sábado, abril 08, 2006

E-Zine Entre Palavras nº 1

Senhor passageiro,

próxima parada:

ENTRE PALAVRAS E-ZINE

Nº 1.

A Chegada, Sônia Menna Barreto

Data da chegada:



Sexta-feira,

7 de abril de 2.006.


Estação:


www.e-zine.entrepalavras.com.br


Nosso trem alcançou a primeira estação, hoje, às 18 horas. A ENTRE PALAVRAS E-ZINE n° 1, edição oficial, está no ar.

É a primeira parada dessa nossa viagem rumo ao futuro. Futuro da E-ZINE. Futuro dessa Trupe formada por você, amigo leitor, e por nós, loucos mambembes, que fazemos com sua colaboração a ENTRE PALAVRAS E-ZINE.

Juntos, sentemos nos bancos dessa estação. Deliciemo-nos com todas as histórias e causos dessa primeira etapa. Com vagar e carinho, conheçamos melhor cada artista-passageiro dessa maria-fumaça - lendo-os, vendo-os, ouvindo-os.

Troquemos impressões sobre a aventura com os integrantes da Trupe. Teremos tempo para colocar a conversa em dia. Sem pressa ou atropelos. Como toda Trupe mambembe, nossa casa fica onde nossa ARTE está.

Aproveitaremos essa parada ao máximo. Depois, colocaremos nosso trenzinho, outra vez, em movimento. E continuaremos a aventura, sempre em sua companhia, até a próxima parada - a Estação N° 2.

Mas não esqueça: nosso destino é o AMANHÃ!

Esperamos por você, ansiosos, na Estação!

http://www.e-zine.entrepalavras.com.br


ARTE para quem FAZ ARTE!

ARTE para quem AMA ARTE!

sexta-feira, abril 07, 2006

Por ti América - CCBB mostra legado de nossos povos.


Cultura marajoara: urna funerária.

Muito nos encantam, atualmente, lugares inusitados das Américas, como Machu Picchu; pirâmides escondidas nas selvas; trilhas incas ou o enigmático calendário Maia que os pesquisadores até hoje estudam. Esses são alguns dos poucos elementos, que restaram para que entendamos o passado desse continente – batizado de América em homenagem ao navegador italiano Américo Vespúcio.


No território latino-americano, os destaques são as áreas localizadas na Bolívia e Peru, onde existiram culturas como a Inca, Moche, Nazca, Chimu e Chavín. Nas áreas do México, Honduras, Guatemala e Belize habitaram os Olmecas, Toltecas, Maias e Astecas. O navegador italiano Cristóvão Colombo chegou à América no final do século XV. Os povos e civilizações daqui receberam, posteriormente, o rótulo de pré-colombianas, outra homenagem duvidosa. Já sabemos que nem foi ele quem chegou primeiro... Mas, enfim...


Dependendo da concepção antropológica da época, variam os nomes: ameríndios, América Indígena pré-histórica e outras denominações. Tentativa de excluir a atitude europocêntrica com o continente, que desenvolveu grandes civilizações antes da invasão européia. Essas culturas se formaram ao longo de milhares de anos. Estudos mostram esses povos possuíam organização
social e política e realizaram grandes obras.


Valorizamos nos livros didáticos os Incas, Maias e Astecas. A história da América, porém, não começa com Colombo, nem somente com essas três civilizações.

Faço esses comentários provocada pela Exposição Por ti América, no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil). A mostra reúne um pouco do legado de alguns desses povos. O acervo é de uma coleção particular e instituições públicas de países como Guatemala, Peru, Brasil e México, totalizando 350 objetos. A exposição, que ficou no CCBB até 29 de janeiro passado, está, agora, em Brasília (DF).

Está organizada em cinco temas: Cosmovisão; Sociedade e Assentamento; Sociedade e Religião, Política e Sociedade – elementos simbólicos fundamentais para compreender as visões de mundo das culturas ameríndias. Intencionalmente, a divisão é feita pelas temáticas que as aproximam, não pela origem regional – o que nos revela marcas comuns em culturas tão diferenciadas regionalmente.


O que falar de povos sem escrita? Que são primitivos? Escrita é só um código alfabético? A exposição também está organizada com esse objetivo: mostrar que se busca, hoje, decodificar a linguagem e compreender outras formas de escrita. Afinal, a linguagem codificada nas pinturas, códices e objetos não são um tipo de linguagem?

Antes de ver as famosas peças, há um espaço de introdução à arqueologia. Relata as especulações atuais sobre a migração dos povos no continente. Uma linha do tempo comparativa situa as civilizações da América indígena entre os principais acontecimentos da história universal, como a construção das pirâmides do Egito.


(...)


Leia o texto integral na E-Zine Entre Palavras.

Dioniso: um deus no teatro

Na Grécia antiga eram cultuados muitos deuses. Eles tinham vontades e personalidades como as dos homens, e muitas das suas características eram ligadas aos elementos da natureza. Um deus especial era Dioniso (Dionísio), cultuado como deus do vinho, da fertilidade e do Teatro.

