quinta-feira, dezembro 29, 2011

Eu Narciso

“[Narciso] deitou-se tentando matar a sede,
outra mais forte achou. Enquanto bebia,
viu-se na água e ficou embevecido com a própria imagem. (Ovídio, “Metamorfoses”)

Como aprender a me ver
sem me perder?
O reflexo não me explica,
apenas me consome
e me prende.

Uno-me tanto a mim
que meus átomos se juntam
ao meu reflexo.

Como Narciso,
eu sou aquele
no reverso, no inverso,
no espectro que me  devora.

Quando me perco,
é quando me encontro.
Solange Firmino
[9º lugar no concurso Brasil dos Reis 2011] 


Imagem: Narciso, de Caravaggio.


domingo, dezembro 18, 2011

Os Sátiros


As atividades agrícolas na Grécia Antiga eram desenvolvidas principalmente nas encostas de planícies e montanhas. Para chegar a muitos desses locais era preciso percorrer bosques, florestas e outros caminhos perigosos; por isso era importante cultivar a terra e cuidar dos animais procurando obter a proteção dos deuses. Dois deuses celebrados como divindades agrícolas são Deméter e Dioniso. Além deles, algumas divindades secundárias foram cultuadas por camponeses, pois elas moravam nos bosques e atendiam mais facilmente quando solicitadas. .

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Solange Firmino

Leia o texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.

sábado, dezembro 03, 2011

Haikai para o tempo





um mosaico vivo
a memória vai bordando:
instante que passa

Solange Firmino
 

Imagem: Jorge Manuel Lopes

sexta-feira, novembro 25, 2011

O Saturno Latino


Saturno foi um deus adorado entre os latinos com célebres festas, denominadas Saturnalia ou Saturnais. Saturnus era um antigo deus itálico, anterior à chegada dos Indo-Europeus, que competiu com Líber como divindade da vegetação. Líber acabou se fundindo com o deus Bacchus, de procedência grega, e Saturnus continuou como o deus da semeadura e da vegetação. Etimologicamente, Saturnus provém do adjetivo 'satur', que significa cheio, farto, nutrido, e este provém do verbo saturare, que significa saciar, fartar, saturar, de acordo com sua função de deus da abundância.

Conforme o mito, depois que Zeus destronou Crono, este se refugiou na Ausônia, nome poético da Itália, onde recebeu o nome de Saturno. A Itália teve sua idade de ouro após a chegada de Saturno, quando a terra produzia tudo abundantemente, sem trabalho. O poeta latino Públio Ovídio Nasão narrou em suas Metamorfoses que reinavam a paz, a concórdia, a fraternidade, a igualdade e a liberdade, fazendo de Saturno o herói civilizador, aquele que ensinou a cultura da terra, da paz e da justiça.

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Solange Firmino

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Imagem: Saturnalia.

segunda-feira, novembro 21, 2011

sábado, novembro 12, 2011

O poeta que aprendeu a morrer



A morte traz à tona a vida. Se alguém tiver certeza de que vai morrer daqui a um mês, tentará realizar seus desejos imediatamente e viverá intensamente cada minuto. Mas vivemos como se não soubéssemos da nossa morte. Manuel Bandeira (1886-1968), um dos maiores representantes da poesia modernista, viveu se preparando para a morte. Ele não a desejava, como disse no poema 'Belo Belo': "Tenho tudo que não quero/ Não tenho nada que quero/ Não quero óculos nem tosse"

O poeta esperou morrer jovem devido a "uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado". O doutor sugeriu "tocar um tango argentino" como única solução, no poema 'Pneumotórax', mas a "indesejada das gentes" só veio buscá-lo aos 82 anos, de parada cardíaca, e não de tuberculose.

A ideia da morte iminente inspirou versos que falavam da "vida que poderia ter sido e que não foi". A poesia era sua "vida verdadeira" e ele queria apenas "a delícia de poder sentir as coisas mais simples". A convivência com a doença permitiu ao poeta um trabalho intenso de (re)construção da sua identidade, desde as formas de lidar com a doença até o desenvolvimento das variadas temáticas e formas poéticas. 

