oráculo sobre um herdeiro. Soube então que teria um neto que o mataria. Temendo a profecia, o rei trancou a filha Dânae em uma torre. Lá mesmo a princesa recebeu a visita de Zeus, metamorfoseado em chuva de ouro. Dessa união nasceu Perseu, que se tornaria o herói famoso por matar a Medusa.
Acrísio mandou fazer uma arca e lançou Dânae e o filho ao mar. Zeus enviou ventos favoráveis, que levaram mãe e filho pelo mar até uma praia segura, onde os dois foram encontrados pelo pescador Dictis. Polidectes, o tirano irmão do pescador, apaixonou-se por Dânae e, um dia, querendo afastar Perseu da mãe, obrigou o jovem a trazer a cabeça da Medusa.
Medusa, uma das três irmãs Górgonas, era uma criatura monstruosa com cabelos de serpentes. Não era fácil matá-la, pois bastava um olhar para que petrificasse alguém. Medusa outrora teria sido uma bela mulher, mas ousou se comparar em beleza com Atena. Irritada com a pretensão, a deusa transformou os lindos cabelos da jovem em serpentes, e deu aos seus olhos o poder de transformar em pedra.
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Solange Firmino
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domingo, junho 07, 2009
Ciclope e Galateia

Os ciclopes tinham estatura elevada, imensa força física e um único olho situado no meio da testa. Na mitologia apareceram vários tipos de Ciclopes, como os filhos de Urano e Gaia, que participaram da batalha contra os Titãs; os filhos de Poseidon, que figuraram na Odisseia, e os auxiliares de Hefestos, o deus artesão. Os Ciclopes construtores edificaram enormes blocos de pedra, como as fortificações de Micenas e Tirinto, conhecidas até hoje pela sua estrutura e chamadas por isso de muralhas ciclópicas.
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Solange Firmino
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sábado, maio 23, 2009
As Danaides

Quando Zeus se apaixonou pela ninfa Io,cobriu a Terra com nuvens para se esconder da esposa Hera, que logo suspeitou e as dispersou. Zeus transformou Io em uma novilha e a ela se uniu na forma de touro. Encontrado junto ao animal, jurou que nunca o tinha visto e Hera o pediu de presente, deixando o deus sem saída. Hera fez de tudo para separar a amante do marido, colocando a novilha em um bosque sob a vigilância de Argos, o cão de cem olhos. Zeus enviou Hermes, que tocou uma flauta e fez Argos adormecer. Em seguida, Hermes matou o vigilante e salvou a ninfa.
Io vagou pelo mundo tentando escapar das torturas de Hera. Depois que Zeus prometeu não mais procurá-la, Hera devolveu sua forma humana. Io não voltou à Grécia, reinou no Egito com o nome de Ísis e teve um filho de Zeus chamado Épafo, considerado encarnação de Ápis, o touro divino dos egípcios. Épafo casou com Mênfis, filha do deus-rio Nilo e teve muitos descendentes. Uma de suas filhas, Líbia, uniu-se a Poseidon e foi mãe de Agenor e Belo. O primeiro reinou na Síria e o segundo ficou no Egito. O rei Belo foi pai dos gêmeos Dânao e Egito.
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Solange Firmino
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Imagem: As Danaides, de Waterhouse.