Não sabemos muito sobre a origem do teatro, mas muito do que já se especulou sobre o assunto levou a acreditar que os elementos que fazem parte da história da Arte Teatral começaram a aparecer nos festivais em honra ao deus Dioniso.

Algo parecido com as procissões relembrando a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, os antigos gregos também faziam em homenagem a Dioniso. Rituais e festas eram realizados contando sua história de dor e alegria, desde o nascimento conturbado, a destruição pelos titãs até o renascimento.


(...)

Leia o texto integral na coluna Célebres Cenas, na E-Zine Entre Palavras.

Um louco de juízo

Imagine um cavaleiro forte, corajoso, honrado, cortês, leal e belo. Ele luta heroicamente contra as injustiças e os monstros em um mundo de objetos mágicos, fadas, magos e belas donzelas, que inspiram os mais puros amores. 
Você pode encontrá-lo na história de Amadis de Gaula, uma famosa novela de cavalaria do século XIV, de autoria disputada entre portugueses e espanhóis.
No século XVII, as novelas de cavalaria ainda eram populares na Europa e Miguel de Cervantes y Saavedra escreve Dom Quixote de La Mancha. Apresenta a história ao público em duas partes, a primeira em 1605 e a segunda em 1615. A intenção de Cervantes não era, exatamente, dar continuidade ao estilo de novelas como Amadis de Gaula. Ao contrário. Sua intenção era ridicularizar e criticar heróis como Amadis, tanto que até fazia parte da biblioteca de Dom Quixote.
(...)


Leia esse texto integral na coluna Transversais do Tempo, na E-Zine Entre Palavras.

Quixotesca

[Para Simone Sales]

Se musas me visitam
com rimas de velhas cantigas
Se vivo os dramas de Shakespeare
Se vejo os infernos de Dante
Sou mais um louco a sonhar?
Louco é o mundo
sem guerreiros
sem um Sancho amigo
e donzelas em perigo
Ergo a espada sem temor
em lutas nada vãs
com meus moinhos diários
que insistem em ser gigantes

E cada um não tem
seu gigante a combater?
Minha loucura é acreditar
que meus gigantes
são moinhos

Solange Firmino


Imagem: Quixote de Gustav Doré


domingo, abril 02, 2006

Páscoa


Marcamos o ritmo dos dias pelas horas, datas e celebrações. Damos sentido e significados aos fatos para serem lembrados e, principalmente, comemorados. A Igreja tem definido muitas dessas celebrações, como a Semana Santa, mas não conheço ninguém, inclusive eu, que vá celebrá-la na Igreja. Espero mesmo ficar em casa pelo menos dois dias a mais com o feriadão do funcionalismo público.

No sentido da Páscoa não falamos, mas esperamos muito pelo chocolate, bacalhau e feriadão. Aliás, a cada ano como menos chocolate, a não ser que eu mesma compre. Há alguns anos, eu saía das escolas onde trabalhava com bolsas de presentinhos doces recebidos dos alunos. No último ano nem lembro se ganhei uma bala.

Não sei quem compra tantos produtos anunciados, afinal os comerciantes vivem se gabando do lucro das vendas e que a cada ano aumentam seus estoques de ovos e barras de chocolate, mas não recebo - nem compro - quase nada disso.

Não sei do preço do bacalhau, mas dizem que custa caro. Não compro porque não sei fazer nem quero aprender. Quem sabe um dia aproveite os pacotes de feriadão e vá comer direto na Noruega, onde deve ser mais gostoso e tem a fabulosa vista dos fiordes.

Se no último Natal comi pizza, na Páscoa devo comer lasanha.
Sei que não contribuo em nada para que as festividades tenham seus símbolos reavivados. E não posso culpar as religiões, pois não sei se elas têm cuidado disso com os fiéis.
Acho que salvam o feriadão da Igreja as montagens que contam a Paixão de Jesus Cristo. Claro que elas devem chamar a atenção porque são feitas por artistas famosos.

O calendário desse ano está cheio de feriados e feriadões. Até circula na internet um resumo dos enforcamentos (Tiradentes é depois da Páscoa, mas falo do outro tipo de enforcamento) que nos aguarda, inclusive com os feriados que não se juntam todos os anos, como o da Copa do Mundo e das Eleições. E em nenhum deles, principalmente os religiosos, os significados originais são lembrados e exaltados pela maioria da população.

Em tempo: Páscoa, para os cristãos, é a lembrança da ressurreição de Jesus Cristo, da sua passagem da morte para a vida. Para os judeus, a pessach, passagem, representa o êxodo dos hebreus do Egito, onde eram escravizados.

E parece que essa história de coelhinho da páscoa nada tem a ver com as histórias religiosas, mas foi um símbolo inventado por causa da fertilidade dos coelhos. Mas eles não colocam ovos, tadinhos.
Falando em ovo, meu preferido é o prestígio. Se for em barra, caju com passas.
E bom feriado.