A percepção do "mau destino que fez o que quis com o menino bem-nascido" fez com que ele sonhasse com um lugar onde pudesse viver sem as limitações que a doença trazia. Assim, de todas as viagens que fez, os melhores lugares foram os inventados, como indicam os versos do poema 'Testamento': "Vi terras da minha terra./ Por outras terras andei./ Mas o que ficou marcado/ No meu olhar fatigado,/ Foram terras que inventei" .

Sua maior façanha foi trazer a antiga capital da Pérsia para o reino da poesia. Pasárgada tornou-se sua maior metáfora, seu melhor refúgio na imaginação, onde "a existência era uma aventura" e ele podia subir em pau-de-sebo, andar de bicicleta e ser amigo do rei. Principalmente onde podia praticar o epicurismo e os prazeres que a doença não permitiu na real vida estoica, como deitar com a mulher que escolhesse.

Os seguidores do estoicismo aconselhavam viver em obediência à lei natural da vida, aceitando com serenidade a ideia da morte. O filósofo estoico Sêneca dizia que devemos saber morrer para viver, que viver é aprender a morrer. Manuel Bandeira aprendeu a morrer através da poesia da vida. As lições diárias foram com as estrelas e a noite, seus temas constantes, ou com o avião que partia sem medo, no poema 'Lua Nova': "Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir". O rio que corre ensinou a serenidade diante do destino imutável que teria em breve: "Ser como o rio que deflui/ Silencioso dentro da noite. / Não temer as trevas da noite. / Se há estrelas no céu, refleti-las".

Aprendeu as sutilezas da beleza em 'Madrigal melancólico': "E a beleza é triste./ Não é triste em si,/ Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza". Em 'O último poema', percebe que que há beleza também "nas flores quase sem perfume". Em 'Renúncia', mais uma vez demonstrou que estava aprendendo a aceitar a morte, "Procura curtir sem queixa o mal que te crucia", "Sofre sereno e de alma sobranceira... tua desgraça" .

Ele estava pronto para morrer quando percebeu que a morte é também um milagre da vida. O poema 'Preparação para a morte' é o resultado desse aprendizado. Nele, diz que a vida era um milagre. Flor, pássaro, espaço, tempo, memória e consciência. TUDO era milagre para o poeta. Finalmente, admite: "- Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres" .

Manuel Bandeira viveu longos anos aprendendo a morrer. E quando a morte "dura ou caroável" chegou, tudo devia estar no lugar, como diz em 'Consoada': “Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,/ A mesa posta,/ Com cada coisa em seu lugar”.

Solange Firmino 

Imagem: Manuel Bandeira, de Portinari.

terça-feira, outubro 11, 2011

As Queres


O conceito de Queres variou bastante no mito grego. Desde a Ilíada, as filhas da Noite já eram confundidas com a Moira, o Destino Cego, e também com as Erínias, vingadoras do sangue parental derramado. As Queres são monstros que foram representadas como Gênios alados, sempre vestidas de preto e com longas unhas aduncas. Dizem as lendas que elas despedaçavam os cadáveres e bebiam o sangue dos mortos e feridos, por isso normalmente apareciam nas cenas de batalhas e momentos de muita violência. 

A função das Queres não era restrita aos campos de batalha, elas também aparecem como destinadas a cada ser humano, personificando o gênero de morte e o gênero de vida determinado a cada um. Assim, o herói Aquiles pôde escolher entre duas Queres, uma que lhe proporcionaria uma vida longa e tranquila, mas inglória; outra que lhe daria uma vida de glória, mas o preço era a morte prematura, e esta foi a que ele escolheu. Zeus pesou na balança as Queres de Aquiles e Heitor na presença dos deuses, para saber qual dos dois pereceria no combate final diante das muralhas de Troia.  

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Solange Firmino

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Imagem: Orestes e as Erínias.

sábado, agosto 20, 2011

Dafne rejeita Apolo


Apolo era filho de Zeus e Leto, e irmão gêmeo de Ártemis. O deus tem centenas de atributos, mas adquiriu maior importância por seu caráter profético. Em sua honra criaram templos onde os fiéis buscavam o conhecimento do futuro, sendo o mais célebre o Templo de Delfos, localizado onde Apolo exterminou Píton, guardiã do antigo Oráculo. Para celebrar seu triunfo eram celebrados de quatro em quatro anos nas alturas do Parnaso os Jogos Píticos, nos quais predominavam disputas musicais e poéticas. As máximas do Templo de Apolo pregavam sabedoria e moderação: “conhece-te a ti mesmo ” e “nada em demasia ”. 

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Solange Firmino

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Imagem: Apolo e Dafne, de Gian Lorenzo Bernini.

segunda-feira, junho 20, 2011

O Javali de Cálidon


Ártemis era uma deusa indomável e punia severamente os atentados contra sua imagem. A deusa puniu a negligência de Eneu de Cálidon de forma terrível. Segundo contam, após a boa colheita do ano, Eneu ofereceu sacrifícios a todos os deuses, mas esqueceu de Ártemis. A deusa se sentiu ultrajada e enviou para a região um javali ferocíssimo, que devastou todo o reino.

Com o intuito de acabar com o animal, Meléagro, o jovem filho de Eneu, convocou os melhores caçadores da região da Etólia, onde ficava Cálidon, e eles logo conseguiram matar o monstro. Ártemis provocou os caçadores etólios e os curetes para que disputassem a posse da cabeça e da pele do javali. Os antigos acreditavam que o couro de determinados animais possuía poder de proteção. Hércules, após matar o Leão de Nemeia, esfolou e retirou a pele do animal, que passou a ser sua marca registrada nos ombros. Com a cabeça do monstro fez uma espécie de capacete. A posse dos artefatos do animal abatido e dotado de mana simbolizavam o espírito vitorioso do herói. 


Solange Firmino


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Imagem: relevo de sarcófago com imagens da caça ao Javali de Cálidon.

domingo, maio 22, 2011

A lira, instrumento divino



A música primitiva era baseada em imitações dos sons de animais e do mundo físico com o intuito de tentar a comunicação com o mundo espiritual. Com o desenvolvimento de harmonias e instrumentos elaborados, a música entrou em processo de sacralização e se tornou uma referência fundamental para o conhecimento do universo. Como representante da ordem cósmica, a música foi inclusive associada ao simbolismo dos planetas e dos números, como a teoria de Pitágoras sobre a ‘ harmonia das esferas', com um extenso estudo sobre a consonância das notas produzidas pelos astros em seus movimentos regulares.

Pitágoras tocava para os discípulos uma lira de sete cordas. O filósofo considerava a música a ligação entre o cosmos e o homem. O Cosmos para ele era uma vasta razão harmônica que se constituía de razões menores, e seu conjunto formava a harmonia cósmica, a harmonia das esferas. A teoria da música cósmica foi descrita por Platão na obra ‘Timeu'. Platão acreditava que o os planetas criavam uma harmonia divina ao se moverem com diferentes velocidades em relação aos outros, tal como a altura musical se modificava quando as cordas vibravam em relações distintas.
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Solange Firmino

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Imagem: Alceu e Safo.

quarta-feira, abril 20, 2011

Safo, a décima Musa

 Sapho e Phaon – Jacques Louis David, 1809.

 “Dizem que há nove musas, que falta de memória! Esqueceram a décima, Safo de Lesbos.” [Epigrama atribuído a Platão]

Safo foi uma poeta grega muito influente no século VI a.C. Ela vivia em Mitilene, na ilha de Lesbos, local onde teria estabelecido uma academia para mulheres que celebravam a deusa Afrodite na poesia, música e dança. Safo produziu obras memoráveis, tanto que Platão chegou a dizer que ela deveria ser considerada a décima musa. Grande parte de sua obra se perdeu, algumas queimadas na praça pública de Roma e Constantinopla em 1073, por ordem do Papa Gregório VIII. O único poema completo que nos chegou é o ‘Hino de Safo a Afrodite':