Solange Firmino

Publicada em Blocos online e Caros Amigos.

sábado, abril 01, 2006

Meteora - Grécia



Mosteiros de Meteora na Grécia

Para quem pensa que na Grécia só tem ilhas "gregas" e ruínas do século de Péricles, vale a pena visitar Meteora. É um lugar pouco divugado, longe de Atenas, mas imperdível.
Meteora é como uma grande floresta de pedras e uma das comunidades mais inacessíceis da Terra.

Meteora fica na região da Tessália, região da Grécia continental, e os mosteiros bizantinos construídos dentro e no alto de enormes rochas são a principal atração. Algumas fontes dizem que foram construídos a partir do século IX d.C. Foram descobertos mosaicos, moedas, inscrições, jarros e outros objetos que datam da época romana.
Hoje restam 6 mosteiros, dos 24 originais. Visitei apenas 3.


À direita, Monastério da Transfiguração de Cristo (ou Grande Meteora), a 613m acima do nível do mar.


Os primeiros mosteiros eram alcançados escalando escadas removíveis. Mais tarde, os monges subiam em redes puxadas por guindastes, método usado até os anos 20 - tinha uma em um dos mosteiros para os turistas observarem.
Os visitantes medrosos se perguntam quanto tempo levava até que as cordas fossem substituídas e a resposta é "quando o Senhor as partia".


Hoje em dia o acesso aos mosteiros é através de escadas construídas nas rochas e os guindastes servem para o transporte de provisões - claro que eu não me arrisquei nas redes.

Os museus dentro dos mosteiros são um luxo, com peças ricamente fabricadas pelos monges, manuscritos, documentos, selos, pergaminhos, decretos de Constantinopla e magníficas pinturas bizantinas - mas que não pode filmar nem fotografar no interior dos mosteiros.

Mulheres não podem entrar de calça, mas com alguns dracmas pode-se comprar saias ou cangas à venda em todo lugar. Melhor do que pegar os saiotes horríveis que eles emprestam, acredite.


A cidade de Kalambaka, conhecida por esse nome desde a época da dominação turca, fica a 5 km de Meteora e tem uma bela vista da floresta de pedras que é Meteora, além de local onde ficam o comércio e as hospedagens para os turistas.
A guerra civil dos anos 40 acabaram com o país, mas as freiras se prontificaram a reconstruir o que restara de Meteora. Veja na foto abaixo a vista de Kalambaka.


Publicado aqui, em Blocos online.

Haicai para Penélope tecedeira


teço dia e noite

 

faço e desfaço em rotina

 

meu próprio destino

 

Solange Firmino

 

Ulisses, protagonista do poema épico "Odisseia", deixa sua esposa Penélope e vai para a Guerra de Tróia.
Durante os vinte anos em que fica fora, Penélope faz de tudo para se livrar dos pretendentes. Uma das suas últimas estratégias é desmanchar de noite o trabalho que tecia de dia, nunca ficando pronto.

sexta-feira, março 24, 2006

Cópia e plágio na internet

Foto


Quando quero enviar para alguém um poema ou texto de minha autoria, e ele está em minha página na internet, acho mais rápido encontrá-lo escrevendo um verso em algum buscador. Fiz isso há pouco tempo e encontrei vários poemas meus em um fotolog. As fotografias e os poemas combinaram bem, e não seria tão mau ter uma fã se ela tivesse colocado meu nome como autora.

O mesmo aconteceu com a organizadora da coluna Orkultural, Chris Herrmann. Nós duas conversamos sobre o assunto e achamos bom ter fãs internautas, e muitos autores gostam, mas ficamos chateadas porque os autores merecem e precisam do crédito pelas suas obras, já que muitos apreciadores não pedem autorização quando copiam e publicam obras alheias. Mas algo pior pode acontecer a um texto solto pela internet: tornar-se apócrifo.

Na tradição cristã, apócrifo é um texto de origem desconhecida que não faz parte da Bíblia. Os textos apócrifos falam sobre a vida de Jesus Cristo e dos apóstolos e são considerados ilegítimos, como o Evangelho de Maria Madalena.

A palavra apócrifo vem do grego apokryphos, que significa não autêntico, oculto. Para a literatura que circula na internet, o texto de autoria desconhecida, ou sem autenticidade, é apócrifo.

Recentemente, Dan Brown, com o livro “O código da Vinci”, tentou mexer com os segredos apócrifos (no sentido de ocultos) do Cristianismo, tramando um enredo em que seitas e igrejas tentam proteger as verdades sobre Jesus Cristo e Maria Madalena. Além de sofrer os ataques das igrejas e seitas mencionadas no livro, ele também foi acusado de plagiar o enredo de outro livro escrito há duas décadas. Esse caso com Dan Brown traz a repercussão sobre a lei dos direitos autorais, que indica também as formas de se “tomar emprestadas” as idéias dos outros.

A internet parece estar livre de direitos autorais, mas não está. Para maiores detalhes, há em Blocos online vários artigos e notícias sobre direitos autorais, inclusive sobre ética na internet.