                         Em teu trono ofuscante, Afrodite
                         Sagaz filha eterna de Zeus
                         eu imploro: não me esmagues
                         de aflição,
                         vem a mim agora – como certa vez
                         ouviste meu longínquo lamento, e cedeste,
                         e te ausentaste furtivamente da
                         casa de teu pai
                         para jungir pássaros em tua áurea
                         carruagem, e vieste. Vistosos pardais
                         trouxeram-te ligeira para
                         a sombria terra,
                         suas asas vergastando o médio céu.
                         Feliz, com lábios perenes, sorriste;
                         “O que há de errado, Safo, por que me
                         chamaste?
                         O que deseja o teu tresloucado coração?
                         Quem deverei fazer amar-te?
                         Qual delas voltou as costas a ti?
                         Deixa que ela fuja, logo virá atrás de ti;
                         Recusei dela os favores; e logo serão teus.
                         Ela te amará, ainda que não saiba nem queira”.
                         Vinde pois a mim agora e liberta-me
                         de espantosa agonia. Labora
                         por meu tresloucado coração. E sê
                         de mim aliada. 

Até hoje estudiosos buscam justificativas para crer que a poeta fosse ‘lésbica', termo que revela o vínculo com a ilha de Lesbos, local onde vivia. O emprego da palavra ‘lésbica' teve uso em 1890 pela primeira vez; o substantivo lesbianismo é mais antigo, data de 1870. Desde a Antiguidade ninguém chegou a um consenso, não somente porque não há evidências, mas porque Safo viveu em uma era com diferentes noções e tipos de sexualidade.

Com o tempo, não só mudou a opinião sobre a predileção sexual da poeta, como o significado da palavra ‘lésbica' passou por mudança similar. Em primeiro lugar, o termo se referia a uma habitante do sexo feminino da ilha de Lesbos. Do período clássico em diante, conotações eróticas foram associadas ao nome. 

A primeira associação de Lesbos com homossexualidade feminina foi encontrada em tempos romanos, quando o escritor grego Luciano declarou: “dizem que algumas mulheres em Lesbos com rostos como os dos homens, e que não se dispõem a desposar homens, mas apenas mulheres, como se elas mesmas fossem homens”.

Das informações que temos sobre a vida de Safo, constam os fragmentos de seus cantos e os ‘testimonia ', conjunto de textos sobre seus escritos, reunidos a partir das obras de vários autores clássicos. O contexto histórico sobre a época em que viveu também ajuda na compreensão sobre sua vida e obra. Uma edição erudita de seus poemas contém fragmentos de textos e citações de diversos autores, entre eles, hinos rituais, sátiras, cantos nupciais, um fragmento épico e cantos sobre a beleza de garotas.

Foi principalmente por causa dos cantos sobre as jovens que surgiu a suposição de que Safo era ‘lésbica'. Entre esses escritos constam os cantos que se referem às mulheres que abandonaram a poeta contra a sua vontade ou com seu consentimento, talvez para se casarem. Há também os cantos em que ela se refere a uma garota que ainda está junto dela. Não se dirigem a pessoa específica e poderiam ter sido recitados em oportunidades diversas e até por poetas diferentes. E não há traço de amor físico em sua poesia.

A fonte mais detalhada sobre Safo é do poeta latino Ovídio, com um poema que assume a forma de uma carta que Safo teria supostamente escrito, dirigida a Fáon, um barqueiro de Mitilene, por quem ela diz estar apaixonada. Esse amor a leva a cometer suicídio, saltando de um rochedo em direção ao mar. Também consta na mesma carta o ‘amor' de Safo pelas mulheres: 

“Nem as garotas de Pirra ou Metimna me deleitam, nem o resto da multidão de mulheres lésbias. Nada é para mim Anactória, nada a bela Cidro; Átide não mais me apraz aos olhos, como antes, nem uma centena de outras a quem amei, não sei reprovação. Homem desavergonhado, o que outrora pertenceu a muitas garotas, agora é só teu.”

Esse texto é a mais provável origem da reputação de Safo como ‘lésbica' e mais famoso que qualquer coisa escrita sobre a poeta, inclusive seus próprios poemas. Mas o caso de amor da poeta com Fáon pode ser baseado em leitura errônea de sua poesia, já que Fáon foi uma figura mitológica, estava entre os amados de Afrodite, como Adônis

Como Safo escreveu cantos sobre o amor de Afrodite por eles, pode ser que ela tenha escrito uma confissão de amor da deusa por Fáon e foi interpretado mais tarde como sendo sua própria confissão.
Estudiosos esmiuçaram seus textos e, em um deles, o fragmento 94, Safo menciona seu próprio nome. Ela se dirige a uma garota que a abandonou e recorda o que fizeram juntas, como vestir roupas, usar perfumes, tecer grinaldas e passar o tempo em santuários. 

Os versos ‘e sobre leitos macios... você satisfaria seu anseio... 'são os que fazem imaginar pelo que a garota ansiava. Não exclui uma interpretação erótica, mas não dá para afirmar o contrário, afinal, por que ela não poderia ansiar por outras coisas, além de sexo? Podemos nos perguntar até onde os sentimentos expressos na sua poesia podem ser considerados pessoais. Mesmo que alguns cantos pareçam ter conteúdo homoerótico, não dá para afirmar que a poeta fosse lésbica.

Solange Firmino

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sábado, abril 02, 2011

Dríope


Narrativas sobre metamorfoses já ocorriam nos poemas homéricos, como a transfiguração dos companheiros de Ulisses  em porcos pela feiticeira Circe. Na obra “Metamorfoses”, de Ovídio, os deuses se transformam em humanos e, desse modo, provam a superioridade diante dos mortais e realizam seus próprios desejos.

Zeus utilizava a metamorfose  como disfarce para suas aventuras ou para se aproximar de mortais e deusas. Ele se mostrou a Dânae como chuva de ouro e teve com ela o herói Perseu. Com Leda, rainha de Esparta, foi em forma de Cisne, e tiveram os gêmeos  Castor e Pólux; Clitemnestra  e Helena. Assumiu a aparência do marido de Alcmena e nasceu Hércules. Sob a forma de Ártemis, amou Calisto, ninfa  que acompanhava a deusa. Raptou Europa  na forma de touro e teve com ela Minos, Radamante e Sarpédon. Diante de Hera, a legítima esposa, aproximou-se disfarçado de cuco e se abrigou em seu colo durante uma tempestade. Os dois tiveram Ares, Hebe e Ilítia. 

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Solange Firmino


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sábado, março 12, 2011

Santuário Nossa Senhora de Schoenstatt - Atibaia - SP

O Santuário foi criado em 1972. A capela é uma reprodução fiel da que existe em Schoenstatt, cidade localizada na Alemanha.

O fundador, Padre José Kentenich, nasceu em 18 de novembro de 1885 na Alemanha.

 

quinta-feira, março 10, 2011

Entre Cila e Caribdes

A Odisseia de Homero  relata as aventuras de Ulisses  após a Guerra de Troia. O Rei de Ítaca ficou conhecido como um dos artífices do ‘Cavalo' que permitiu que os aqueus entrassem em Troia. O retorno de Ulisses a sua pátria não foi nada fácil, demorou muitos anos, vários personagens tentaram impedi-lo, como a ninfa Calipso, que o manteve por sete anos na ilha dela.
Ulisses e sua tripulação enfrentariam muitos perigos durante a viagem. Além de se deparar com criaturas terríveis, como o Ciclope  Polifemo e as  Sereias, o herói passou em um dos pontos mais temidos entre os navegantes, o estreito em cujas extremidades estavam Cila e Caribdes, que ficavam em penhascos entre a Itália e a Sicília. Alguns diziam que a perigosa passagem era o Estreito de Gibraltar.