As obras que circulam na internet têm autorias atribuídas muitas vezes a escritores famosos, como Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector. Há um texto chamado “Viver não dói” que cita Drummond como autor, e é semelhante em muitos versos ao poema “Canção”, de Emílio Moura. “Ter ou não ter namorado” é uma crônica que já recebi várias vezes como sendo de Drummond, mas é de Artur da Távola.

Muitos autores vivos, como Luis Fernando Verissimo e Arnaldo Jabor, já cansaram de falar sobre a falsidade dos textos atribuídos a eles. Em Blocos online, José Nêumanne - Jornalista, editor, comentarista, poeta e escritor, na sua coluna de 9 de fevereiro de 2006, alertou sobre um texto apócrifo que critica o programa Big Brother Brasil e cita seu nome como autor. Nêumanne diz na sua coluna que sequer assiste ao programa. Além de tudo, o apócrifo em questão está assinado por um “autor” chamado Neumani.

Na semana do Dia da Mulher, recebi de uma página para professores um texto chamado “Te desejo”, com autoria atribuída a Victor Hugo. Fiz o que muitos fazem, ao tentar atestar uma autoria, pesquisei na internet e dezenas de páginas constavam-no realmente como o autor. Nelson Rodrigues dizia, e acho que não é uma frase apócrifa, que “toda unanimidade é burra”. Não devemos acreditar em páginas que não sejam confiáveis. Acreditei em dezenas delas e repassei o texto para os amigos.

Parece incrível, mas repassei para a autora seu próprio texto com autoria falsa. E ela ainda teve a humildade de dizer em sua página que “se espalhou por aí deve ser porque teve ar de uma boa semente...” Enquanto conversávamos sobre isso, ela me passou outra semente, um arquivo em Power Point com fotos belíssimas atribuídas a Salvador Dalí, mas logo reconheci que eram de Vladimir Kush, pois já tinha tomado como empréstimo uma foto dele para meu blog – com autoria e fonte.

De uma loja virtual, recebi uma mensagem pelo Dia da Mulher sem autoria. Repassei a mensagem e outra amiga a reconheceu como presente que o próprio autor lhe deu. Disse que ele trabalha para a empresa que me enviou e me deu o endereço da página pessoal dele, onde ele assume a autoria. Pelo menos não foi plágio da empresa.

E as mensagens não param de circular. Ainda este mês recebi de um grupo de mensagens virtuais um famoso texto chamado “Instantes”, escrito há anos e publicado em todo lugar como sendo de Jorge Luis Borges. O caso foi bem falado durante muito tempo e a autoria negada, mas continuam dizendo que é de Borges.

Há poucos dias, a Universidade de Oxford, na Inglaterra, alertou sobre o aumento dos casos de plágio entre os estudantes, que copiam trabalhos inteiros da internet e não citam autor ou fonte. Nessa universidade, os estudantes assinam contrato contra plágio, o que não garante que os estudantes parem de copiar e colar indiscriminadamente.

A internet se torna maior a cada dia, a cada nova linha escrita. Não dá para fiscalizar o que acontece em todas as letras e imagens. Muitos se aproveitam do acesso fácil e da impunidade para roubar o material intelectual alheio. Mas isso não faz da internet uma terra sem lei. Nosso papel, como autores e leitores, é tentar dar o devido crédito ao texto alheio, mas o crédito certo, não apócrifo ou anônimo.

Como já disse Millôr Fernandes, “copiar um autor é plágio, copiar muitos autores é pesquisa”. Aliás, se alguém ficar sabendo que essa frase não é dele, por favor me avise.

Solange Firmino


* Texto publicado na Coluna Orkultural nº 14 , em Blocos online, no dia 24 de março de 2006. E também na Caros Amigos e Garganta da Serpente.




sábado, março 18, 2006

Silêncio


Silêncio,
presente na ausência do som
e na mudez da palavra,
quando gesto e olhar têm voz

Se o corpo inteiro quer falar,
o mímico reinventa o mundo
nos gestos silenciosos
e diz tudo

Solange Firmino






Homenagem ao poeta, mímico e artista plástico jiddu Saldanha.
Na fotografia, sua apresentação no Largo do Machado, em 18/03/06.

segunda-feira, março 13, 2006

Palhaço

Eu, de palhaça Borboleta


Sou palhaço
quando me disfarço.
Se por dentro
a dor não tem maquiagem,
por fora,
sorrisos e cores me fazem
contente.

Quando me escondo
em cambalhotas diárias,
sou mágico-equilibrista.

Se quero chorar,
máscaras não escondem lágrimas.
Mas se esqueço a tristeza,
logo volta o sorriso.

Solange Firmino




Comemora-se o Dia do Circo em 27 de março, numa homenagem ao palhaço brasileiro Piolin, que nasceu nessa data, no ano de 1897, na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo.

Considerado por todos que o assistiram como um grande palhaço, Piolin se destacava pela enorme criatividade cômica e pela habilidade como ginasta e equilibrista. Seus contemporâneos diziam que ele era o pai de todos os que, de cara pintada e colarinho alto, sabiam fazer o povo rir.

Fonte: IBGE

sábado, março 11, 2006

Borboleta...

Borboleta,
quero ser flor
para beijar
teu arco-íris
quando pousas

Quero todas
as tuas cores
para pintar
paisagens
por onde eu passar

Quero o sossego
do teu vôo
saltitante e feliz

Solange firmino


*Nesse dia, à noite, era minha apresentação como Palhaça Borboleta.

Poesia

Para ti sussurro
o que dita a Musa
no silêncio
no princípio e
no fim do dia

Fonemas, palavras, dígitos
impressões tatuadas
nos papéis e nas telas

Tu és minha
permanência
meu rastro pelo caminho
efêmero

Solange Firmino



Figura:Erato, musa da poesia lírica


domingo, março 05, 2006

Equilibrista

Foto de Faísca

Na corda bamba do dia,

equilibro-me subindo e descendo
na ampulheta das horas.

O minuto seguinte
é um abismo
de expectativa.
Mas de tanto renascer
diariamente
já não sinto vertigem.

Solange Firmino

sábado, março 04, 2006

Ser mãe, ser mulher


A dor de Deméter
é minha dor.
O retorno de Perséfone
é minha alegria.
A prece de Maria é
meu silêncio.

Pandora, ordem do mundo,
é rancor para os homens
e corrente
para as mulheres.

Meu ventre, casulo de semente,
foi o único descanso real
do meu filho,
minha dor e
meu consolo.

Solange Firmino



terça-feira, fevereiro 21, 2006

Internetês


Internetês


A Língua Portuguesa mudou através dos séculos. E continua mudando. A forma de tratamento “Vossa Mercê” sofreu mudanças lingüísticas até a forma “você”, que continuou mudando até a pronúncia “cê vai?” e a atual escrita dos usuários da internet: “vc”.

Uso de abreviação na fala e na escrita não é novidade. Neologismo também não. A todo momento surgem grupos que criam seu próprio vocabulário, com palavras que às vezes se tornam gírias, como muitas expressões faladas pelos surfistas e outras “galeras”, “tá ligado?”. Alguns diálogos são até inacessíveis a pessoas que não fazem parte de alguma “tribo”.

Os usuários da internet utilizam uma linguagem própria nas salas de bate-papo. Encurtaram palavras, retiraram acentos, pontuações e criaram mais um fenômeno de variação lingüística, o internetês, uma espécie de dialeto do mundo digital com palavras e abreviaturas que são verdadeiros códigos entre internautas .

Em um canal de TV por assinatura há uma sessão chamada “Cyber Movie”, que exibe semanalmente filmes com legendas em internetês. Em alguns segundos é possível ler palavras como naum (não), kra (cara), fazendu (fazendo), estaum (estão) e D+ (demais), o que pode deixar confusa uma pessoa que não faça parte do contexto das conversas instantâneas.

É possível aprender estenografia, um tipo de escrita simplificada que aproveita melhor o tempo e o espaço, assim como o objetivo do internetês. Será que no futuro próximo haverá curso de internetês para ver os filmes ou entender o que os alunos escrevem? Aceito o dinamismo da língua, mas torço para que os cinemas não tenham a mesma idéia da TV por assinatura.

Acatar todas as grafias e falas “alternativas” e propagá-las na mídia é um exagero. Em Lingüística, aprendemos noções de variedade lingüística. E também de adequação. É preconceito lingüístico classificar os socioletos em certo e errado, de acordo com a norma padrão da língua, mas devemos ficar atentos com a adequação no uso da língua.

Vale mostrar nas escolas que a civilização não vai acabar com a expansão do internetês, mas o aluno tem que entender que a variação linguística permite escolhas adequadas e que essa linguagem é legítima, mas limitada a um tipo de interlocutor.

O internetês é uma espécie de variação da língua entre pessoas que utilizam a internet e sua característica é a agilidade e facilidade de escrita. O desafio é mostrar ao aluno que ele não pode produzir textos o tempo todo como se estivesse nas salas de bate-papo, ou seja, deve aprender a utilizar de forma adequada os diversos registros de linguagem, inclusive a norma culta.


Solange Firmino


Texto publicado na coluna Orkultural n° 12 em Blocos online, em 24/02/06.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Real e virtual


Emoções reais

O mundo virtual é impessoal e sem sentimentos. Não se trocam idéias, a comunicação tem direção única e afasta as pessoas do contato olho no olho. Cansamos de ler frases desse tipo. Mas também lemos e ouvimos ótimas referências sobre a internet. Como toda revolução, estando no meio dela ainda é difícil falar sobre os seus resultados, mesmo assim, podemos sempre falar de alguns benefícios que a internet traz para o nosso cotidiano.

Parodiando o título do livro de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, imagine um "Ensaio sobre o mundo sem computadores". Certamente, depois das experiências que tivemos nos últimos dez anos com o ciberespaço, seria meio caótico ficar sem computadores nas empresas, bancos, hospitais e até sem os computadores caseiros. Vivemos sem eles até bem pouco tempo, mas nossa estrutura atual depende muito deles.