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Solange Firmino


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sábado, fevereiro 05, 2011

Dédalo, o grande arquiteto


Em Atenas nasceu o gênio Dédalo, que se dizia descendente de Erecteu, um Rei-Deus morto por Zeus  com um raio a pedido de Poseidon. Os gregos o reverenciavam como um grande engenheiro, escultor e arquiteto. Ele parecia inspirado pelo divino, foi inventor de muitas coisas, da mesma forma como conhecemos Leonardo da Vinci séculos depois: os dois dissecaram cadáveres e fizeram experiências com voo humano.

Mestre de seu sobrinho, Dédalo invejou seu talento quando o jovem, inspirado pela queixada de uma serpente, inventou a serra. Dédalo o jogou do alto da Acrópole. Convocado a comparecer diante do Areópago para ser julgado, fugiu para Creta, ilha onde teria nascido Zeus e que, no seu apogeu, atraiu todo o Mediterrâneo. Dédalo encontrou ali um campo fértil para seus talentos, e logo planejou variados edifícios e fortificações, como arquiteto oficial do rei. 

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Solange Firmino

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segunda-feira, janeiro 31, 2011

Instituto Brennand

O Instituto Brennand, em Recife, tem fantásticas obras de arte: coleções de pinturas brasileira e estrangeira, Armaria, Tapeçaria, Artes Decorativas, Escultura e Mobiliário.



Na foto acima, interior do 'Museu de Armas Castelo São João'. O núcleo de Armaria, que originou a Coleção Ricardo Brennand, é considerada hoje, uma das maiores coleções do mundo, com cerca de 3.000 peças, fabricadas na Inglaterra, França, Itália, Alemanha, Espanha, Suécia, Turquia, Índia e Japão. 
 Abaixo, fachada do Castelo.



  
O Instituto está em cartaz com as mostras "Frans Post e o Brasil Holandês", "Paisagens Brasileiras do século XIX" e "O julgamento de Fouquet". Na foto abaixo, uma representação do Julgamento:

 


sexta-feira, janeiro 07, 2011

Pedra Grande - Atibaia (SP)

Atibaia é uma cidade linda, e vista do alto da Pedra Grande é mais fantástica ainda...


Pedra Grande fica a 1.450 metros acima do nível do mar. Muitos fazem escalada, rapel, voo de asa delta...

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Adoração da Luz

As tradições religiosas contam que o mundo foi criado após a manifestação da luz. O moderno pensamento científico sustenta que nosso universo foi criado a partir da explosão de um átomo primordial. Nas antigas práticas místicas de civilizações como Egito, Grécia e outras, esse átomo primordial era conhecido como “Ovo Cósmico”. Místicos e cientistas concordam que o Universo nasceu da explosão de um átomo, e que essa explosão liberou a luz onde só havia trevas. Assim, o Universo foi feito de luz.
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Solange Firmino

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terça-feira, dezembro 07, 2010

Lâmia, a mulher devoradora


São muitas as figuras femininas devoradoras na mitologia grega, como a Esfinge, as Harpias, as Danaides  e as Sereias. Mesmo Sêmele, que não era um monstro, devorou o coração de Zagreu, primeiro Dioniso, e deu nascimento ao segundo Dioniso, conforme se conta no mito órfico  Lâmia era uma dessas figuras e, assim como algumas delas, antes de se tornar um monstro temido, era uma linda mulher.
Diversas histórias são contadas a respeito de Lâmia. Sua figura consta nos bestiários de várias culturas como uma criatura maligna. A aparência da Lâmia varia de uma lenda para outra. A maior parte das versões conta que seu corpo apresentava cauda de serpente abaixo da cintura e aparência feminina da cintura para cima, versão que se tornou bem popular quando o poeta inglês John Keats escreveu o poema ‘Lamia', em 1819. Lâmia também já foi descrita como uma mulher de rosto distorcido.

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Solange Firmino

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Imagem: Harpia carrega criança. British Museum.

terça-feira, novembro 23, 2010

Deuses em órbita

A palavra “asteroide” é derivada do grego “astér”, que significa estrela, e “oide”, que denota semelhança. Os pontos de luz que foram vistos nos primeiros telescópios eram parecidos com estrelas. Posteriormente, quando foram fotografados perto de sondas espaciais, notaram que os asteroides tinham superfície como a da Lua, cheia de crateras. Já foi popular a ideia de que os asteroides eram remanescentes de um planeta cujos habitantes descobriram a energia nuclear e com ela explodiram seu mundo. A teoria atualmente aceita é de que essas rochas são fragmentos de planetas que não se formaram.