Um dos aspectos mais comentados sobre o uso de computadores é o de que as pessoas deixam de se relacionar com as outras. Mas talvez seja o contrário, pois hoje um dos meios mais fáceis de conhecer e conversar com alguém é através da internet. Claro que há várias formas de fazê-lo e cada um vai se adaptar aos seus próprios objetivos.

Comunidades virtuais como Orkut representam um pequeno mundo nas relações sociais da atualidade, pois possibilita a troca de informações e o ganho de amizades e amores através da internet. E possibilita a perda também, já que um grande problema é a falta de privacidade dos dados à mostra, o que pode provocar reações como ciúmes. Mas com milhares de pessoas com perfis e imagens tão interessantes, não será difícil achar uma princesa ou príncipe encantado.

Mas não é exatamente encantada no sentido dos contos de fada a pessoa com quem dialogamos. Falamos com um ser humano através do computador. E inteligência dos animais ainda não permite que eles usem o teclado com eficiência. Quando estamos na internet a relação também não é com o computador, é com as pessoas que imaginamos que estão nos ouvindo, lendo, escutando. Se muitas pessoas só são sociáveis através dele, se a pessoa se isola do mundo externo e só se sente segura com relações através da internet, é outra história.

Não podemos dizer que o computador afasta as pessoas, quando muitas estão juntas por causa dele e através dele. Temos que saber dosar nossas experiências, tanto nas relações reais como nas chamadas relações virtuais. Discute-se muito também qual a relação entre os termos real e virtual. Virtual não é físico, mas a simulação de algo que não está no real, não está presente.

Assim, houve a simulação da festa de aniversário da Leila Míccolis, uma das fundadoras, sócia e editora de Blocos online, entre os dias 28 de dezembro de 2005 e 2 de janeiro de 2006. Ninguém poderá dizer que não houve interação entre as pessoas que lá escreveram.

Durante quase uma semana, amigos chegaram no tópico da festa e deixaram seu carinho através das palavras. E as palavras lidas afetaram emocionalmente a querida Leila. Houve troca, afeição e desejos sinceros de feliz vida, saúde, paz e felicidade. Tanto que ela desejou fazer aniversário mais vezes durante o ano, claro, sem trocar a idade, porque a festa pode ser virtual, mas a idade é real.

O limite entre o real e o imaginário não está bem definido ainda, mas entre um e outro está, com certeza, o ser humano real, de carne e osso. E seria bem difícil fazer uma festa com pessoas de carne e osso de vários estados do Brasil e até pessoas de outros países, durante vários dias, na sua casa real da Leila. A festa virtual foi possível graças ao tipo de encontro que a internet pode proporcionar.

O virtual pode ser concreto quando há interação, pois as pessoas podem não ser tocar fisicamente, mas a emoção é um sentimento real e pode nos transformar e engrandecer como pessoas. Eu não imaginei que aquela festa seria a minha despedida do Orkut. Assim como ela foi inesquecível para Leila, será para mim também.

Solange Firmino

Leia o depoimento de Leila Míccolis sobre a festa: PRIMEIRA FESTA VIRTUAL DE ANIVERSÁRIO

Texto publicado dia 14/02/ 06 em Blocos online

Emoções reais - Solange Firmino

sábado, fevereiro 11, 2006

Dia da Árvore



Foto tirada por mim na rua do Catete

Sabedoria vegetal

"Retiro semelhanças de árvores comigo.
Não tenho habilidade pra clarezas.
Preciso de obter sabedoria vegetal."
[Manoel de Barros]


Há a estação dos frutos.
Ninguém celebra a estação das sombras.

[Mia Couto]


Da árvore, admiro as raízes fincadas na terra fértil.
Quero ser forte como o caule
que suporta adversidades.
Venero os galhos que acolhem ninhos.

Invejo a sombra confortável
e os frutos que guardam a semente.
Quando chega o outono,
saúdo as folhas que enfeitam o chão,
húmus vegetal,                                             
começo de árvore em outra estação.

Solange Firmino.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Odisséia

Placa de terracota com retorno de Ulisses. Museu Metropolitan.

Odisséia


Vivo em circunviagem.

Ulisses sem Ítaca, tenho saudade

de quem me espera.


Tantas voltas dou, Penélope tecendo,

faço meu caminho em mares profundos.

Um porto de vez em quando me faz companhia.


A cada gesto de partida,

mais perto fico da chegada.

Nas tormentas, procuro o desconhecido

no espaço cíclico.

Viajo sem regresso previsto.


Peregrino sem âncora ou bússola.

Nas travessias cruéis,

entre Cila, Caribde e Ciclopes,

enfrento naufrágios, armadilhas

e expectativas.

Encantam-me Circes, olhares e palavras.


Retorno pela memória.

Navego pelo visto, ouvido e amado.

Só assim me livro do exílio.

Encontro-me esperando por mim

no meio de tantos sonhos tecidos

enquanto eu crescia.


Solange Firmino

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Autopseudobiografia












"O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
[Fernando Pessoa – Autopsicografia]


Finjo
um ventre exposto
para que palavras
me fecundem

Finjo
que me rendo
aos versos
como abrigo para
o eterno

Finjo
que dói
achar no espelho
cansaço e inquietude

Finjo
que ajeito
flores despencadas
cortinas tortas
travesseiros
gavetas

Finjo
que finjo
qualquer fingimento
e não mando flores
para mim mesma

Solange Firmino

sábado, janeiro 28, 2006

Fotografia

Eu em 2000


O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia.
[Composição: Leoni e Léo Jaime]


Fotografia 


Bolor de memória

nas imagens

Instante esculpido

na dimensão plana

quase apagada

do papel

um pedaço de mim

em gesto de estátua

fragmentos do passado

nas pessoas que me espreitam

ausentes

quase vivas


muitas ainda em preto e branco


Mistério do tempo parado

pela luz

No futuro

quem sabe

serei outra imagem

holográfica ou megapixels

talvez até mais duradoura

quem sabe fixa, para sempre


Solange Firmino

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Caminhos


caminhos são vários
caminhos são passos

sem fim ou começo

permitem

retorno
desvio
tropeço

Solange Firmino

Equilíbrio



Labirinto
é para se perder
no meio das rotas
tortas
ou
retas

Bom é achar
abrigos
caminhos
portas
destinos

Ideal
é transcendê-lo
em vôo
como Dédalo

Não tão perto
do sol
como Ícaro

Labirinto é
para achar
o caminho
do meio

Solange Firmino

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Para onde você olha?

Para onde você olha?

No penúltimo texto da coluna Orkultural, falei sobre aproveitar o tempo (Carpe diem) e harmonizar Cronos e Kairos - o tempo do relógio e o tempo vivido.
No último texto, abordei a idéia de fim ou começo e nossa posição sem tempo definido no calendário.

Grandes pensadores, em várias áreas do conhecimento e em diferentes épocas tentaram entender o tempo. Ontem, hoje, amanhã, presente, passado e futuro sempre foram questões abordadas em seus aspectos cronológicos, existenciais, reais ou imaginários.

Como conservar o tempo? Que tempo é real e concreto? O tempo que passou ficou guardado em algum lugar? É possível viajar no tempo? Não sei. Mas muito se fala em aproveitar o dia que logicamente parece ser mais “palpável”, o presente. Aproveitar somente o dia de hoje pode parecer simples, mas o presente está entre o passado e o futuro, duas faces – uma que nós conhecemos, porque foi vivida e outra que não conhecemos, com todas as suas possibilidades.

Passado e futuro são duas fases no ritmo de nossas vidas, assim como tantos outros símbolos que representam a dualidade: novo e velho, dentro e fora, bonito e feio, feminino e masculino, yin e yang, etc. A dualidade também está simbolizada nas faces de Janus, divindade romana de aparência bifronte, com uma face voltada para o passado e outra para o futuro.

Na Antigüidade, muitas cidades tinham fortificações com portas nas entradas. Janus era adorado como o Senhor dos Inícios e como protetor das Portas e Passagens. Ele era o porteiro celestial e suas faces representavam o término e o começo, o passado e o futuro. Era responsável, portanto, pela abertura das portas do ano que iniciava. E toda porta se volta para dois lados...

Na origem do nosso calendário há homenagens a diversos deuses romanos. O mês de março origina-se do culto a Marte, deus romano da guerra. Janeiro era consagrado a Janus que, por ter duas faces, podia olhar ao mesmo tempo os dois anos, aquele que terminara e aquele que estava começando.

Sabemos que o passado tem tradições, mas também tem perdas. O futuro tem possibilidades, mas os riscos são desconhecidos. O que Janus pode nos ensinar é como voltar a face para os dois lados.

Aproveitemos que ainda estamos em janeiro e olhemos para os dois lados. Que possamos aprender com a vivência do caminho já trilhado a compreender melhor o presente e, por conseqüência, caminhar de modo mais lúcido para o futuro.

Solange Firmino

*Figura: representação de Janus.

Publicado na coluna Orkultural n° 10, janeiro de 2006.


segunda-feira, janeiro 09, 2006

O que você está ouvindo?



* Artigo escrito para a coluna Orkultural de novembro de 2005 em Blocosonline.

O que você está ouvindo?

Não, esse título não é uma brincadeira com o nome da comunidade anunciada na coluna Orkultural de 8 de novembro, “O que você está lendo?“. Também não é sobre uma comunidade de música.

Alguém já fez essa pergunta a você querendo saber que livro você está ouvindo? O livro para ser ouvido não é novidade. Há poucos anos, podia-se aprender inglês ouvindo fita cassete ou ouvir histórias infantis em disquinhos coloridos. E já tem tempo também que são disponibilizados arquivos em áudio para deficientes visuais.

O que é novidade é a popularidade que o livro para ser ouvido vem ganhando com o tempo e atualmente há editoras e páginas na internet especializadas na venda desses chamados áudio-livros.