Conforme foram ‘descobertos', os planetas receberam nomes de deuses da mitologia greco-romana: Júpiter, Marte, Mercúrio, Vênus, Saturno, Urano, Netuno, Plutão. Os asteroides também receberam nomes de deuses gregos durante algum tempo. No início, apenas nomes de deusas, quando os nomes se esgotaram, receberam nomes de cidades, estados, animais de estimação e pessoas reais ou fictícias. Normalmente, quem encontrasse um asteroide novo, podia dar-lhe um nome. Atualmente, a maioria deles é designada pelo ano da descoberta, seguido de letras ou números.
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Solange Firmino

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Imagem: Asteroide Eros.

domingo, novembro 14, 2010

Cacto

Na aridez do deserto
a vida percorre caminhos
de clorofila e silêncio

Solange Firmino

* Selecionado para votação no Texto da Semana no Livro da Tribo em novembro de 2010.

Electra


A tragédia Electra, do grego Eurípides, foi provavelmente representada pela primeira vez nas Dionísias Urbanas, umas das festas religiosas mais importantes de Atenas, celebrada no início da primavera em honra ao deus Dioniso. A festa durava seis dias e consistia em sacrifícios, procissão solene e concursos dramáticos. Segundo as lendas sobre Dioniso, foi em uma dessas festas que surgiu um elemento fundamental na arte teatral, a figura do ator, quando uma pessoa do coro dialogou como se fosse o próprio deus. 

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Solange Firmino

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Imagem: Electra em detalhe de alabastro ático, Museu Metropolitan.

sábado, novembro 06, 2010






* Poema selecionado para a coletânea "Os cem melhores poemas do TOC140", parte da programação literária da Fliporto 2010, a VI Festa Literária Internacional de Pernambuco.
  

Concurso Poemas no Ônibus e no Trem


A Secretaria da Cultura de Porto Alegre divulga a lista dos selecionados na edição 2010 do concurso Poemas no Ônibus e no Trem. São 48 autores que, além de terem seus poemas expostos no transporte coletivo, farão parte de coletânea a ser publicada no próximo ano.

A  19ª edição do Concurso Poemas no Ônibus  contou com mais de 700 inscrições. Os autores selecionados foram escolhidos pelo corpo de jurados, formado por Andréia Laimer, Cristina Macedo, Guto Leite, Lorenzo Ribas e Sidnei Schneider. Confira a lista dos autores selecionados na edição 2010 que estarão com seus poemas circulando nos coletivos da cidade a partir de 2011.

A lista também está disponível no estande da SMC na 56ª do Livro de Porto Alegre. Outras informações podem ser obtidas através dos fones 3289.8071 ou 3289.8072.

Selecionados:



Adair Philippsen
Alcir Nicolau Pereira
Alexandre Letnner dos Santos
Ana Luiz Trindade de Melo
Anelizse Zeidler
Carolina Duarte da Silva
Cíntia Perin
Cleonice de Campos Bourscheid
Cosme Custório Silva
Cristiane Dias
Daniel Luis de Souza
Dilveu Lúcio Carvalho Dias
Domingos Fábio dos Santos
Douglas Hugentobler Gimenis
Eduardo Silva de Morais
Evandro Marques de Souza Gomes
Fernando Fábio Fiorense Furtado
Geni Oliveira de Oliveira
Gercy Oliveira Godoy
Gilson André França de Mattos
Iara Rosali Miranda
Igor Rosa Dias de Jesus
Jean Marcel Snege
João Fernandes Lucho Melgrejo
Jordan Maia da Silva Padilha
José Edy Pereira Ferreira
José Nedel
José Schenker Weis
Juarez Cesar Fontana Miranda
Karine Alves Rosa
Laura dos Santos Boeira
Luiz Ernani Silveira de Souza
Marcelo Alves
Maria Cecília Consentino Franco
Maria da Graça Landell de Moura
Mariah de Olivieri
Milton Braga da Mota Junior
Paulo Cesar Dias Rodrigues
Paulo Cesar Tórtora
Rodrigo Domit
Ronaldo Cagiano
Rosana Banharoli
Solange Firmino de Souza
Tatiana Alves Soares Caldas
Tereza Azambuya
Thaís Botelho Silva
Tiago Dias da Silva
Vagner Brum Bitencourt

sábado, outubro 23, 2010

Hércules e as Aves do Lago de Estinfalo

Hércules era filho de Zeus com a mortal Alcmena. A esposa legítima do Senhor do Olimpo, Hera, perseguiu Hércules desde que ele era bebê, quando enviou serpentes para matá-lo e ele as estrangulou. Quando Hércules cresceu, Hera mandou uma das Fúrias provocá-lo com uma loucura, fazendo com que matasse a própria mulher e os filhos. Seguindo os conselhos do Oráculo de Delfos, Hércules serviu ao primo Euristeu como forma de se purificar do crime. O rei era simpatizante de Hera e impôs trabalhos mortais a Hércules.

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Solange Firmino

Leia o texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.

Imagem: Ânfora ática, Hércules e as Aves do Estinfalo.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Criação

Hoje, 21/10/2010, aconteceu na Fundação Ceperj a solenidade de entrega dos prêmios aos 26 servidores vencedores nas categorias poesia e conto da ‘14ª edição do Concurso Literário do Servidor Público do Estado do Rio de Janeiro’. Na solenidade, o presidente da Fundação, Jorge Barreto, lançou o livro ‘Servidor da Letras 2010’, que reúne os trabalhos laureados, inclusive o meu poema abaixo:

Criação


O tempo atravessa o mundo
avança pelos detritos
rasga o espaço
e chora no ombro da noite
seu cansaço de insônia

O tempo atravessa o mistério
das perguntas gastas
e o meu coração
que bate fértil e materno

O tempo atravessa a solidão humana
tão indizível que nem cabe no verso
que é deserta e sem nome
insone e surda

O tempo
Em seu nascer-morrer sem fim nem começo
Atravessa o sol de outono
e o azul e frágil céu dos deuses

Os deuses atravessam o tempo
e as fronteiras nuas das estrelas
ei-los, obscenos,
criando o homem e o universo

Solange Firmino


sábado, outubro 16, 2010

Mito em Contexto número 100!


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Muitas centenas de anos nos separam dos primórdios da cultura greco-romana. O Olimpo hoje é apenas uma montanha na paisagem, e não parece abrigar os deuses, mas as representações que sobreviveram podem ser vistas entre as ruínas de várias cidades ou espalhadas pelos museus. Ainda que os deuses mitológicos não sejam cultuados, os mitos vivem na literatura. Os deuses e heróis das lendas dialogam com nosso cotidiano. Trazemos sua grandeza, seus poderes e vitórias para nossas próprias vidas e lhes damos sentido.

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Solange Firmino


Leia o texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.

Imagem: Busto de Zeus no Museu de Nápoli.

domingo, setembro 12, 2010

Zeus e Calisto

Antes de vencer os Titãs, Zeus destronou o pai Crono, que já havia destronado o pai Urano. Depois de castigar os inimigos, o novo Senhor do mítico Monte Olimpo cedeu o poder do mar ao irmão Poseidon e o mundo subterrâneo ao irmão Hades. O domínio de Zeus foi consolidado com uniões amorosas que produziram deuses e heróis, confirmando um de seus epítetos de deus da fertilidade. Inúmeras famílias míticas, e até famílias reais, apontavam um ancestral nascido dos amores de Zeus, afinal, a origem divina também era um atributo da realeza.

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Solange Firmino

Leia o texto completo na coluna Mito em Contexto, em Blocos online.


Imagem: Calisto e Zeus (na forma de Ártemis), de François Boucher.