Aproveitando as tecnologias atuais de compactação de arquivos, o áudio-livro, em formato mp3, ocupa até 12 vezes menos memória que outros formatos. E ainda há a garantia de um som limpo, bem diferente das fitas e minidiscos.

Há um sistema de download com código específico criado para cada cliente e cada livro. Com o código, o cliente pode fazer o download, isto é, baixar o arquivo de áudio, onde e quando preferir. Há também a possibilidade de gravar os arquivos em CD ou copiar para os dispositivos de áudio portáteis pra ouvir quando quiser.

A grande idéia para vender o livro é que você pode “ler” enquanto faz outras coisas, diferente do livro convencional. Afinal, é bem difícil ler um livro enquanto está dirigindo, lavando louça ou levando o cachorro pra passear, não é?

Em uma propaganda, lê-se o seguinte: “...é possível completar a sua cultura geral, aprender uma técnica particular, estudar um assunto específico, se divertir ou simplesmente sonhar escutando uma história. “ Há disponíveis livros de auto-ajuda, filosofia, história, aprendizado de línguas estrangeiras e muitos outros gêneros, atingindo o grande público.

Rubem Alves disse, em uma entrevista sobre o lançamento de sua obra em áudio, que “nossos ouvidos também são Instrumentos para ler o mundo.” Conta também que recebeu carta de uma deficiente visual sugerindo a venda de seus livros em formato digitalizados, podendo assim chegar a mais pessoas.

Claro que não a todas as pessoas, pois tem sempre aquelas que não gostam das novidades, que não usam máquinas digitais, celulares e outras coisas que os avanços tecnológicos proporcionam.

Tudo bem, o livro de papel não está ameaçado de ser substituído pelo livro eletrônico, e não podemos negar a utilidade do áudio-livro.

Depois de ler isso, será que você vai correndo ser o primeiro a abrir a comunidade “Que livro você está ouvindo?”

Solange Firmino

domingo, janeiro 08, 2006

Fim ou começo? Ou o começo do fim?

Estamos no início de mais um ano. E se você está lendo esse texto, sobreviveu a mais uma página no calendário. Certamente, não teve medo do Apocalipse depois de meia-noite. Após várias modificações nos calendários através dos séculos, e com o atual horário de verão, fica difícil ainda temer a passagem de 31 de dezembro para primeiro de janeiro. O último dia pode ser qualquer um, afinal, nem sabemos a qual calendário o Dia do Juízo Final obedecerá.

Recebi dezenas de mensagens desejando “Feliz Ano Novo”, mas nenhuma falou do medo do fim, apenas da alegria do novo começo. Antes do ano 2000, muito se escreveu sobre o fim dos tempos ou Apocalipse, e até sobre um bug do milênio, que nem aconteceu... Sobre o fim do mundo de verdade, não saberemos, se for mesmo o fim.

A literatura registrou vários fins, como o fim de Constantinopla, da Biblioteca de Alexandria e da Primeira Guerra Mundial. Sobre o fim do século XX muito se escreveu, parecia fatídico, cheio de previsões assustadoras.
Agora, parece que somos imortais, ninguém faz lista do que faria se fosse o último dia.

Meu amor o que você faria?
Se só te restasse esse dia
Se O mundo fosse acabar
Me diz o que você faria?
[Composição de Lenine e Paulinho Moska]

A música acima foi muito cantada no fim do milênio. E muitos filmes trataram do tema do fim do mundo, mas sempre teve um mocinho salvando a nossa pele. Além das previsões religiosas, muitos estudiosos fazem seus cálculos e hipóteses de quando será o fim da terra.

Na década de 80, Carl Sagan produziu a série Cosmos e sempre alertou sobre o maior perigo, a autodestruição – nem precisamos de profecias para saber que o que fazemos ao planeta no dia a dia está nos destruindo.
Sempre achei Carl Sagan esperançoso de que nós ainda poderíamos salvar o planeta do fim trágico.

Contrariando as idéias de Sagan, o filósofo John Gray defende em seu livro, Cachorros de Palha, a tese de que a humanidade está enganada se acredita que ocupa um lugar destacado no Universo. Pior, diz que não podemos controlar nosso destino nem somos capazes de construir um mundo melhor.

Não sei quem está certo, mas o futuro não parece muito promissor com as hipóteses de guerra nuclear, os buracos na camada de Ozônio, o excesso de população e a falta de recursos e o superaquecimento do sol.

Enfim, centenas de motivos, naturais ou provocados por nós, podem levar ao fim tudo o que conhecemos como real. O mundo será dominado pelas máquinas? Descobriremos uma Matrix? Ou tudo não passa de ficção científica e logo teremos paz?

Podemos começar “ontem” a fazer as coisas certas e manter o que ainda resta no planeta. Mas que seja antes de o sol explodir e reduzir tudo a cinzas.

Solange Firmino

* Leia esta crônica e dicas do mundo do Orkut na coluna Orkultural de Chris Herrmann em Blocos online.